Lula afirma que Brasil vai ratificar Tratado do Alto Mar ainda em 2025
Acordo foi assinado por 116 países em setembro de 2023, incluindo o Brasil, mas para que entre em vigor, precisa ser ratificado por pelo menos 60 nações
Ricardo Stuckert/PR
Durante a abertura da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, realizada nesta segunda-feira (9), em Nice, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil vai ratificar ainda este ano o Tratado do Alto Mar, acordo internacional voltado para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas que estão fora da jurisdição nacional. O tratado é formalmente conhecido como BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction).
“Estamos comprometidos com a ratificação do Tratado do Alto Mar ainda em 2025, garantindo a gestão transparente e compartilhada da biodiversidade marinha além das fronteiras nacionais”, afirmou Lula em discurso no evento, que reúne representantes de diversos países para discutir soluções para a crise climática e os impactos sobre os oceanos.
O acordo foi assinado por 116 países em setembro de 2023, incluindo o Brasil, mas para que entre em vigor, precisa ser ratificado por pelo menos 60 nações. Até agora, segundo a High Seas Alliance, apenas 32 países formalizaram a ratificação. A informação é da Agência Brasil.
Compromissos do Brasil com a governança oceânica
Lula destacou que a conservação dos oceanos será uma das prioridades da COP-30, que acontecerá em novembro deste ano, em Belém (PA). Ele também anunciou que o Brasil apresentará sete compromissos voluntários durante a conferência em Nice. As ações incluem a ampliação das áreas marinhas protegidas, planejamento espacial marítimo, pesca sustentável, além de iniciativas voltadas para educação ambiental, ciência e o combate à poluição plástica nos oceanos.
“Vamos ampliar de 26% para 30% a cobertura das nossas áreas marinhas protegidas, em conformidade com a meta global de biodiversidade. Também estamos implementando programas específicos para a preservação dos manguezais e dos recifes de corais, e desenvolvendo uma estratégia nacional contra a poluição por plásticos no oceano”, afirmou.
Lula também mencionou investimentos em pesquisa por meio da Estação Comandante Ferraz, na Antártida, e o fortalecimento do Sistema Integrado de Monitoramento dos Oceanos, com foco na coleta de dados científicos. Ele anunciou ainda que, em 2025, o Brasil contará com o maior número de Escolas Azuis do mundo, reunindo 515 instituições de ensino, 160 mil estudantes e 2.600 professores envolvidos em projetos de educação oceânica.
Defesa do multilateralismo e crítica ao unilateralismo
Durante o discurso, Lula alertou para os riscos do unilateralismo no cenário internacional e defendeu a cooperação entre os países na proteção dos mares. “Não podemos permitir que aconteça com o oceano o que já aconteceu com o comércio internacional, onde as regras foram desfiguradas a ponto de tornar a Organização Mundial do Comércio inoperante. O mar deve nos unir, não nos dividir”, disse o presidente.
Ele também reforçou a importância do oceano como regulador climático do planeta, lembrando que cerca de 3 bilhões de pessoas dependem diretamente dos recursos marinhos para sua sobrevivência. “Não há como falar em desenvolvimento sustentável sem incluir o oceano. Sem protegê-lo, não venceremos a crise climática”, pontuou.
Agenda climática e próximos eventos
Lula afirmou que o Brasil seguirá defendendo o uso sustentável dos oceanos em outras agendas multilaterais, como a Cúpula Brasil-Caribe, marcada para esta sexta-feira (13), e a 9ª Reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, prevista para 2026.
Por fim, o presidente ressaltou a necessidade de promover a consciência climática nas escolas e mobilizar a sociedade civil rumo à COP-30. “Vamos lançar com a ONU um ‘Balanço Ético Global’, convocando jovens, mulheres, povos indígenas, artistas e intelectuais a se unirem por um futuro mais justo e sustentável. Precisamos formar uma grande onda pelo planeta”, concluiu.
Mais Lidas
Política
AL-BA retoma trabalhos sob impacto de sucessão e xadrez eleitoral para 2026
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Últimas Notícias
Governo Lula quer acelerar fim da escala 6×1 e estuda projeto em regime de urgência
Iniciativa está em estudo no Palácio do Planalto, diante da avaliação de que o calendário legislativo de 2026 será reduzido por se tratar de um ano eleitoral
Pix ganha novas regras de segurança para rastrear dinheiro e combater fraudes
Ferramenta tem objetivo de agilizar a devolução de valores transferidos indevidamente e reduzir o uso do sistema de pagamentos instantâneos em crimes
Prefeitura de Salvador abre inscrições para camarotes acessíveis nos circuitos do Carnaval nesta terça
Cadastro pode ser feito presencialmente ou pela internet
AL-BA retoma trabalhos sob impacto de sucessão e xadrez eleitoral para 2026
Com posse de Luciano Ribeiro e mensagem anual de Jerônimo Rodrigues, Legislativo baiano inicia ano com 52 deputados focados na reeleição
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
A iniciativa ainda não teve os detalhes divulgados e deve ser apresentada oficialmente em uma cerimônia marcada para a próxima quarta-feira (4)
Liquida Salvador reúne ofertas em shoppings e lojas de rua até sábado; ação terá sorteio de dois carros 0km
A cada R$50 em compras, cliente recebe um cupom, independente da sua forma de pagamento
Paroano Sai Milhó comanda show especial de Carnaval no Sesi Rio Vermelho
O tradicional bloco carnavalesco se apresenta, nesta quinta-feira (5), às 21h, um show especial de Carnaval
Arembepe celebra 54 anos da festa de Iemanjá com fé, tradição e compromisso ambiental
Cortejo, oferendas no mar e apresentações culturais marcaram a celebração na orla de Camaçari
Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira
Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026
Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais
Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito