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As habilidades de Mônica, sem medo, sem anseio

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Anteriormente, Clara havia vencido as calçadas, os buracos, o lixo e as fachadas das casas amanuense; difícil apostar se estavam ali por algum propósito, ou porque era o lugar para construção de residências, sem emprestar glórias às janelas e à porta, às vezes entreaberta, sem que fosse possível adivinhar onde estavam os móveis e a divisão dos cômodos, em alguns dos quartos dormiria uma cadeira e uma idosa, recolhida, obediente, recebendo as atenções e incômodos distribuídos solitariamente e na disciplina, não por atenção e sim para obedecer a contagem dos dias, não andavam, às vezes metiam sustos. Pierre, magro, pálido, já vestindo calças, um dia se assustou, desbotou ainda mais, em razão de não ter encontrado a tia Luci. Olhou a janela e estava aberta, mas como ela se levantaria da cama e sairia pela janela, 88 quilos não flutuam, nem ultrapassam barreiras, como fazem os atletas nas Olímpiadas. Todos estavam na casa. A teriam leva para o hospital? Não havia nada de errado em nenhum dos 88 quilos, mas o sair da cama, não era rotina, precisaria ser executado com uma mecânica a exigir o emprego de diversas forças, e o conhecimento da física naquela casa era da mesma magnitude de uma lassidão. Não se preocupe, ela viajou Mas como viajou? A irmã alugou uma ambulância, a colocaram na maca, dois travesseiros, uma grossa revista de palavras cruzadas e o destino se fará presente daqui a duas horas. Pallares é um povoado pequeno e a casa está fincada na areia, sem escadas, ou batentes; o banho de mar será conduzido até a espreguiçadeira e as poucas roupas não vão protestar por ficarem molhadas. Difícil será retirá-las, mas mesmo sem a física há de acontecer e novas vestes vão ocupar o lugar. Pierre estudara química na universidade, deslocamento de peso, atrito, velocidade, só gozava de intimidade quando os viam aplicados nos filmes; uma bola de fogo imensa atingiu o edifício, derrubando-o, as pessoas que estavam na rua e dentro do prédio morreram ou ficaram muito feridas. Não era necessário qualquer cálculo e a lógica do impacto de uma força sobre uma superfície fixa ultrapassava a banalidade das canções de ninar crianças quando nervosas, ou no abandono, ou no berço, bem cuidadas, choram irresistivelmente. Irresistivelmente era o nome e o sobrenome de Mônica, difícil alcançá-la, por mais a se deslocar esforços, superiores àqueles empregados no trem, carregado, transiberiano, ou no metrô de New York no Dia de Ação de Graça. Era Mônica, não se ouvia mais outro nome, Carla, Flora, Clarice e madame Elisabeth não compunham a pauta musical e nem podiam, Mônica era o tom, na simplicidade de um berimbau, uma só corda. Todo o emprego na execução de Alone Together, por mais próximo que estivesse de Chet Baker era inútil, bem afastado naquele crime estupendo também. Claro, sobravam inconformismos, maldições, mas quem iria para o reino do céu seria Mônica. Longe do tempo, sem previsão, retirava os brincos de pressão, passavam a ocupar a mesa da varanda, ensaiava rir, desistia, no arrependimento, ele sempre confirma a existência, mesmo com a morte de deus e a já ultrapassada e esquecida metafísica, voltava ao ensaio do riso, mas desta vez sem a orquestra. O maestro se irritara. “Há de haver uma direção, mesmo que a vaidade confira a alguns a colaboração diária das infâmias, dos prestígios loucamente dotados de razão sibilina, da tolice, das dúvidas, das certezas a ultrapassar amores infundados, mas sempre amores, sem tempo para morrer; deus, oh! deus, é preciso um sinal, de advertência, de indicação, sugestão, uma marca qual seja, uma tatuagem, saberemos nos guiar, purgar esses dias, cremos no Espírito Santo, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne”. Alguém inqueriu, por quê Mônica? Dos dez anos à mocidade Mônica morava na casa, alugada, de Dr. Antonio Mascarenhas; a família mudou-se depois para a rua dos Toneleros, novamente no aluguel. Nunca participou de concurso de beleza, de idiotice trompe l’oeil, ou de sabedoria. Sabia fazer contas, esticar a gramática, cozinhar, sem muito entusiasmo e dotá-lo de surpreendente capacidade, bem como colocava determinados verbos onde menos se esperava: “colhi Alfredo na escadaria do Metropolitan Museum Of Art, chovia, a água adernava os degraus, mas, insistentes, mantinham os visitantes até o grande hall, daí em diante a opção de ajudar a banhista de Renoir a enxugar a perna direita, de consenso”. Não se sabe se Mônica escrevera ou se apenas a narrativa; quase chegou a rir, enquanto o espanto e a incredulidade nos assustavam. Mônica Alphonso née Bandeira escovava os dentes, nos lábios usava a técnica da xilogravura, imprimia traços de diversos batons, a figurar como manchas, afastadas da similitude dos objetos. Se os olhos lessem devagar à certa distância e se deixassem colher poderiam recorrer à “Les Demoiselles d’Avignon”, isto porque o mimetismo avolumou-se quando os rastros de monsieur Kong (o de 1933) cobriram a humanidade, forever. Mas é improvável encontrar alguma prima de Chita, ou o tio dos gorilas dos zoológicos. Como a discórdia é tão antiga como o mundo, adão e eva são a prova inconteste, os lábios de Mônica podem suscitar a pintura de Picasso, porém, um passo depois, traços de cor, pequenos pigmentos, ante de chegar ao quadro. Mas não apenas os lábios, Mônica se postava na janela, a lhe servir de moldura ou tela de cinema, e empurrava a imitação de Ingrid Bergman de forma que os passantes se detinham e se aborreciam. Durava poucos segundos, não dava tempo de completar o riso. Os mais aborrecidos tentavam adivinhar a imitação, mas não havia catálogos, poucos dicionários, as revistas eram ordinárias e o cinema nem sempre funcionava. Era possível ler alguma coisa ou consultar fotografias, em preto e branco, na biblioteca; não havia como comparar com a cor de Mônica e muito menos o corte de cabelo, supercilia e o queixo maduro. Os mais irritadiços eram as mulheres, pulavam a beleza de Mônica, o manequim, a aquosidade da carne defendida por uma pele na recusa de dizer o nome, o salto alto,Continue a ler »As habilidades de Mônica, sem medo, sem anseio

Anteriormente, Clara havia vencido as calçadas, os buracos, o lixo e as fachadas das casas amanuense; difícil apostar se estavam ali por algum propósito, ou porque era o lugar para construção de residências, sem emprestar glórias às janelas e à porta, às vezes entreaberta, sem que fosse possível adivinhar onde estavam os móveis e a divisão dos cômodos, em alguns dos quartos dormiria uma cadeira e uma idosa, recolhida, obediente, recebendo as atenções e incômodos distribuídos solitariamente e na disciplina, não por atenção e sim para obedecer a contagem dos dias, não andavam, às vezes metiam sustos.

Pierre, magro, pálido, já vestindo calças, um dia se assustou, desbotou ainda mais, em razão de não ter encontrado a tia Luci. Olhou a janela e estava aberta, mas como ela se levantaria da cama e sairia pela janela, 88 quilos não flutuam, nem ultrapassam barreiras, como fazem os atletas nas Olímpiadas. Todos estavam na casa. A teriam leva para o hospital? Não havia nada de errado em nenhum dos 88 quilos, mas o sair da cama, não era rotina, precisaria ser executado com uma mecânica a exigir o emprego de diversas forças, e o conhecimento da física naquela casa era da mesma magnitude de uma lassidão.

Não se preocupe, ela viajou

Mas como viajou?

