Lula critica Trump por tarifa contra o Brasil: ‘foi eleito para ser presidente dos EUA e não imperador do mundo’

Petista disse que a medida foi imposta sem diálogo e que Trump demonstra ‘falta de multilateralismo na mente’


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 17/07/2025 17:17 • Política
Lula critica Trump por tarifa contra o Brasil: ‘foi eleito para ser presidente dos EUA e não imperador do mundo’ - Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente, nesta quinta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e afirmou que ele foi eleito para governar seu país, e não para agir como “imperador do mundo“. A crítica do petista faz referência à postura do líder norte-americano na condução de políticas comerciais.

“Nós não podemos ter o presidente Trump esquecendo que ele foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para ser o imperador do mundo. Seria muito melhor estabelecer uma negociação primeiro, e depois alcançar um acordo possível”, disse.

Durante entrevista à CNN Internacional, o petista enfatizou ainda que ambos os países tiveram “boas relações por 200 anos”.

Lula critica postura unilateral de Trump

O chefe do Executivo afirmou que, tanto a tarifa de 50%, quanto a forma como foi anunciada surpreenderam o governo brasileiro. Lula disse que a medida foi imposta sem diálogo e que Trump demonstra “falta de multilateralismo na mente”, ao tomar decisões unilaterais que afetam outros países com os quais os Estados Unidos mantêm relações históricas.

O petista também afirmou que as alegações de Trump sobre prejuízos dos Estados Unidos no comércio bilateral com o Brasil são infundadas. O presidente revelou que, desde maio, o governo brasileiro vem enviando propostas à Casa Branca, sem receber retorno. “Fomos surpreendidos”, disse, ao comentar que a carta de Trump não fez qualquer menção às alternativas apresentadas por Brasília.

Segundo Lula, o Brasil está aberto à negociação, mas não aceitará imposições. O presidente reafirmou a intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, regulamentada recentemente pelo Palácio do Planalto.

Petista faz ausações contra Bolsonaro

Lula também abordou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que nunca houve uma tentativa de golpe de Estado no país como a que foi articulada por Bolsonaro.

“Ele não está sendo julgado pessoalmente, ele está sendo julgado pelos atos que tentou organizar um golpe de Estado. Ele ameaçou, secretamente, a morte, planejou a morte do vice-presidente, a minha e a de um ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

O presidente também declarou que acredita na condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu os ministros da Corte diante de críticas feitas por Donald Trump. Lula ressaltou que os integrantes do STF atuam para defender a Constituição Federal e que a acusação formal contra Bolsonaro partiu da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Quem acusou Bolsonaro foi a Procuradoria-Geral da República (PGR), e o STF vai julgar”, afirmou. Lula também destacou que já perdeu eleições presidenciais em três ocasiões, sem jamais contestar os resultados. “Perdi três eleições presidenciais, em 1989, 1994 e 1998, e nunca levantei um problema”, disse.

Resposta à carta de Trump e reação brasileira

Sobre a carta enviada por Trump anunciando a nova tarifa sobre produtos brasileiros a partir de agosto, Lula afirmou que o Brasil dará uma resposta “no momento certo”.

“No meu pronunciamento ao povo brasileiro, eu vou dizer o que estamos pensando sobre isso”, disse, referindo-se ao discurso marcado para a noite de quinta-feira (17), em rede nacional de rádio e televisão.

“Eu garanto que o Brasil não gosta de encrenqueiros, nem de confusões. O Brasil gosta de negociar em paz”, afirmou o presidente, reiterando que não há crise formal entre Brasil e Estados Unidos, mas que a relação precisa passar por ajustes. Lula disse que está disposto a dialogar, mas cobrou respeito e criticou a ausência de interlocução no episódio da tarifa.

Lula ironiza postura de Trump

O presidente brasileiro também ironizou o comportamento de Trump ao afirmar que não se considera um imperador. “Eu não me considero um imperador, para tomar uma decisão e publicá-la num jornal”, disse.

“Quando eu li a carta de Trump, eu achei que era fake news. Quando eu vi a carta na mídia, eu pensei que era uma carta verdadeira assinada pelo presidente Trump”.

Lula lembrou que o Brasil é um aliado histórico dos Estados Unidos e que valoriza as relações econômicas entre os dois países. No entanto, declarou que não aceitará imposições unilaterais. “Não vamos aceitar imposições”, afirmou, ao comentar sobre o teor da medida anunciada pela Casa Branca.

Casa Branca rebate Lula

A Casa Branca respondeu à crítica feita pelo presidente brasileiro sobre a postura de Trump. Durante coletiva com jornalistas, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Trump “não está tentando ser o imperador do mundo”, em referência à declaração de Lula.

“O presidente certamente não está tentando ser o imperador do mundo. Ele é um presidente forte dos Estados Unidos da América e também é o líder do mundo livre. E vimos uma grande mudança em todo o globo por causa da liderança firme deste presidente”, afirmou Leavitt.

A porta-voz também comentou a carta enviada por Trump a Lula, que formalizou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos a partir de agosto. Leavitt destacou que há uma investigação em andamento contra o Brasil em um órgão do governo americano e justificou as medidas com base em práticas consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Segundo a Casa Branca, as regulações digitais adotadas pelo Brasil e a “fraca proteção à propriedade intelectual” afetam diretamente empresas de tecnologia e inovação dos Estados Unidos. Leavitt argumentou que o ambiente regulatório brasileiro representa um obstáculo para companhias americanas que operam no setor digital.

Meio ambiente e competitividade

Leavitt também citou questões ambientais ao justificar a tarifa. “Além disso, a tolerância do país com o desmatamento ilegal e outras práticas ambientais coloca os produtores, fabricantes, agricultores e pecuaristas americanos — que seguem padrões ambientais melhores — em desvantagem competitiva”, disse a porta-voz.

Segundo ela, as ações tomadas por Trump estão focadas em proteger os interesses do povo americano. A aplicação da tarifa, segundo o governo dos EUA, seria uma resposta a práticas que afetam negativamente o mercado interno norte-americano.

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