Rejeição à anistia de 8 de janeiro cresce e maioria é contra reduzir penas, aponta Genial/Quaest
Pesquisa mostra resistência popular a medidas que beneficiem condenados e amplia apoio à atuação do STF e do Ministério Público
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A rejeição à anistia dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro aumentou, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12). O levantamento mostra que 47% dos entrevistados são contra qualquer tipo de perdão. Já 35% defendem a anistia para todos os envolvidos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 8% apoiam o perdão apenas para os manifestantes que participaram das invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Os dados indicam uma tendência de endurecimento da opinião pública diante das propostas que buscam atenuar as punições impostas aos condenados. O tema voltou ao centro do debate político após a tramitação de projetos que buscam reduzir penas ou reinterpretar crimes relacionados ao episódio.
Maioria é contra reduzir penas dos condenados
A pesquisa também revela que 52% dos brasileiros são contra o Projeto de Lei da Dosimetria, que propõe reduzir as penas impostas aos condenados pelos atos antidemocráticos. A proposta conta com o envolvimento do ex-presidente Michel Temer (MDB) e do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) nas discussões.
De acordo com o levantamento, a maioria dos entrevistados considera que as punições foram justas e devem ser mantidas, enquanto 37% são favoráveis à redução das penas, sob o argumento de que as sentenças aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) teriam sido excessivamente duras. Esses números reforçam a percepção de que o eleitorado brasileiro rejeita medidas que possam amenizar as consequências jurídicas dos atos de 8 de janeiro, mesmo diante do discurso político de reconciliação nacional levantado por parte da oposição.
PEC da Blindagem enfrenta ampla desaprovação popular
A chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, que visava limitar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Ministério Público, também enfrenta forte rejeição popular. Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados são contra a PEC, por considerarem que ela dificulta a prisão de deputados e senadores e enfraquece o combate à corrupção.
Apenas 22% declararam apoio à medida, enquanto o restante dos entrevistados afirmou não ter opinião formada. A PEC foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas acabou barrada no Senado em 24 de setembro, após intensa reação pública e mobilização de movimentos sociais e artistas em várias capitais.
O recuo do Senado foi visto como um marco político que evidenciou a resistência da sociedade civil a propostas que possam restringir a independência das instituições de controle.
Impacto político e fortalecimento do governo
Essas mobilizações e o aumento da rejeição a pautas vistas como ameaças à democracia tiveram reflexos na percepção pública sobre o governo federal. Conforme a Genial/Quaest, 39% dos entrevistados avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu mais forte após os protestos. Enquanto 30% acreditam que ele ficou mais fraco e 25% dizem que sua posição permaneceu inalterada.
O levantamento reforça a ideia de que, ao menos no curto prazo, o debate sobre os atos de 8 de janeiro e suas consequências jurídicas tem contribuído para consolidar o apoio à atuação das instituições democráticas, especialmente do STF e do Ministério Público.
Metodologia
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 2 e 5 de outubro, com base em 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O estudo reflete o cenário atual de polarização política e debate sobre justiça e democracia, mostrando que a maioria da população é contrária à anistia e à flexibilização das penas impostas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
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