Copom mantém taxa Selic em 15% e sinaliza possível início de cortes a partir de março
Decisão unânime do Banco Central reforça política monetária restritiva em meio à desaceleração da inflação
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na noite desta última quarta-feira (28), manter a taxa Selic em 15% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado financeiro. A decisão foi unânime e marcou a quinta reunião consecutiva sem alteração nos juros básicos da economia.
A taxa permanece no maior nível em quase 20 anos, patamar semelhante ao observado em julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. No comunicado divulgado após o encontro, o colegiado informou que antecipa a possibilidade de iniciar a flexibilização da política monetária na reunião de março, desde que o cenário esperado seja confirmado e a inflação continue em trajetória compatível com a meta.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.
Decisão mantém ciclo mais longo de estabilidade após forte alta
Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o Banco Central promoveu um ciclo de alta de 4,50 pontos percentuais, levando a Selic de 10,5% para 15% ao ano. Esse movimento foi o segundo maior ciclo de aperto monetário dos últimos 20 anos, ficando atrás apenas da elevação de 11,75 pontos registrada entre março de 2021 e agosto de 2022, no período pós-pandemia.
Desde junho do ano passado, a taxa vem sendo mantida nesse patamar. A decisão reforça a estratégia da autoridade monetária de sustentar uma política restritiva para garantir a convergência da inflação à meta.
O Copom avaliou que a estratégia em curso tem se mostrado adequada e destacou que, em um ambiente de inflação menor e de transmissão mais clara da política monetária, o processo passa a envolver calibração do nível de juros.
Sinalização de cortes condicionada ao controle da inflação
No comunicado, o Banco Central informou que antecipa o início da flexibilização da política monetária na próxima reunião, prevista para março, caso se confirme o cenário esperado. Ao mesmo tempo, o colegiado ressaltou que manterá o grau de restrição necessário para assegurar que a inflação continue convergindo para o centro da meta.
A autoridade monetária reforçou que o ritmo e a magnitude de eventuais cortes dependerão da evolução dos dados econômicos, da confiança no cumprimento da meta de inflação e do comportamento das expectativas nos próximos meses.
Copom decide com diretoria incompleta
A decisão ocorreu com o Copom desfalcado. No fim de 2025, expiraram os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti.
As indicações dos substitutos ainda não foram encaminhadas e a expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envie os nomes ao Congresso Nacional apenas em fevereiro. Mesmo com a composição incompleta, a decisão foi tomada de forma unânime, mantendo a taxa básica no maior nível desde 2006.
Inflação recua e volta ao intervalo da meta
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, registrando o menor resultado anual desde 2018. Com esse desempenho, a inflação voltou a ficar dentro do teto da meta contínua.
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, o objetivo central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece limites entre 1,5% e 4,5%.
Nesse modelo, a meta passa a ser avaliada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Assim, em janeiro de 2026, por exemplo, é observada a inflação acumulada desde fevereiro de 2025, e o procedimento se desloca continuamente ao longo do tempo, sem ficar restrito ao índice fechado de dezembro.
Projeções para 2026 e expectativas do mercado
No Relatório de Política Monetária divulgado no fim de dezembro, o Banco Central reduziu de 3,6% para 3,5% a projeção de inflação para 2026. A estimativa, no entanto, deverá ser revisada, levando em conta o comportamento recente do dólar e dos preços. A próxima edição do documento será publicada no fim de março.
As previsões do mercado são menos otimistas. Segundo o boletim Focus, a expectativa é que a inflação encerre 2026 em 4%, levemente acima do teto da meta. Um mês antes, a estimativa era de 4,05%.
Efeitos dos juros altos sobre crédito e crescimento
O patamar elevado da Selic contribui para conter a inflação, ao encarecer o crédito, desestimular o consumo e moderar a atividade econômica. Por outro lado, juros altos também dificultam o crescimento.
No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. O mercado projeta desempenho um pouco melhor: o boletim Focus aponta expectativa de expansão de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
A taxa básica de juros é utilizada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para todas as demais taxas da economia. Quando elevada, ajuda a conter pressões inflacionárias ao estimular a poupança e reduzir a demanda. Quando reduzida, tende a baratear o crédito, estimular investimentos e consumo, mas exige maior segurança quanto ao controle dos preços.
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