Cúpula do Congresso rompe com líderes do governo e eleva tensão na relação com o Planalto
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) anunciou rompimento com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o rompimento com o líder do PT na Casa, deputado Lindbergh Farias. A declaração foi dada à Folha de São Paulo e ocorreu em meio a críticas do presidente da Câmara sobre a atuação do petista, que tem se destacado na defesa do governo nas votações e pronunciamentos.
Conforme apuração do G1, Motta avalia que Lindbergh atua de maneira errática, não entrega votações e tenta atribuir à presidência da Câmara responsabilidades que seriam da articulação do governo. Lindbergh comentou a situação nas redes sociais, afirmando que “se há uma crise de confiança na relação entre o governo e o presidente da Câmara, isso tem mais a ver com as escolhas que o próprio Hugo Motta tem feito”.
O deputado também fez referência a aproximações políticas de Motta com integrantes da oposição. “Política não se faz como clube de amigos. Minhas posições políticas são transparentes e previsíveis”, disse o petista.
Líder do PT avalia postura de Hugo Motta como ‘imatura’
O líder do PT reiterou a crítica em nova publicação. “Se há uma crise de confiança na relação entre o governo e o presidente da Câmara, isso tem mais a ver com as escolhas que o próprio Hugo Motta tem feito. Ele que assuma as responsabilidades por suas ações”.
Considero imatura a posição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Política não se faz como clube de amigos. Minhas posições políticas são transparentes e previsíveis. Sempre atuei de forma clara e com posições coerentes, nunca na surdina e erraticamente, como agiu o…
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) November 24, 2025
A tensão ocorre em momento em que o governo Lula (PT) enfrenta dificuldades para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), necessária para a tramitação do Orçamento de 2026. O Planalto também precisa avançar simultaneamente em outros projetos com impacto fiscal e político.
Nos últimos meses, integrantes do grupo de Motta relataram incômodo com o comportamento de Lindbergh, afirmando que ele se exalta nas discussões e busca desgastar a imagem da Câmara em suas manifestações públicas.
A cúpula da Câmara critica ainda a atuação do deputado nas reuniões semanais com os líderes partidários, apontando que ele se comporta como se fosse líder do governo, quando sua função formal é representar apenas a bancada do PT.
Impasse no Senado com o Planalto
No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), consolidou o afastamento em relação ao líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA), após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A insatisfação não estaria ligada ao nome escolhido, mas ao processo de indicação, já que parte dos senadores expressava preferência pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Aliados relatam, segundo o jornal O Globo, que Alcolumbre descreve a situação como um ponto de virada na relação com o Planalto e tem comunicado que não apoiará Messias, não fará articulação a favor da indicação e, salvo mudança de cenário, não pretende conceder aval ao nome para o Supremo, prerrogativa que cabe ao presidente do Senado.
Wagner: Senado não deve votar indicação de Messias em 2025
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou, nesta segunda-feira (24), que não considera haver tempo suficiente para que a Casa sabatine e vote, ainda em 2025, a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o petista, a avaliação decorre do calendário legislativo.
“Quando há uma controversa, o candidato tem que visitar as lideranças. Não sei precisar o tempo. Temos quatro semanas até terminar o ano legislativo. Temos LDO, Orçamento, uma série de pautas. Acho que não teremos tempo hábil para votar em dezembro”, disse durante entrevista à GloboNews
O senador declarou que fez um levantamento de votos, mas considerou necessário aguardar as conversas de Messias com os parlamentares, ressaltando que o voto é secreto. Ele afirmou também que é preciso aguardar uma melhora no clima entre o governo e os senadores que defendiam a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao posto.
Segundo Wagner, “há uma tensão muito grande” e seria necessário “esperar esfriar um pouco essa tensão”. Wagner atribuiu o incômodo à frustração pela não escolha de Pacheco.
“Há uma espécie de frustração. As pessoas queriam ver o Rodrigo e eu não estou dizendo que ele não chegará lá [STF], porque acho que tem altitude para isso”, apontou.
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