A irmã alugou uma ambulância, a colocaram na maca, dois travesseiros, uma grossa revista de palavras cruzadas e o destino se fará presente daqui a duas horas. Pallares é um povoado pequeno e a casa está fincada na areia, sem escadas, ou batentes; o banho de mar será conduzido até a espreguiçadeira e as poucas roupas não vão protestar por ficarem molhadas. Difícil será retirá-las, mas mesmo sem a física há de acontecer e novas vestes vão ocupar o lugar.

Pierre estudara química na universidade, deslocamento de peso, atrito, velocidade, só gozava de intimidade quando os viam aplicados nos filmes; uma bola de fogo imensa atingiu o edifício, derrubando-o, as pessoas que estavam na rua e dentro do prédio morreram ou ficaram muito feridas. Não era necessário qualquer cálculo e a lógica do impacto de uma força sobre uma superfície fixa ultrapassava a banalidade das canções de ninar crianças quando nervosas, ou no abandono, ou no berço, bem cuidadas, choram irresistivelmente. Irresistivelmente era o nome e o sobrenome de Mônica, difícil alcançá-la, por mais a se deslocar esforços, superiores àqueles empregados no trem, carregado, transiberiano, ou no metrô de New York no Dia de Ação de Graça.

Era Mônica, não se ouvia mais outro nome, Carla, Flora, Clarice e madame Elisabeth não compunham a pauta musical e nem podiam, Mônica era o tom, na simplicidade de um berimbau, uma só corda. Todo o emprego na execução de Alone Together, por mais próximo que estivesse de Chet Baker era inútil, bem afastado naquele crime estupendo também. Claro, sobravam inconformismos, maldições, mas quem iria para o reino do céu seria Mônica.

Longe do tempo, sem previsão, retirava os brincos de pressão, passavam a ocupar a mesa da varanda, ensaiava rir, desistia, no arrependimento, ele sempre confirma a existência, mesmo com a morte de deus e a já ultrapassada e esquecida metafísica, voltava ao ensaio do riso, mas desta vez sem a orquestra. O maestro se irritara. “Há de haver uma direção, mesmo que a vaidade confira a alguns a colaboração diária das infâmias, dos prestígios loucamente dotados de razão sibilina, da tolice, das dúvidas, das certezas a ultrapassar amores infundados, mas sempre amores, sem tempo para morrer; deus, oh! deus, é preciso um sinal, de advertência, de indicação, sugestão, uma marca qual seja, uma tatuagem, saberemos nos guiar, purgar esses dias, cremos no Espírito Santo, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne”.

Alguém inqueriu, por quê Mônica?

Dos dez anos à mocidade Mônica morava na casa, alugada, de Dr. Antonio Mascarenhas; a família mudou-se depois para a rua dos Toneleros, novamente no aluguel. Nunca participou de concurso de beleza, de idiotice trompe l’oeil, ou de sabedoria. Sabia fazer contas, esticar a gramática, cozinhar, sem muito entusiasmo e dotá-lo de surpreendente capacidade, bem como colocava determinados verbos onde menos se esperava: “colhi Alfredo na escadaria do Metropolitan Museum Of Art, chovia, a água adernava os degraus, mas, insistentes, mantinham os visitantes até o grande hall, daí em diante a opção de ajudar a banhista de Renoir a enxugar a perna direita, de consenso”. Não se sabe se Mônica escrevera ou se apenas a narrativa; quase chegou a rir, enquanto o espanto e a incredulidade nos assustavam.

Mônica Alphonso née Bandeira escovava os dentes, nos lábios usava a técnica da xilogravura, imprimia traços de diversos batons, a figurar como manchas, afastadas da similitude dos objetos. Se os olhos lessem devagar à certa distância e se deixassem colher poderiam recorrer à “Les Demoiselles d’Avignon”, isto porque o mimetismo avolumou-se quando os rastros de monsieur Kong (o de 1933) cobriram a humanidade, forever. Mas é improvável encontrar alguma prima de Chita, ou o tio dos gorilas dos zoológicos. Como a discórdia é tão antiga como o mundo, adão e eva são a prova inconteste, os lábios de Mônica podem suscitar a pintura de Picasso, porém, um passo depois, traços de cor, pequenos pigmentos, ante de chegar ao quadro.

