A dois dias do tarifaço, Lula volta a criticar tarifaço de Trump: ‘Seriedade não exige subserviência’
Presidente dos EUA mantém prazo da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras e comitiva atua em Washington para buscar acordos
Ricardo Stuckert/PR
A dois dias da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a medida imposta pelo governo do presidente Donald Trump. Em entrevista ao The New York Times, publicada nesta quarta-feira (30), Lula disse que o Brasil está tratando o assunto com “seriedade, mas sem subserviência”.
“Tenham certeza de que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência. Trato a todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito.”
A nova tarifa, que afeta praticamente todas as exportações brasileiras, começa a valer nesta sexta-feira (1º). A declaração de Lula ocorre em meio à movimentação de uma comitiva de senadores brasileiros em Washington, que busca alternativas diplomáticas para suavizar ou reverter o impacto da medida. Trump, porém, reafirmou nesta quartaa, em publicação na rede Truth Social, que o prazo não será adiado.
Lula critica interferência de Trump na política brasileira
Durante a entrevista, o presidente brasileiro também expressou preocupação com o que considera tentativas de Donald Trump de interferir na política interna do Brasil. Ele mencionou em especial o apoio do ex-presidente americano a Jair Bolsonaro (PL) e às ações antidemocráticas após as eleições de 2022. Para Lula, esse comportamento representa uma afronta à soberania nacional e ao funcionamento das instituições democráticas brasileiras, sobretudo o Judiciário.
A publicação do New York Times enfatiza que esta foi a primeira entrevista concedida por Lula ao jornal em 13 anos e destaca o posicionamento do presidente como um dos mais contundentes entre os líderes mundiais diante das políticas de Trump. Segundo o veículo, “talvez não haja nenhum líder mundial desafiando o presidente Trump tão fortemente quanto o Sr. Lula”.
“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande. Conhecemos o poder econômico dos Estados Unidos, reconhecemos o poder militar dos Estados Unidos, reconhecemos a dimensão tecnológica dos Estados Unidos”, disse o petista.
Trump mantém prazo e reforça medida
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou, nesta quarta-feira (30), que não haverá adiamento do tarifaço. Em publicação na Truth Social, reafirmou a data.
“O prazo de primeiro de agosto é o prazo de primeiro de agosto. Primeiro de agosto, um grande dia para a América!!!”, reforçou Trump.
A posição firme de Trump contrasta com as declarações do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que um dia antes havia sinalizado a possibilidade de exclusão de alguns produtos da sobretaxa. Em entrevista à rede CNBC, Lutnick citou café, abacaxi, manga e cacau — itens não produzidos em escala nos Estados Unidos — como possíveis exceções à medida.
Trump defende que a medida é necessária para proteger a economia dos Estados Unidos e reequilibrar as relações comerciais com o Brasil, apesar das críticas recebidas por lideranças internacionais. A taxação, no entanto, tem gerado incerteza entre exportadores e representantes do setor produtivo brasileiro.
Governo mantém diálogo com Washington, mas reitera firmeza
Apesar do tom crítico à postura do governo norte-americano, a equipe econômica do Brasil segue tentando reabrir o diálogo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, nesta quarta-feira (30), que aguarda o retorno do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que está em missão na Europa, para dar continuidade às negociações. Segundo Haddad, embora o cenário atual seja desfavorável, o governo brasileiro considera que há espaço para retomada de conversas e acordos futuros.
O ministro ressaltou que o episódio não representa o fim das relações comerciais entre os dois países, mas sim o início de uma nova fase, com mais cautela e atenção por parte do Brasil. Ele também reforçou que, até o momento, não há qualquer sinal por parte dos EUA de que a medida será revista antes do prazo estabelecido.
EUA avaliam isentar café, abacaxi e manga da nova tarifa de importação
Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, indicou que alguns itens não cultivados em território norte-americano poderão ficar fora da taxação. Em entrevista à rede CNBC, ele citou explicitamente o café, a manga, o abacaxi e o cacau como exemplos de produtos que podem entrar sem sobretaxa, por não haver produção doméstica desses itens nos EUA.
Segundo Lutnick, caso um país exporte produtos que os Estados Unidos não produzem, essas mercadorias podem ser isentas da tarifa: “Se um país produz uma coisa que nós não produzimos, isso pode entrar por zero [de tarifa]”, afirmou. A possibilidade, embora ainda não oficializada, é vista como um alívio parcial para exportadores brasileiros, especialmente do setor agrícola. O Brasil é um dos principais fornecedores de café para o mercado norte-americano, e a exclusão desse item pode preservar parte da competitividade do país mesmo com a adoção das novas medidas comerciais.
Governo brasileiro evita plano de contingência antes do prazo
O vice-presidente Geraldo Alckmin tem reiterado que o governo federal aposta no caminho da diplomacia e só divulgará um plano de contingência após o início oficial das tarifas, caso não haja avanços nas negociações. A mesma posição foi reafirmada por Fernando Haddad, que destacou que o foco permanece na tentativa de diálogo, ainda que o cenário exija atenção redobrada a partir de agosto.
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