Filhos de Gandhy: afoxé que encanta no Carnaval de Salvador desfila hoje
Grupo desfila no Pelourinho, segue para a Barra na segunda-feira (3) e encerra sua participação no Campo Grande, na terça-feira (4)
Arthur Garcia/Agecom
O Carnaval de Salvador é um dos maiores espetáculos populares do mundo, e, entre os diversos blocos que desfilam pelas ruas da cidade, um deles se destaca pela história, pela tradição e pela mensagem de paz: o Afoxé Filhos de Gandhy. O ‘tapete branco’ se apresenta no Carnaval a partir do domingo (2), no Pelourinho – Praça Castro Alves, em seguida, na Barra, segunda (3), e no Campo Grande, na terça (4).
Bloco exclusivo para homens

Desde a sua fundação, o Filhos de Gandhy manteve a tradição de ser um bloco exclusivamente masculino. Apenas homens podem se tornar membros e desfilar oficialmente pelo afoxé. No entanto, para atender à demanda feminina, foi criado nos anos 1960 o bloco Filhas de Gandhy, que permite que as mulheres também participem da celebração, mantendo a mesma identidade visual e espiritual do grupo original.
Este ano, o afoxé se envolveu em uma polêmica ao vetar a presença de homens trans entre seus associados. Em comunicado enviado aos associados, o Afoxé Filhos de Gandhy informou que apenas homens cisgênero seriam permitidos no cortejo, gerando questionamentos de entidades LGBTQIAP+ e foliões, que acusaram a agremiação de transfobia.
No entanto, a diretoria do grupo recuou sobre a decisão. Em uma nova nota à imprensa, na segunda-feira (24), compartilhada também nas redes sociais do bloco, a instituição anunciou o recolhimento do documento e a revisão de suas regras, buscando promover maior inclusão e respeito à diversidade.
Fantasia
O Afoxé Filhos de Gandhy revelou sua fantasia para o Carnaval 2025 na última sexta-feira (21), na sede do Afoxé, localizada no Pelourinho. Intitulada o “manto sagrado”, a indumentária deste ano homenageia o orixá Ogum, patrono do Afoxé, com o tema “Ogum – O Senhor do Ferro, dos Metais e da Tecnologia”. A fantasia simboliza a força, resistência e inovação, características associadas a Ogum.
Desenhada pelo renomado designer J. Cunha, a fantasia mantém viva a essência e a tradição do Afoxé Filhos de Gandhy. O artista Evaldo Macarrão foi escolhido para vestir a fantasia durante o evento, personificando a união entre arte, espiritualidade e cultura popular.
Mais do que uma vestimenta, a fantasia do Afoxé Filhos de Gandhy é uma poderosa expressão de ancestralidade, memória e tradição do povo negro. Com cores vibrantes e detalhes simbólicos, a roupa reforça a identidade afro-religiosa de Salvador e celebra os valores da cultura da paz.

Origens
Fundado em 18 de fevereiro de 1949, o bloco nasceu da iniciativa de estivadores do Porto de Salvador que, diante das dificuldades econômicas e da intervenção governamental nos sindicatos, decidiram criar um grupo carnavalesco que simbolizasse resistência e espiritualidade. Inspirado no pacifista indiano Mahatma Gandhi, o bloco tornou-se um dos maiores representantes da cultura afro-brasileira e da religião de matriz africana.
A história dos Filhos de Gandhy começa no Sindicato dos Estivadores de Salvador, onde trabalhadores do porto, reunidos e preocupados com a crise econômica, decidiram criar um bloco carnavalesco para manter viva a tradição festiva. O nome original seria “Comendo Coentro”, mas a falta de recursos impediu a sua saída naquele ano. Foi então que Durval Marques da Silva, conhecido como “Vavá Madeira”, sugeriu a criação de um novo bloco, e o nome Gandhy foi escolhido em homenagem ao líder indiano, assassinado um ano antes.
A grafia “Gandhy” foi alterada para evitar represálias do governo, que temia que o grupo tivesse intenções políticas subversivas. O primeiro desfile contou com apenas 36 integrantes, que usavam roupas brancas feitas de lençóis e turbantes improvisados. Com o tempo, os trajes foram se tornando cada vez mais elaborados, incorporando os colares de contas e os perfumes característicos, como a alfazema, que hoje fazem parte da identidade do bloco.
Crescimento consolidação

O Filhos de Gandhy se consolidou, nos anos seguintes, como um dos blocos mais importantes do Carnaval de Salvador. O grupo adotou oficialmente o afoxé como sua expressão musical em 1951, passando a entoar cantos e ritmos de matriz africana, especialmente do candomblé. A cerimônia do padê, realizada no Largo do Pelourinho antes do desfile, tornou-se uma tradição e reforça a conexão do grupo com a religião afro-brasileira.
O bloco enfrentou dificuldades financeiras e chegou a ser despejado de sua sede na década de 1970, interrompendo seus desfiles por dois anos. No entanto, com o apoio de artistas e radialistas, como Gérson Macedo, e sob a liderança de Camafeu de Oxóssi, o Filhos de Gandhy voltou às ruas em 1976, com cerca de 80 integrantes. A partir daí, o grupo cresceu exponencialmente, chegando a mil associados em 1978 e ultrapassando os 14 mil em 1999, ano do cinquentenário.
Os Filhos de Gandhy não são apenas um bloco carnavalesco, mas um símbolo de paz e espiritualidade. O figurino dos participantes é inspirado nas vestes brancas de Gandhi e inclui turbantes, colares e faixas azuis. O turbante tem um significado especial, representando proteção espiritual e ligando os integrantes à ancestralidade africana.
Outro elemento marcante do bloco é a alfazema, um perfume de origem francesa que os integrantes espalham pelo caminho durante o desfile. Segundo as tradições religiosas, a alfazema purifica o ambiente e atrai boas energias. “A gente passa e deixa um rastro de paz, de harmonia”, explicam os membros do bloco.
Os animais-símbolo do bloco também possuem significados profundos. A cabra representa a vida, enquanto o camelo simboliza a resistência, qualidades essenciais para um grupo que atravessou décadas de desafios e continua a se reinventar.
Papel social e cultural
Além de sua presença marcante no Carnaval, o Filhos de Gandhy também tem um papel social relevante. Foi criado, em 1996, o projeto Gandhy Social, uma iniciativa voltada para o apoio a comunidades carentes, com atividades educativas, culturais e assistenciais. O bloco também promove oficinas de percussão e confecção de turbantes, garantindo que as novas gerações mantenham vivas as tradições do afoxé.
Outro aspecto importante é a participação de personalidades da música e da cultura baiana no bloco. Gilberto Gil, por exemplo, já desfilou com os Filhos de Gandhy nos anos 1970, ajudando a dar visibilidade ao grupo no cenário nacional. “Ser um Filho de Gandhy é levar a paz para o mundo”, afirmou o cantor em uma de suas participações.
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