Taxação de grandes fortunas pode gerar US$ 250 bilhões por ano, defende Lula no G20
Presidente brasileiro também afirmou que o neoliberalismo gerou desigualdade econômica e contribuiu para o crescimento do ódio
Ricardo Stuckert/PR
Na reunião de cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou questões globais com ênfase nas desigualdades econômicas, conflitos internacionais e a necessidade de reformas nos organismos internacionais. Lula criticou duramente as intervenções militares e as sanções unilaterais impostas a países, mencionando os casos da invasão da Faixa de Gaza por Israel e da Rússia à Ucrânia, sem especificar as sanções lideradas pelos Estados Unidos contra a Rússia. O presidente brasileiro também afirmou que o neoliberalismo gerou desigualdade econômica e contribuiu para o crescimento do ódio e das ameaças à democracia.
“Não é surpresa que a desigualdade fomente o ódio, extremismo e violência. Nem que a democracia esteja sobre ameaça. A globalização neoliberal fracassou. Em meio às crescentes turbulências, a comunidade internacional parece resignada a navegar sem rumo por disputadas hegemônicas. Permanecemos à deriva, como se arrastados por uma torrente que nos empurra para uma tragédia. Mas o confronto não é uma fatalidade. Negar isso é abrir mão de nossa responsabilidade”.
Lula também defendeu uma proposta para reduzir a desigualdade econômica mundial por meio da taxação de grandes fortunas, sugerindo uma alíquota de 2% sobre o patrimônio de indivíduos super-ricos. Segundo o presidente, essa medida poderia gerar cerca de US$ 250 bilhões por ano, recursos que poderiam ser investidos em desafios sociais e ambientais globais.
O presidente brasileiro condenou fortemente as guerras em curso, como as intervenções militares em vários territórios. “Do Iraque à Ucrânia, da Bósnia à Gaza, consolida-se a percepção de que nem todo território merece ter sua integridade respeitada e nem toda vida tem o mesmo valor. Intervenções desastrosas subverteram a ordem no Afeganistão e na Líbia. A indiferença relegou o Sudão e o Haiti ao esquecimento. Sanções unilaterais produzem sofrimento a atingem os mais vulneráveis”, afirmou.
O Brasil, presidindo o G20, buscou direcionar o foco da reunião para o combate à fome, tema de grande relevância para o governo Lula. No entanto, muitos líderes, especialmente os europeus, priorizaram discussões sobre a agressão da Rússia à Ucrânia, gerando divergências nas prioridades da cúpula.
A ausência do presidente russo Vladimir Putin, que enfrenta um mandado de prisão internacional por crimes de guerra, não passou despercebida, especialmente considerando a importância da Rússia no grupo dos Brics, do qual o Brasil faz parte. Lula também gerou controvérsia ao criticar a invasão israelense da Faixa de Gaza, uma postura que poderia afastar o Brasil de Israel e de aliados como os Estados Unidos.
Em relação às discussões sobre democracia, Lula destacou que a ascensão de movimentos extremistas e autoritários em diversos países é uma preocupação central para a comunidade internacional. A preservação da democracia e a luta contra o extremismo são questões que também estiveram no centro da sua fala.
A presença de líderes globais, como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente francês, Emmanuel Macron, trouxe ainda mais atenção às questões levantadas por Lula, em meio ao crescente apoio a medidas mais rígidas contra regimes autoritários e práticas democráticas em crise.
Além disso, Lula aproveitou a oportunidade para reforçar um tema histórico de sua presidência: a reforma dos organismos internacionais. Ele destacou a importância de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU para garantir maior participação de países emergentes, como o Brasil, no processo de decisão sobre questões globais.
“Este ano, a reforma da governança global entrou em definitivo da agenda do G20. Pela primeira vez, o grupo foi à ONU e aprovou com o endosso de outros 40 países um chamado à ação. Mas esse chamado é apenas um toque de despertar. A omissão do Conselho de Segurança tem sido ela própria uma ameaça à paz e à segurança internacional”, afirmou Lula.
Ele enfatizou que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que detêm o poder de veto, precisam considerar a inclusão de novas potências emergentes. Ele apontou a falta de ação do conselho como uma das principais ameaças à estabilidade global.
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