AGU dá 72h para Meta apagar chatbots que simulam crianças em conversas sexuais
Notificação da Advocacia-Geral da União alerta para riscos de sexualização infantil em plataformas digitais
José Cruz/Agência Brasil
A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou, nesta última segunda-feira (18), uma notificação extrajudicial à Meta – dona de Facebook, Instagram e WhatsApp – solicitando a remoção imediata de chatbots de inteligência artificial que simulam crianças e realizam diálogos de teor sexual. O documento aponta que tais robôs, disponibilizados pela ferramenta Meta AI Studio, estão sendo usados de forma ilegal para sexualizar menores de idade.
O caso ganhou atenção nacional após denúncia do influenciador Felca sobre perfis que utilizam crianças e adolescentes para fins de “adultização” e exploração sexual, o que resultou na prisão do influenciador Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro. A polêmica também motivou a Câmara dos Deputados a retomar a discussão sobre um projeto de Lei voltado a combater a sexualização de menores em redes sociais e a responsabilizar plataformas digitais que permitam ou facilitem tais práticas.
Governo federal notifica Meta sobre chatbots de conteúdo erótico
Segundo a AGU, os chatbots identificados, como “Safadinha”, “Bebezinha” e “Minha Novinha”, utilizam linguagem infantil e simulam perfis de crianças, permitindo que usuários adultos conduzam conversas eróticas. A denúncia foi motivada por uma reportagem do Núcleo Jornalismo, que testou os robôs e documentou interações de cunho sexual.
O documento também destaca que “essa situação oferece risco concreto à integridade psíquica de crianças e adolescentes, além de gerar danos institucionais e dificultar o efetivo exercício do direito à proteção integral previsto no artigo 227 da Constituição Federal“.
“Tais chatbots têm potencialidade de alcançar um público cada vez mais amplo nas plataformas digitais, especialmente nas redes sociais da Meta, ampliando de forma exponencial o risco do contato de menores de idade com material sexualmente sugestivo e potencialmente criminoso”, diz a notificação.
Marco legal e responsabilização das plataformas
O Código Penal Brasileiro considera crime sexual contra vulnerável qualquer ato libidinoso praticado com menor de 14 anos, com penas que variam de 8 a 15 anos de reclusão. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) já determinou, no julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que plataformas digitais podem ser responsabilizadas por conteúdo gerado por terceiros se não tomarem medidas efetivas para remover material ilícito do ar.
A AGU reforçou que, apesar de a Meta ter informado à agência Reuters sobre a remoção de partes que permitiam que chatbots simulassem “namoros” e encenações românticas com crianças, os robôs que propagam conteúdo sexual continuam disponíveis e sem filtros de verificação de idade. “Isso viola os próprios Padrões da Comunidade da Meta”, alertou o órgão.
Sobre o caso, a Meta confirmou a veracidade da informação. “Após ter sido questionada no início deste mês pela Reuters, removeu as partes que permitiam que os chatbots namorassem e participassem em encenações românticas com crianças. Ocorre, contudo, consoante delineado acima, que os chatbots que propagam conteúdo ilícito continuam disponíveis e sem qualquer filtro verificador de faixa etária. Isso viola os próprios Padrões da Comunidade da Meta”, diz o documento.
Prazo e exigências da AGU
No ofício, a AGU estabeleceu prazo de 72 horas para que a Meta remova todos os chatbots que promovem erotização infantil. Além disso, a empresa deve detalhar as medidas adotadas para impedir que crianças e adolescentes acessem conteúdos sexuais ou eróticos nas plataformas.
O órgão destacou que as redes sociais operadas pela Meta estão disponíveis para menores a partir dos 13 anos, mas não há filtros adequados para monitorar usuários entre 13 e 18 anos, expondo-os a riscos graves de exploração e abuso digital.
Mais Lidas
Política
Foro privilegiado: quem tem direito e como funciona esse tipo de julgamento
Ricardo Maracajá encerra ciclo no TRE-BA após um ano e oito meses
Binho Galinha depõe em processo sobre milícia e lavagem de dinheiro na Bahia
Últimas Notícias
Foro privilegiado: quem tem direito e como funciona esse tipo de julgamento
Entenda como funciona a regra que define onde autoridades são julgadas e motivo do tema gerar debates no Brasil
Carnaval de Salvador 2026 abre inscrições para concursos de Fantasia Gay e Rainha LGBTrans
Competições tradicionais celebram diversidade, arte e representatividade LGBT+ no Centro Histórico
Ebserh abre concurso para médicos com 152 vagas e inscrições acontecem até sábado
Seleção nacional contempla 96 especialidades, amplia política de cotas e oferece salários de até R$ 19,1 mil
Escola digital seleciona dez pessoas para atuar no Carnaval de Salvador com bolsa de R$ 1,8 mil
Inscrições seguem abertas até segunda-feira e seleção inclui formação e vivência prática no Trio da Cultura no circuito Dodô
Esposa de Alberto Cowboy minimiza rumores com Ana Paula no BBB 26 e garante: ‘Coisas pequenas não me chateiam’
Em publicação nas redes sociais, Priscilla Monroy afirmou não demonstrar preocupação com a relação entre os dois confinados
Mudanças na prova da CNH avançam no país e Bahia ajusta exame prático após resolução do Contran
Detran-BA altera formato da avaliação, aguarda liberação de carros automáticos e segue diretrizes nacionais para habilitação
Desemprego atinge 5,1% em dezembro e mercado de trabalho tem melhor resultado desde 2012
Dados do IBGE apontam recordes de ocupação, avanço do emprego formal e crescimento da renda média dos trabalhadores
Jerônimo Rodrigues lança Carnaval do interior em Juazeiro com foco em segurança e cultura
Governador anuncia investimento de R$ 17 milhões no programa Ouro Negro e reforço de 13 mil profissionais de segurança em 111 cidades
Ricardo Maracajá encerra ciclo no TRE-BA após um ano e oito meses
Passagem pela Corte Eleitoral baiana é marcada por reconhecimento unânime de magistrados e representantes do Ministério Público Federal
Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana
Para marqueteiro baiano, principal desafio para sigla é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais