PF prende novamente lobista acusado de comprar decisões do STJ; Zanin aponta simulação de doença
Em julho, Zanin havia autorizado a prisão domiciliar de Andreson, alegando piora no quadro clínico
Divulgação
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quarta-feira (12), uma nova ordem de prisão preventiva contra o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, acusado de vender decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, após nova avaliação sobre o estado de saúde do investigado. Em julho, Zanin havia autorizado a prisão domiciliar de Andreson, alegando piora no quadro clínico.
Quatro meses depois, a PF informou ao ministro que o lobista havia se recuperado e levantou suspeitas de que ele teria simulado o agravamento de sua condição de saúde por meio de uma greve de fome voluntária. Com base nesse relatório, Zanin revogou o regime domiciliar e determinou a nova prisão preventiva. Andreson foi encaminhado a um presídio em Mato Grosso.

Crédito: IMLLR
Relembre acusações e histórico de lobista
Durante dois anos, Andreson circulou entre Brasília e Cuiabá apresentando-se como advogado, utilizando uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Pará obtida de forma fraudulenta e anulada desde 2020. Em decisão, Zanin o classificou como articulador de um “verdadeiro comércio de decisões judiciais” no STJ.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o lobista e seus sócios na empresa Florais Transportes movimentaram R$ 2,8 bilhões em transações suspeitas, envolvendo cerca de 1,5 mil pessoas físicas e jurídicas.
A defesa de Andreson informou que ele passou por uma cirurgia em 2020, chamada gastrectomia vertical com interposição ileal, procedimento que altera o processo digestivo e a absorção de nutrientes. Em fevereiro de 2025, quando estava detido na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele pediu na Justiça o direito a uma alimentação especial, adequada à sua condição de saúde.
Os advogados afirmam que o lobista sofreu crises psicológicas e perdeu peso em razão da alimentação inadequada e da falta de contato com familiares. O pedido foi encaminhado como justificativa para a manutenção do regime domiciliar, posteriormente revogado pelo STF. Em nota, a defesa criticou a decisão judicial.
“Decisão tão surpreendente quanto desfundamentada. Esqueceram o laudo do IML e seu diagnóstico com base em exames de imagem e outros, para validar 50 minutos de dois policiais médicos na casa dele. A ser assim, se ele se suicidar, dirão que, como foi voluntário o suicídio, ele deverá ser enterrado no presídio”, declarou o advogado Eugenio Paccelli.
O nome de Andreson de Oliveira ganhou destaque após ser citado nas Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que investigam a venda de sentenças e resultaram no afastamento de magistrados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As investigações começaram em agosto de 2024, a partir de mensagens encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, que indicavam o envolvimento do lobista em um suposto esquema de intermediação de decisões.
De acordo com a PF, Andreson teria atuado como intermediário entre Zampieri e os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, afastados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Na Operação Sisamnes, ele foi preso e as residências dos magistrados foram alvo de busca e apreensão. Ambos passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.
Movimentações financeiras e investigações em curso
Na Operação Ultima Ratio, outros cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul foram afastados, e Andreson voltou a ser alvo de mandados de busca. As apurações indicam que o lobista teria transferido pelo menos R$ 4 milhões a um assessor do STJ, além de movimentar altos valores por meio de empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
A PF também apontou que Andreson teria adquirido decisões judiciais em Mato Grosso com o objetivo de beneficiar interesses de terceiros. O inquérito permanece em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
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