Presidente da Fecomércio-BA diz que aumento do IOF pressiona cadeia produtiva mais que o tarifaço dos EUA: ‘Temos muitos gargalos no setor’
Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador, Fernandes disse que a violência também aparece entre os principais desafios enfrentados pelo setor
Equipe M!
O presidente do Sistema Fecomércio-BA, Kelsor Fernandes, fez um alerta sobre os efeitos do tarifaço de 50% anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas relações comerciais com o Brasil. Durante entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), nesta quinta-feira (24), Fernandes disse que a medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, poderá desorganizar o setor produtivo e afetar diretamente o comércio na Bahia. Apesar disso, ele alertou que o aumento do IOF tem um impacto mais imediato sobre a economia interna.
Tarifaço ameaça a cadeia produtiva e pode elevar preços no Brasil
Segundo o presidente da Fecomércio-BA, a imposição do tarifaço sem qualquer negociação prévia agrava o cenário econômico e coloca em risco as exportações brasileiras. Fernandes acredita que a medida, se confirmada, gerará impacto direto na cadeia produtiva e nos preços ao consumidor final.
“Isso gera uma desorganização geral, pega todas as empresas de surpresa”, criticou.
Ele também argumentou que, mesmo sendo mais prejudicial à exportação, a medida atingirá o comércio, pois muitos produtos vendidos no varejo utilizam matéria-prima importada. Com isso, o custo aumenta e a pressão é repassada aos preços. Se houver reciprocidade por parte do Brasil, os efeitos podem ser ainda mais amplos.
IOF preocupa mais que tarifa de Trump no curto prazo
Além do tarifaço, outro fator que pressiona o comércio na Bahia é o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na avaliação de Fernandes, esse imposto tem um impacto mais imediato sobre a economia interna, afetando tanto consumidores quanto empresários.
Para ele, a narrativa de que o IOF atinge apenas os mais ricos não condiz com a realidade. “O empresário vai repassar para o consumo, e quem vai pagar é a sociedade de um modo geral”, resumiu.
O dirigente acredita que, enquanto o governo não fizer as reformas necessárias, continuará recorrendo a aumentos tributários que penalizam os mais pobres.
Gargalos estruturais comprometem o crescimento do comércio na Bahia
O comércio na Bahia é composto majoritariamente por pequenos e médios empresários, que representam cerca de 75% do PIB estadual. Ainda assim, enfrenta entraves históricos como o difícil acesso ao crédito, excesso de burocracia e legislação trabalhista ultrapassada. Fernandes ressaltou que esses fatores dificultam a expansão dos negócios e travam a geração de empregos.
“A taxa de juros absurda é um dos principais entraves para os pequenos empreendedores”, enfatizou. Ele também observou que os bancos exigem garantias reais que a maioria dos comerciantes não tem, o que inviabiliza a obtenção de crédito em momentos críticos da economia.
Fecomércio defende reformas estruturais e maior apoio ao setor
O presidente da Fecomércio-BA destacou ainda que o comércio precisa de atenção prioritária do poder público. Para ele, o Brasil ainda tem uma visão industrialista superada e ignora a importância do setor terciário. Fernandes defendeu reformas profundas para corrigir distorções estruturais e reequilibrar a economia.
“O Brasil precisa discutir o tamanho do Estado e fazer as reformas que tanto anseia há anos”, apontou.
Ele também criticou o aumento de impostos com a nova proposta de reforma tributária e vê a reforma administrativa como passo inicial para reverter o crescimento descontrolado dos gastos públicos.
Qualificação profissional é prioridade para o setor de serviços
Com foco na geração de empregos e fortalecimento do setor de serviços na Bahia, a Fecomércio, por meio do Senac e Sesc, tem intensificado os investimentos em qualificação profissional e expansão territorial. Estão sendo construídas novas unidades em municípios estratégicos como Feira de Santana, Vitória da Conquista e Itabuna.
“Nós vamos construir uma unidade chamada Escola Criativa Senac, que vai oferecer cursos de inovação, gastronomia, beleza e muito mais”, explicou.
O investimento na capital baiana, somente nesta unidade, será de R$ 75 milhões. Paralelamente, a entidade amplia a atuação no interior com carretas de atendimento móvel e novos centros de capacitação.
Bolsa Família precisa ser acompanhado de capacitação, defende Kelsor Fernandes
Para o presidente da Fecomércio-BA, o Bolsa Família é um programa social importante, mas precisa ser repensado com foco na inclusão produtiva. Ele apontou que muitos beneficiários optam por não ingressar no mercado de trabalho por medo de perder o benefício.
“O programa tem que ser voltado para dar qualidade de mão de obra e fazer as pessoas se sentirem úteis”, defendeu.
Fernandes acredita que deve haver um limite de tempo para permanência no programa e que, nesse período, o beneficiário precisa ser capacitado e estimulado a entrar formalmente no mercado de trabalho.
Segurança pública é entrave para o comércio de rua na Bahia
A violência também aparece entre os principais desafios enfrentados pelo comércio na Bahia, especialmente nas regiões com forte presença de lojas de rua. O dirigente da Fecomércio aponta que a criminalidade afasta consumidores e impõe custos adicionais aos lojistas.
“Há um declínio claro e sistemático do comércio de rua”, afirmou. Ele destaca ainda a fragilidade da legislação penal e a reincidência criminal como entraves que dificultam a atuação das forças de segurança.
Para Fernandes, combater a violência passa necessariamente por modernizar as leis e ampliar as oportunidades de emprego e educação para a população.
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