Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana

Para marqueteiro baiano, principal desafio para sigla é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais


Otávio Queiroz
Otávio Queiroz 30/01/2026 10:34 • Política
Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana - Reprodução/Instagram @joaosantanareal
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A política brasileira viveu uma semana de intensas articulações com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD. O movimento, articulado pelo cacique Gilberto Kassab, não apenas retira um dos nomes mais fortes da direita do União Brasil, como estabelece as bases para o que o estrategista de marketing político baiano João Santana define como um realinhamento profundo para as eleições presidenciais de 2026.

Em análise recente, Santana destacou que a entrada de Caiado no PSD abre caminho para uma composição que pode alterar radicalmente a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. A tese central gira em torno de uma “chapa puro-sangue” do PSD, que uniria a força do agronegócio, o perfil técnico e a renovação geracional de três governadores de peso: Ratinho Jr. (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).

‘Xerifão da República’ e chapa dos governadores

Segundo as projeções de João Santana, o cenário que começa a ser desenhado nos bastidores prevê o governador do Paraná como o candidato à Presidência da República. Santana aponta Ratinho como o nome com maior “potencial de crescimento” dentro deste bloco, por combinar baixa rejeição e uma gestão aprovada em um estado estratégico. O vice seria o antigo tucano Eduardo Leite, consolidando um palanque robusto no Sul e atraindo o eleitorado de centro.

O papel de Ronaldo Caiado nesta engrenagem seria inédito e audacioso. Em vez de disputar a cabeça de chapa, o governador goiano seria lançado de forma antecipada como o futuro “Xerifão da República”. A proposta é que ele ocupe um superministério da Justiça e Segurança Pública, utilizando sua imagem de rigor no combate à criminalidade — marca de sua gestão em Goiás — como um dos principais trunfos eleitorais da coalizão.

“A formação de uma chapa puro-sangue, tendo o Ratinho na cabeça e Eduardo Leite de vice, com um lançamento pomposo e antecipado de Caiado para ocupar no futuro um superministério, criaria um realinhamento importante. Caiado seria o xerifão que o Brasil busca”, avalia Santana.

Caiado, inclusive, ao se lançar pré-candidato a presidente da República – em abril do ano passado, em Salvador, na época pelo União Brasil – colocou a segurança como seu principal mote de campanha e tem sido um ferrenho crítico ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). O Estado, além de ser um dos principais redutos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera o ranking de violência no país.

Tabuleiro de Kassab: equilíbrio entre alianças e protagonismo

O grande articulador deste movimento, Gilberto Kassab, joga em várias frentes. Ao filiar Caiado, ele preserva o protagonismo do PSD e evita que a legenda se torne “linha de apoio” precoce para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Entretanto, o caminho não está isento de espinhos.

O principal desafio para o PSD é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais. O partido é um “camaleão” político que integra governos de espectros opostos nos estados:

  • Bahia e Rio de Janeiro: Na Bahia, o PSD é base de Jerônimo Rodrigues (PT) e, no Rio, o prefeito Eduardo Paes é aliado de primeira hora de Lula. Sustentar um palanque de oposição nacional nestes locais exigirá um malabarismo diplomático sem precedentes.
  • Pernambuco: Santana cita a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, como um trunfo adicional nas mãos de Kassab. Recém-chegada ao PSD, ela pode ser a ponte para o Nordeste, mas também lida com as pressões de uma base dividida entre o apoio ao Planalto e as necessidades locais.

Desafio de Lula e Flávio Bolsonaro

Para João Santana, o surgimento deste “blocão de centro-direita” obrigará as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro a recalcularem rotas. Se por um lado o PT precisa evitar que o PSD — hoje um aliado ministerial — se torne um inimigo eleitoral agressivo, o bolsonarismo corre o risco de perder o eleitorado conservador moderado para uma chapa que oferece “ordem e gestão” sem o passivo ideológico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Os estrategistas de Lula e Flávio Bolsonaro terão muito trabalho pela frente. Mas também não será fácil a tarefa desse novo bloco. Eles precisam provar que essa união não é apenas uma soma de siglas, mas um projeto de país que sobreviva às brigas regionais”, conclui Santana.

A janela de desincompatibilização em abril será o verdadeiro teste de estresse para este plano, quando os governadores terão que decidir se abandonam suas cadeiras para apostar tudo na aventura presidencial do PSD.

Otávio Queiroz

Otávio Queiroz

Soteropolitano com 7 anos de experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa.

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