Governo Lula enfrenta erosão na base e pressão por entrega de ministérios; ACM Neto quer afastamento
ACM Neto defendeu que o partido se afaste do governo por não ter alinhamento com a reeleição de Lula em 2026
Divulgação
A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional vive um momento de fragilidade política. PP, União Brasil, PSD, MDB e Republicanos partidos que juntos indicaram ministros para 11 pastas têm intensificado as críticas à articulação do governo e já cogitam a entrega de seus espaços na Esplanada dos Ministérios. A insatisfação se traduz em derrotas legislativas, apoio a medidas da oposição e uma aproximação cada vez mais explícita com o campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do jornal O Globo.
Nas últimas semanas, parlamentares dessas legendas contribuíram para importantes reveses do Executivo. Um dos casos mais simbólicos foi a aprovação pela Câmara da suspensão da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), investigado por suposta participação em tentativa de golpe de Estado. Segundo levantamento, 63% dos votos favoráveis vieram de partidos com ministérios.
Além disso, um requerimento de urgência para votar o projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 contou com apoio de 143 deputados dessas mesmas siglas. Esse movimento acendeu o alerta no Palácio do Planalto, que observa com preocupação a perda de controle sobre sua própria base.
Defesa do desembarque ganha força
A articulação pela entrega de cargos no governo federal tem ganhado peso nas declarações públicas de líderes partidários. Em entrevista ao O Globo, o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, defendeu que o partido se afaste do governo por não ter alinhamento com a reeleição de Lula em 2026. “Não faz sentido ocupar cargos”, disse o ex-prefeito de Salvador.
Na mesma linha, o presidente do PP, Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro, também tem defendido publicamente o rompimento com o governo atual. No Republicanos, o deputado Lafayette Andrada (MG) reforça a ideia de que a sigla tem apenas uma minoria pró-Lula, mencionando que a nomeação do ministro Silvio Costa Filho se deu por mérito pessoal, e não como representação partidária.
Críticas à articulação e aos ministérios
As queixas à articulação política do Planalto também são frequentes. O deputado Danilo Forte (União-CE) afirma que seu partido não deveria ter integrado o governo. Segundo ele, o presidente Lula estaria cada vez mais distante do dia a dia do Congresso e faltaria habilidade à equipe de articulação.
Mesmo com três ministérios sob comando do PSD — Agricultura, Minas e Energia e Pesca — há descontentamento interno. O deputado Ismael dos Santos (SC), da bancada da bala, declarou que apenas o Ministério da Agricultura tem relevância para os parlamentares da sigla.
Sinais de realinhamento com a oposição
Além das declarações, os gestos políticos reforçam a tendência de afastamento. Na última semana, os presidentes do PSD (Gilberto Kassab), PP (Ciro Nogueira) e União Brasil (Antonio Rueda) participaram de um evento com forte presença bolsonarista: a filiação de Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo, ao PP. Também estiveram presentes o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos cotados para a corrida presidencial de 2026.
Rueda, inclusive, já acenou com a possibilidade de candidatura própria da federação União-PP em 2026 e afirmou que não haverá “subserviência” ao atual governo. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, apesar de não estar no evento, declarou que seu partido atuará em um campo de centro-direita nas próximas eleições.
Kassab, por sua vez, vem mantendo diálogo com bolsonaristas e se afastando progressivamente do entorno de Lula. Secretário do governo Tarcísio, Kassab já foi citado com elogios por Bolsonaro e tem feito declarações pessimistas sobre o futuro da gestão petista.
Fragmentação interna e dúvidas sobre 2026
Embora União, PP e Republicanos estejam mais alinhados com a ideia de ruptura, PSD e MDB ainda mantêm posição menos assertiva. Levantamento do O Globo com deputados e senadores dos cinco partidos mostra que 43 defendem a entrega dos ministérios, 35 se posicionam contra e 205 preferiram não responder, o que indica um cenário de incerteza e cálculo político.
Nomes de governadores como Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS) surgem como possíveis candidatos para 2026, o que também contribui para o reposicionamento das siglas rumo a um campo mais distante do atual governo.
Tentativa de coesão com programa comum
O ex-presidente Michel Temer (MDB) tenta articular uma união entre esses possíveis candidatos com base em um programa de governo comum. Embora tenha evitado falar diretamente em nomes, Temer já defendeu publicamente a necessidade de projeto para o país, criticando a ausência de uma proposta clara para 2026.
Dentro do MDB, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, é um dos que mais abertamente defendem o retorno de Bolsonaro ao jogo eleitoral, tendo afirmado que o ex-presidente deveria recuperar a elegibilidade e disputar novamente a Presidência.
Principais sinais do racha entre governo e partidos aliados
- Suspensão de ação contra Ramagem: 63% dos votos vieram de partidos com ministros.
- Anistia do 8/1: Mais de 140 deputados de partidos governistas assinaram o pedido de urgência.
- CPI do INSS: Abertura contou com apoio de 81 deputados de cinco partidos com pastas.
- Críticas abertas: ACM Neto e Ciro Nogueira pedem saída do governo e candidatura de oposição.
- Reação ao IOF: Base cogita derrubar decreto do governo se não houver alternativa.
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