Mas não apenas os lábios, Mônica se postava na janela, a lhe servir de moldura ou tela de cinema, e empurrava a imitação de Ingrid Bergman de forma que os passantes se detinham e se aborreciam. Durava poucos segundos, não dava tempo de completar o riso. Os mais aborrecidos tentavam adivinhar a imitação, mas não havia catálogos, poucos dicionários, as revistas eram ordinárias e o cinema nem sempre funcionava. Era possível ler alguma coisa ou consultar fotografias, em preto e branco, na biblioteca; não havia como comparar com a cor de Mônica e muito menos o corte de cabelo, supercilia e o queixo maduro.

Os mais irritadiços eram as mulheres, pulavam a beleza de Mônica, o manequim, a aquosidade da carne defendida por uma pele na recusa de dizer o nome, o salto alto, sem caber altura desejada?  “S’il vous plaît, pardon, me desculpe por favor, mantenha terminantemente afastadas as crianças perversas e os cachorros com seus dentes infernais, na rua ou na calçada, vencê-los com qualquer tamanho é uma penitência”.

A irritação, as mãos fechadas, os braços cruzados estavam depositados nos diminuitivos. Clarinha, Florzinha, os diminuitivos maculavam os corações e os canaviais, as pradarias dispersavam o suplício; “rogai por nós, Mãe Santíssima, conselheira dos pecadores, seja o nosso escudo, a nossa força, com o seu poderoso apoio, podemos ir muito aquém do que imaginamos”.

Perda de tempo. Os diminuitivos corriam todas as famílias, até os visitantes eram recebidos no aconchegante e tenaz diminuitivo. Se por lei, ato devasso e submissão insubstituível despejassem o diminuitivo, como chegar até Mãe Maria? “Prudentíssima, espelho da justiça, sede de sabedoria”. Mas como enfrentar Mônica Alphonso née Bandeira arrastando o diminuitivo; encurtava o ovo, secava a dor, dificultando a remoção; se a ousassem banhar com óleo a obra não teria serventia, se juntaria aos hereges, traidores, anabatistas.

Era uma luta desigual; se alguém engendrasse uma união provisória, dada por escrito, haveria a esperança de não mais falar o nome de Mônica, saltar a cerca, vasculhar outros momentos a serem inventados ou lembrar de quando estavam construindo a casa que viria ser propriedade de Dr. Antonio Mascarenhas, portanto, um tempo superior ao de Mônica.

Existe esse tempo? Mitos, fabulações lendas e credos, de pouca convicção, são testemunhas inarredáveis. As narrativas nunca se desfazem, ficam encolhidas. O inimigo mora nas redondezas e Mônica na Avenida Toneleros, casa 366, sai pela manhã, volta quando termina o trabalho, janta, de quando em quando, coloca a cabeça para fora, na janela, olha para o céu (?), fita a rua, os ônibus, passantes, acena com mão para um grupo de pessoas que coincidentemente naquela exata hora estavam à disposição de retribuir o aceno, um contentamento espessado na alegria, sempre renovada.

Mônica não era fundadora de nações, vilas, arrabaldes, tinha habilidades, medos, receios, alegrias como água escorrendo das torneiras: sabia fazer. Dar conta de tarefas, por qualquer decisão, não requer treinamentos admoestadores, ou exigências curriculares. Certa vez desmontou um papagaio e o restabeleceu, devidamente plumado, sem que exibisse alguma contrariedade, mas tinha um olho falso.  Quando lhe interrogaram, tomando a destreza como algo incapaz de ser traduzido, mesmo utilizando o espanhol ou o italiano, apontou para as ferramentas e para as mãos e uma revista de habilidades manuais, comprada numa banca da rua Dias Silva.

A demonstração, a resposta, não foi suficiente para remover a desconfiança; estariam sendo enganados? Pierre ficara mais impressionado e a palidez suplantava a de quando encontrou a cama da Tia Luci vazia e a explicação de que ela fora transportada numa ambulância para um lugar distante e pesando 88 quilos. Não fora a proeza a assustá-lo e sim a maquinaria concebida para fazer a habilidade de dois maqueiros funcionar. Pierre não conhecia a física.

Era devedor dos alquimistas, os tinham embrulhados na química, substituiu aqueles símbolos, beirando a insuficiência, e os uniu à tabela periódica. Muito requisitado na cozinha na hora das medições, afinal era preciso traduzir a colher de chá, a de café, a de sobremesa, menos de um terço, um pouco mais. A tarefa era complicada, porque não existia aquela única colher de chá fabricada por aquela determinada fábrica.

Os competidores também tinham suas colheres e no final da ladeira o funileiro poderia imitar a colher de café, cujo cabo se despediu da mão acostumada a manuseá-lo.

Mônica recebeu a desconfiança, nem alegre, nem triste, uma pequena vibração, similar à vaidade do relógio de pulso e correia de couro, bem costurada, e os brincos adotados pelo cabelo garçonnière.

“Oscilei e a blusa de fios grossos, manga curta, gola dobrada, fez companhia. Nenhuma exigência. A sapatilha e a saia acompanharam; no início do outono, fora dos feriados, quando a cidade é apenas trânsito, gente descendo as ruas, entrando nas casas, ou conferindo se a cafetaria estaria lotada, mas o café é de qualidade e a do outro lado não oferecia nenhuma pista, impassível, vendia café, chocolate, vinho, croissant e queijos.

O que fazer? Há gente que se dedica a afazeres prazerosos ou tarefas diárias, afastadas da curiosidade e conservadas como charutos. Não inventei as habilidades, como também não inventei os encontros, posso até ser responsabilizada por um ou outro desencontro, olhou para onde eu estava, se distraiu, tentou explicar, mas se esqueceu que as explicações pertencem ao campo das ciências, porque exigem argumentação, provas, fontes primárias, secundárias, observação cuidadosa e não simplesmente dizer eu te amo.

Tenho um encontro marcado na terça-feira, não vou precisar de nenhuma habilidade que exija uma determinada aferição, e está fora de questão gastar alguma cédula, ou moeda, na compra de revista, se é que existe. Aprendemos a ter habilidade, a prova foi exibida por Luci, se deixando transportar numa maca, impedindo a queda, ajustando o peso para os maqueiros não arrebentarem os músculos e equilibrando a cabeça com os dois travesseiros, servindo de rodilha, como se estivesse distribuindo o peso da lata suada de água na cabeça de quem desce e sobe a ladeira ou caminha pelo passeio irregular.

Antes do encontro, café, chocolate, queijo whisky, daquela cafeteria do outro lado da rua, não onde moro, e sim na avenida treze de maio ou trinta e um de maio. Sei que não era na Pennsylvania Avenue, one thousand six hundred; o inquilino é teimoso e não confia em ninguém. Diferentemente, 1,78m e múltiplos verões, invernos, adoro a primavera e o outono, não se mexe em demasia, posso circunscrever a circunferência e adrede marcar cada 1,12 avos da reta, na estrita fração pertinente e decorar. Trata-se de um hábito incorporado, um impulso muscular; aferir a alma, nem pensar. Não há espanto diante de uma maçã, nem comoção. Todo mundo gosta de maçã, algumas pessoas fazem acréscimos. É bom marcar a hora, fui pontual, 20 para as 4.

Ainda me surpreendo, não pensei no encontro, não me ocorreu uma possível taxionomia dos acontecimentos, que pudessem ser descritos, examinados e fatiados, e la peur n’est pas ma passion dans la vie. O medo não é a paixão da minha vida, nem os diminuitivos, nem a Santíssima, gosto de acenar para os passantes, non peur, sem medo, sem anseio”.

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*Gerson Brasil, jornalista e escritor

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**O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos respectivos autores, não representanto, portanto, a opinião do Portal Muita Informação!

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