União Brasil e PP oficializam saída do governo Lula e orientam entrega de cargos
Medida atinge diretamente os ministros dos Esportes, André Fufuca, do PP, e do Turismo, Celso Sabino, do União Brasil
Flickr/Progressistas
As cúpulas nacionais do Progressistas (PP) e do União Brasil decidiram, nesta terça-feira (2), deixar o governo Lula e migrar para a oposição. As siglas, que formaram a federação União Progressista (UPb), informaram que vão proibir todos os filiados de ocuparem cargos no governo federal. A medida ainda precisa ser votada pelas Executivas Nacionais e atinge diretamente os ministros dos Esportes, André Fufuca, do PP, e do Turismo, Celso Sabino, do União Brasil.
Na última sexta-feira (29), Celso Sabino havia negado ter decidido deixar o governo Lula. “Não há nenhuma decisão nessa direção [de eu deixar o governo]. Fico triste de ver alguns jornalistas, graças a Deus são minoria, e fazem publicações sem consultar nenhuma fonte nem muito menos as pessoas de quem estão se relacionando. Fato é: não tem nenhuma decisão tomada”, afirmou o ministro.
No entanto, a Executiva Nacional do União Brasil já havia antecipado, na quarta-feira (27), a orientação para desembarque da base governista.
Líder do União Brasil na Câmara anuncia apoio à anistia
Durante o anúncio, o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (MA) informou que a federação vai apoiar a anistia defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu que o projeto seja pautado com agilidade.
“Temos que ver o relator para formatar o texto, mas a federação é a favor da anistia. Vamos lutar para pautar o mais breve possível e há possibilidades”, disse, referindo-se à votação do projeto ainda durante o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF), o que poderia reverter sua inelegibilidade.
Restrição atinge filiados
A superfederação formada pelos dois partidos do Centrão soma 109 deputados federais, 15 senadores, sete governadores, 1.335 prefeitos, 186 deputados estaduais, quatro distritais e 12.398 vereadores. A decisão faz com que a maior bancada do Congresso passe a integrar a oposição ao governo.
O veto, segundo dirigentes, atingirá apenas filiados e não deve se estender a indicações feitas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ou pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Alcolumbre indicou os ministros das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, e da Integração Nacional, Waldez Góes, enquanto Lira apontou o presidente da Caixa, Carlos Vieira.
“Informamos a todos os detentores de mandato que devem renunciar a qualquer função que ocupem no governo federal. Em caso de descumprimento desta determinação, se dirigentes dessa federação nos seus estados, haverá afastamento de ato contínuo. Se a permanência persistir, serão adotadas punições disciplinares previstas no estatuto. Esta decisão representa um gesto de clareza e coerência. É isso que o povo brasileiro e eleitores exigem dos seus representantes”, disse o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, em comunicado lido no Congresso.
A articulação ocorre em meio a um período de desgaste entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os partidos do Centrão. Na semana passada, Lula declarou em reunião ministerial que não gosta pessoalmente do presidente do União, Antonio Rueda, e criticou o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, afirmando que ele busca se viabilizar como candidato a vice em uma chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na mesma reunião, o presidente relatou insatisfação com a postura dos ministros das legendas, alegando que eles não o defendem em eventos partidários e poderiam deixar o governo caso assim desejassem. O clima de tensão acelerou a decisão dos partidos de antecipar o desembarque da base governista.
O União Brasil agendou a reunião da Executiva para esta quarta-feira (3), quando a saída oficial deve ser formalizada. O PP deve realizar procedimento semelhante ainda esta semana. Ambos os partidos tinham a intenção de deixar o governo apenas após autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formação de federação, mas a pressão política motivou a antecipação da medida.
Dirigentes das legendas afirmam que as críticas de Lula geram “situação constrangedora” tanto para os partidos quanto para o governo e que manter filiados na Esplanada seria inviável nos próximos meses. Ao mesmo tempo, buscam aproximar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não definiu apoio para 2026, para que indique Tarcísio como candidato à presidência.
Ministros ainda não se manifestaram
Até o momento, Sabino e Fufuca não deram sinais de que irão deixar o governo ou o partido. Apesar disso, a cúpula da União-PP entende que, diante do acirramento político, não é compatível ocupar um ministério sendo filiado a uma das legendas.
A medida representa um movimento estratégico do Centrão para se consolidar como oposição, preservando o controle sobre suas bancadas no Congresso e a influência em futuras articulações eleitorais. A implementação depende da aprovação formal pelas Executivas Nacionais, que devem ratificar a decisão nos próximos dias.
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