Axé na Avenida! Filhos de Gandhy e orixás encantam sambódromo no Carnaval de SP
Bahia também homenageada pela escola bicampeã Mancha Verde no primeiro dia do grupo especial
Reprodução/Instagram @coloradodobras_oficial
O primeiro dia de desfiles do grupo especial de São Paulo, realizado no Sambódromo do Anhembi, ficou marcado por enredos que exaltaram a cultura afro-brasileira, homenagens a grandes nomes da música e reflexões sociais. Com enredos diversos, as sete escolas de samba trouxeram para a avenida um espetáculo de cores, histórias e emoção, envolvendo o público de 32 mil pessoas, segundo a Prefeitura de São Paulo.
Sem chuvas e com temperatura amena, o desfile aconteceu entre a noite de sexta-feira (28) e a manhã deste sábado (1º). Destaques incluíram a valorização das religiões de matriz africana, a homenagem ao cantor Cazuza e um desfile inspirado na música “Aquarela” para celebrar a vida e o luto de forma poética.
Colorado do Brás: tributo aos Filhos de Gandhy
A Colorado do Brás abriu a noite e celebrou seus 50 anos com o enredo “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé”. A escola homenageou o tradicional bloco de Salvador, criado na década de 1940, e trouxe para a passarela figuras históricas como Gilberto Gil, Clara Nunes e Caetano Veloso, artistas ligados ao afoxé e às religiões de matriz africana.
Um dos momentos mais marcantes foi a representação do Padê de Exú, entidade saudada antes de iniciar as festividades, e a escultura de Mahatma Gandhi em gesto de agradecimento. Destaque especial foi dado aos Filhos de Gandhy, com a ala coreografada reproduzindo suas vestes brancas e os colares azuis e brancos, símbolos de paz e proteção. O desfile se encerrou com uma imponente alegoria do Pelourinho, simbolizando a paz através de uma pomba branca e perfumes de alfazema espalhados pelo ar.
Barroca Zona Sul: força de Iansã na Avenida
Em seguida, a Barroca Zona Sul mergulhou na mitologia africana com o enredo “Os nove oruns de Iansã”. A escola retratou a orixá dos ventos e raios, destacando sua força feminina e espiritual. A comissão de frente emocionou com nove andarilhos que se transformaram em Egunguns, representando os espíritos ancestrais.
Um dos momentos de maior impacto foi a chuva de pipoca, em referência à lenda em que Iansã cura as feridas de Obaluaê, transformando-as em pipocas, surpreendendo o público ao longo do desfile.
Dragões da Real: emoção em cada pincelada de “Aquarela”
A terceira escola a desfilar, Dragões da Real, trouxe para a avenida um desfile emocionante com o enredo “A Vida É Um Sonho Pintado em Aquarela”. Inspirado na canção de Toquinho, o cortejo prestou homenagem a Jorginho, neto do carnavalesco Jorge Freitas, falecido em 2024.
A escola surpreendeu o público ao lançar um foguete cenográfico e destacar elementos lúdicos da música, como cisnes gigantes, um globo rodante e um barco à vela. O refrão de fácil memorização envolveu os espectadores, que cantaram junto em um momento de grande emoção.
Mancha Verde: fé e profano na Cultura Baiana
A bicampeã Mancha Verde apresentou o enredo “Bahia, da Fé ao Profano”, destacando a fusão entre as tradições religiosas e as festas populares da Bahia. A comissão de frente reproduziu a procissão do Senhor do Bonfim e seus contrastes entre o sagrado e o mundano.
Com alegorias imponentes, a escola retratou Iemanjá em uma escultura gigante cercada por efeitos visuais de fundo do mar. A ala das baianas, em azul e dourado, homenageou Oxum, a orixá das águas doces e da fertilidade.
O desfile também destacou a influência do Carnaval de Salvador, com referências aos blocos afro, como Olodum, Ilê Aiyê e, em especial, aos Filhos de Gandhy. A escola trouxe uma ala dedicada ao afoxé, com dançarinos em trajes inspirados no bloco e nos rituais de Oxalá. O encerramento trouxe uma alegoria representando a festa de Yemanjá no Rio Vermelho, com águas cristalinas e oferendas em barquinhos.
Acadêmicos do Tatuapé: clamor por justiça
Com o enredo “Justiça – A Injustiça Num Lugar Qualquer É Uma Ameaça à Justiça Em Todo Lugar”, a Acadêmicos do Tatuapé criticou desigualdades sociais e celebrou marcos históricos. O desfile destacou figuras como Mandela e Martin Luther King em uma alegoria que representava a esperança por um mundo mais igualitário.
A terceira alegoria impressionou ao expor uma criança baleada, simbolizando as vítimas da violência, e cartazes com mensagens de protesto contra as desigualdades.
Rosas de Ouro: jogos e sorte no samba
A penúltima escola a desfilar, Rosas de Ouro, trouxe o enredo “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”, abordando jogos e sua influência na sociedade. Entre as alas, destacaram-se representações de xadrez, banco imobiliário e personagens icônicos dos videogames, como Mario Bros e Pikachu.
O desfile apostou em uma estética vibrante, com cores metalizadas e interatividade com o público, que se animou com o samba de fácil adesão.
Camisa Verde e Branco: poeta Cazuza vive!
Encerrando a noite, a Camisa Verde e Branco emocionou com o enredo “O Tempo Não Para! Cazuza – O Poeta Vive!”. A escola homenageou o legado do cantor e compositor através de versos marcantes e referências a suas músicas mais icônicas.
Com alegorias que simbolizavam sua rebeldia e lirismo, o desfile contou com a presença de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, reforçando a mensagem de que a poesia e a luta do artista seguem vivas.
O primeiro dia de desfiles do Carnaval de São Paulo reafirmou a capacidade das escolas de samba de entrelaçar cultura, memória e crítica social em espetáculos grandiosos e emocionantes.
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