Lula reage ao tarifaço de Trump e dispara: ‘Lulinha paz e amor’ está pronto para negociar
Presidente afirma que Brasil está aberto ao diálogo, mas critica postura autoritária dos EUA no comércio internacional
Antonio Cruz/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou, nesta última quinta-feira (28), que o “Lulinha paz e amor” está disposto a negociar com sobre as medidas tarifárias impostas contra produtos brasileiros pelos Estados Unidos, quando o presidente Donald Trump quiser conversar. Apesar da abertura ao diálogo, o petista voltou a criticar a forma como o mandatário norte-americano conduz as relações internacionais, classificando novamente sua postura como autoritária e incompatível com a realidade geopolítica atual.
As declarações foram dadas durante entrevista a uma emissora de televisão, em que o presidente defendeu a posição do Brasil frente ao chamado “tarifaço” e ressaltou que a diplomacia brasileira mantém representantes de alto nível prontos para discutir o tema, incluindo ministros estratégicos da área econômica e de relações exteriores. Segundo ele, o problema não está na ausência de interlocução por parte do Brasil, mas na falta de disposição de Washington para sentar à mesa.
“Ninguém pode dizer que eu não quero negociar. O problema é que os americanos não querem negociar. São três ministros de alto nível para negociar [Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira]. Só que ninguém dos Estados Unidos quer conversar”, lamentou Lula.
Críticas ao estilo de governo norte-americano
Ao analisar o cenário, Lula destacou que a forma como os Estados Unidos vêm impondo suas condições comerciais reflete uma visão ultrapassada de poder global. Para ele, não existe mais espaço para que países se comportem como “donos do planeta” em um mundo caracterizado pela multipolaridade. A avaliação do presidente é de que a insistência em práticas unilaterais pode prejudicar tanto a relação bilateral quanto a imagem internacional dos norte-americanos.
“O presidente americano se acha dono do planeta. Ele acha que pode afirmar o que ele quiser e os outros têm que obedecer. E ficam dizendo: ‘Ah, o Lula tinha que ligar’. Eu não”, afirmou o presidente.
O chefe do Executivo também ressaltou que, mesmo diante das dificuldades, o Brasil mantém uma postura firme e soberana. Ele afirmou que não cabe ao governo brasileiro se curvar a pressões externas e que a diplomacia do país se pauta por negociações justas e equilibradas.
Relações comerciais com EUA e China em perspectiva
Lula apresentou ainda dados sobre o intercâmbio comercial brasileiro, chamando atenção para a diminuição da relevância dos Estados Unidos nas exportações nacionais ao longo das últimas décadas. No início dos anos 2000, cerca de 20% das exportações brasileiras tinham como destino o mercado americano. Atualmente, esse índice caiu para 12%, dos quais apenas uma fração foi diretamente impactada pelas novas tarifas.
“Se ele estudasse um pouco, se ele deixasse de querer ser um falso humilde e bater o pé na verdade, ele ia saber que nós temos outro mecanismo para vender nossos produtos. No começo do século, as exportações americanas significavam 20% das exportações brasileiras. Hoje significam 12%. Desses 12%, só 4% foram taxados, sabe, acima da média”, concluiu o presidente.
Por outro lado, a China consolidou-se como principal parceiro comercial do Brasil. Hoje, o comércio entre os dois países alcança cerca de US$ 160 bilhões anuais, o dobro do volume registrado com os Estados Unidos, que gira em torno de US$ 80 bilhões. Essa diferença reflete também no saldo da balança comercial: enquanto a relação com os chineses resulta em superávit superior a US$ 30 bilhões, a parceria com os norte-americanos acumula déficits, que nos últimos 15 anos somaram aproximadamente US$ 410 milhões.
Críticas internas e defesa de alternativas
Além de mirar a política externa norte-americana, Lula também rebateu declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que havia feito críticas à sua gestão em meio ao debate sobre o tarifaço. O presidente respondeu destacando que o Brasil dispõe de alternativas para escoar seus produtos no mercado global, reforçando que a dependência de um único parceiro não corresponde mais à realidade do comércio exterior brasileiro.
Segundo ele, a diversificação dos destinos de exportação e o fortalecimento de acordos com diferentes blocos e países têm sido fundamentais para reduzir vulnerabilidades e garantir maior estabilidade econômica.
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