Pesquisa Ipsos/Ipec revela que 75% dos brasileiros vêem tarifaço dos EUA como ação política
Levantamento também aponta divisão sobre retaliação comercial e maior apoio a busca por novos parceiros econômicos
Alan Santos/PR
Um levantamento da Ipsos/Ipec divulgado em agosto de 2025 revela que 75% dos brasileiros acreditam que o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros é uma medida de natureza eminentemente política. Apenas 12% enxergam a decisão como resultado de uma questão comercial, enquanto 5% entendem que o motivo é uma combinação dos dois fatores. Outros 8% preferiram não responder.
A percepção de caráter político predomina em todos os segmentos demográficos, mas se destaca especialmente entre pessoas com idade entre 45 e 59 anos, onde 80% enxergam motivação política. Geograficamente, os moradores das regiões Nordeste e Sudeste são os que mais compartilham dessa opinião, com 77% em cada região. No Norte/Centro-oeste e no Sul, o índice é um pouco menor, mas ainda expressivo, com 71% e 72%, respectivamente.
Entre eleitores, a visão política do tarifaço é mais presente entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022 e aqueles que votaram em branco ou anularam, ambos com 79%. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o percentual é de 73%.
Divisão sobre reação brasileira ao tarifaço dos EUA
A pesquisa também expõe a divisão da população sobre as medidas que o Brasil deve adotar em resposta às tarifas americanas. Ao ser questionada sobre a proposta de reavaliar a parceria comercial e se distanciar dos Estados Unidos, a população está praticamente dividida:
- 47% discordam (30% totalmente e 17% em parte);
- 46% concordam (28% totalmente e 18% em parte).
Nesse cenário, a polarização política é evidente. Entre eleitores de Lula, 61% apoiam o distanciamento, enquanto 65%dos eleitores de Bolsonaro são contra.
Quanto à retaliação “na mesma moeda”, ou seja, a aplicação de tarifas equivalentes sobre produtos americanos, 49%apoiam (33% totalmente e 16% em parte), contra 43% que se posicionam contrariamente (13% totalmente e 30% em parte). Entre eleitores de Lula, 61% são favoráveis à retaliação, enquanto 56% dos apoiadores de Bolsonaro se opõem.
Busca por novos parceiros comerciais tem apoio expressivo
O ponto de maior consenso no levantamento é a necessidade de o Brasil ampliar seus horizontes comerciais, buscando parcerias com outras potências como China e União Europeia. Para 68% dos entrevistados, o país deve priorizar esses acordos, com 45% apoiando totalmente essa ideia e 23% parcialmente. Entre os eleitores de Lula, o apoio sobe para 75%, mas também é significativo entre os eleitores de Bolsonaro, com 59%.
No entanto, a pesquisa mostra preocupação com o possível isolamento do Brasil no cenário internacional devido ao conflito comercial com os Estados Unidos. Ao todo, 60% concordam com essa possibilidade, sendo que essa apreensão é maior entre eleitores de Bolsonaro (70%) do que de Lula (53%).
Impactos no consumo e imagem dos Estados Unidos
No âmbito do consumo, caso a economia brasileira seja afetada pelo tarifaço, 39% dos entrevistados afirmam que passariam a priorizar produtos nacionais, enquanto 22% declararam que deixariam de comprar produtos americanos. Outras respostas incluem apoiar políticos que defendam o distanciamento dos EUA e acordos com outros países (9%), cancelar ou adiar viagens para os EUA (5%) e manifestar críticas em redes sociais ou espaços públicos (3%). Cerca de 10% disseram que não tomariam nenhuma medida e 13% preferiram não responder.
Sobre a imagem dos Estados Unidos, a pesquisa mostra que, antes da imposição das tarifas, 48% dos brasileiros avaliavam o país como ótimo ou bom, 28% como regular e 15% como ruim ou péssimo. Apenas 8% não souberam responder.
Com o anúncio do tarifaço, 38% passaram a ter uma visão pior dos EUA, enquanto 51% mantiveram a percepção original e só 6% melhoraram a avaliação. O impacto negativo é mais forte entre eleitores de Lula (52%) e menos entre os de Bolsonaro (26%). Católicos (42%) tiveram maior queda na imagem dos EUA que evangélicos (32%).
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado entre 1º e 5 de agosto de 2025, com 2.000 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Mais Lidas
Política
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Últimas Notícias
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Paroano Sai Milhó comanda show especial de Carnaval no Sesi Rio Vermelho
Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira
Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026
Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais
Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito
Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos
Documento inaugura integração nacional do processo e amplia acesso à habilitação com redução de custos
Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus
Boletim Focus aponta IPCA abaixo do teto da meta, PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Taxa Selic
Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026
Governo destaca avanços econômicos, agenda social e aposta em parceria com Legislativo
Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’
Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval
BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas
Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva
Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho
Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade
Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF
Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário
Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026
Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas