Queda na vacinação ameaça saúde pública: os perigos que ninguém está levando a sério
Queda na vacinação no Brasil preocupa especialistas; entenda os riscos, mitos e por que vacinas ainda são seguras e essenciais
Divulgação/BNDES
O Brasil enfrenta um cenário preocupante com a queda da cobertura vacinal, fenômeno que ameaça os avanços históricos no controle de doenças. O recente caso da morte de um bebê após receber um imunizante em um posto de saúde criou nova polêmica, gerando dúvidas e receio entre a população. Em meio a esse contexto, dois especialistas em saúde reforçam a importância da vacinação e esclarecem os principais mitos que circulam sobre o tema.
O que se sabe sobre o caso do bebê que morreu após vacinação
No último mês, um bebê morreu logo após ser vacinado em uma unidade de saúde. O caso causou comoção e levantou especulações sobre a possível relação com os imunizantes. Ana Tereza Lima, professora de Farmácia e especialista em Imunologia, comentou a situação com cautela e responsabilidade.
“Até o momento, não há comprovação científica de que a vacina tenha causado diretamente esse óbito”, afirmou a especialista.
“É fundamental que casos como esse sejam investigados com todo o rigor, para afastar boatos e reforçar a confiança da população na vacinação”, completou.

Vacinas são seguras e eventos graves são raríssimos
Segundo os especialistas, reações adversas graves são extremamente raras. O que geralmente ocorre são efeitos leves e esperados, como febre, dor ou vermelhidão no local da aplicação. Esses sintomas indicam que o sistema imunológico está respondendo ao estímulo da vacina.
“Em geral, no caso das vacinas, é uma reação leve, de curta duração e que melhora com analgésicos comuns”, explicou o infectologista Adriano Oliveira. Ele reforçou que os efeitos adversos leves são um sinal de que o corpo está criando defesas.

Sintomas leves e reações graves têm diferenças claras
Para os pais e responsáveis é essencial compreender essa distinção. Ana Tereza explicou que reações leves são naturais e geralmente se resolvem com medidas simples como compressas frias ou medicamentos recomendados por profissionais. Já as reações graves, embora muito incomuns, exigem atenção imediata.
“As reações comuns, como dor ou vermelhidão no local da aplicação, febre ou irritabilidade, são respostas naturais do organismo”, disse a imunologista. “Já reações mais intensas podem envolver alergias importantes e exigem avaliação médica”, acrescentou.
Mitos sobre vacinas continuam a prejudicar a imunização
Um dos principais obstáculos enfrentados pelos programas de vacinação no Brasil é a disseminação de mitos e informações falsas. Entre as inverdades mais recorrentes estão as alegações de que vacinas causam autismo, doenças autoimunes ou complicações a longo prazo.
O médico Adriano destacou que essas crenças não têm base científica.
“A possibilidade de se ter uma complicação importante de vacina a curto ou longo prazo é menor que a de tomar um analgésico”, afirmou.
Ana Tereza reforçou que “não existe nenhuma evidência científica robusta que comprove que as vacinas causem doenças autoimunes ou outras complicações”.
Imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas também devem se vacinar
Pessoas com doenças pré-existentes ou imunossuprimidas integram o grupo que mais precisa se proteger com vacinas. Embora algumas vacinas com vírus vivos devam ser evitadas por esse público, os especialistas garantem que há alternativas seguras e eficazes.
“Essas pessoas são vulneráveis às doenças para as quais as vacinas foram desenhadas”, lembrou Dr. Adriano. Ana Tereza acrescentou que a orientação médica individualizada garante que o esquema vacinal seja adequado a cada caso.
Vacinas do SUS passam por testes rigorosos
Tanto nas redes públicas quanto privadas, todas as vacinas passam por múltiplas fases de testes clínicos. Além disso, agências reguladoras como a Anvisa acompanham continuamente a segurança desses imunizantes mesmo após sua liberação.
“O SUS distribui vacinas que passaram por um processo rigorosíssimo de desenvolvimento, testagem e monitoramento”, explicou Ana Tereza. A especialista reforçou que muitas vacinas aplicadas em clínicas particulares são as mesmas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde.
Queda na cobertura vacinal ameaça conquistas da saúde pública
A cobertura vacinal infantil, que sempre foi uma referência no Brasil, tem caído nos últimos anos. Para os especialistas, isso está diretamente ligado à circulação de fake news e à falta de percepção do risco.
O infectologista afirmou que o país está absorvendo um movimento antivacina semelhante ao observado nos Estados Unidos e na Europa. “Assuntos médicos passaram a ser contaminados por convicções ideológicas”, observou o infectologista.
Ana Tereza alertou que essa queda já tem consequências visíveis. “A curto prazo, já podemos observar o retorno de doenças que estavam praticamente erradicadas, como o sarampo”, disse. “A longo prazo, há risco de novos surtos, de surgimento de variantes mais agressivas e até de epidemias de doenças que poderiam ser facilmente prevenidas”, completou.
Reconstruir a confiança é fundamental
A reconstrução da confiança nas vacinas passa por ações coordenadas entre o Estado, os profissionais de saúde e a sociedade civil. Embora Adriano tenha reconhecido não ver iniciativas claras nesse sentido atualmente, Ana Tereza vê luz no fim do túnel.
“A mais recente e importante foi a campanha de vacinação contra a Covid-19”, destacou. