Indústria brasileira fecha novembro estável e segue distante do pico histórico, aponta IBGE

Pesquisa mostra variação nula na produção, queda na comparação anual e manutenção da atividade quase 15% abaixo do recorde de 2011


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 08/01/2026 15:28 • Cidades
Indústria brasileira fecha novembro estável e segue distante do pico histórico, aponta IBGE - Divulgação/BYD
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A produção industrial brasileira registrou variação nula (0,0%) em novembro de 2025 na comparação com outubro, quando havia avançado 0,1%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM Brasil) divulgada, nesta quinta-feira (8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a indústria permanece 2,4% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas ainda opera 14,8% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011.

Na comparação com novembro de 2024, o setor voltou a apresentar retração, com queda de 1,2%. Já no acumulado de 2025, a indústria registra crescimento de 0,6%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses aponta avanço de 0,7%, indicando manutenção do desempenho positivo, embora com perda de ritmo. Segundo o IBGE, a estabilidade observada em novembro ficou dentro do intervalo das expectativas do mercado financeiro, que projetava resultados entre queda de 1,2% e alta de 1,1%. Ainda assim, a queda anual foi mais intensa do que a mediana das estimativas, que apontava recuo de 0,5%.

Extrativas recuam e eliminam parte do avanço de outubro

De acordo com o levantamento, duas das quatro grandes categorias econômicas e 15 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda frente ao mês anterior. O principal impacto negativo veio das indústrias extrativas, que recuaram 2,6% em novembro, após avanço expressivo no mês anterior.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o desempenho foi influenciado principalmente pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro.

“Vale destacar que a retração eliminou parte do avanço de 3,5% verificado em outubro, quando interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção. Neste mês observa-se um número maior de atividades no campo negativo”, explicou.

Enquanto isso, a indústria de transformação teve leve alta de 0,2% na comparação mensal, o que ajudou a compensar parcialmente o recuo das extrativas.

Setores: queda em veículos, químicos e alimentos; alta em farmacêuticos

Entre os setores que apresentaram desempenho negativo em novembro, destacam-se veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%). Na outra ponta, o principal impacto positivo veio do setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que avançou 9,8%, exercendo a maior influência positiva na média da indústria.

Também tiveram desempenhos relevantes impressão e reprodução de gravações (18,3%), produtos de minerais não metálicos (3,0%), produtos de metal (2,7%), máquinas e equipamentos (2,0%) e metalurgia (1,8%).

Categorias econômicas mostram comportamento misto

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis apresentaram o recuo mais intenso em novembro (-2,5%), eliminando parte da alta de 2,8% registrada em outubro. Já os bens intermediários recuaram 0,6%, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, com perda acumulada de 1,8% no período.

Em contrapartida, os bens de capital avançaram 0,7%, acumulando crescimento de 2,1% em três meses seguidos, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis subiram 0,6%, com alta acumulada de 1,5% entre outubro e novembro.

Apesar dessas oscilações, o IBGE destaca que a indústria brasileira permanece bem abaixo dos seus picos históricos. Os bens de capital estão 28,5% abaixo do nível recorde de setembro de 2013.

Já os bens intermediários operam 12,8% abaixo do auge de maio de 2011, enquanto os bens semi e não duráveis estão 12,4% abaixo do pico de junho de 2013. Os bens de consumo duráveis, por sua vez, acumulam queda de 10,5% desde maio de 2024.

Queda anual atinge maioria dos ramos industriais

Na comparação com novembro de 2024, a retração de 1,2% refletiu resultados negativos em três das quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 25 ramos, 51 dos 80 grupos e 54,4% dos 789 produtos pesquisados.

Os setores que mais contribuíram negativamente para o resultado foram:

  • Móveis: -5,8%
  • Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis: -9,2%
  • Veículos automotores: -7,0%
  • Produtos de metal: -6,8%
  • Produtos químicos: -1,8%
  • Produtos de madeira: -12,4%
  • Bebidas: -4,2%
  • Máquinas e materiais elétricos: -5,3%
  • Artefatos de couro e calçados: -7,5%
  • Equipamentos de informática e eletrônicos: -5,7%

Entre os destaques positivos frente a novembro do ano passado, aparecem as indústrias extrativas (4,6%) e produtos alimentícios (4,0%), além de manutenção e reparação de máquinas (9,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (5,4%), celulose e papel (3,0%) e metalurgia (1,7%).

Pesquisa acompanha indústria brasileira desde os anos 1970

De acordo com o IBGE, a Pesquisa Industrial Mensal acompanha o desempenho da indústria brasileira desde a década de 1970. O levantamento produz indicadores de curto prazo sobre a produção real das indústrias extrativa e de transformação e é considerado uma das principais referências para monitorar a atividade industrial no país.

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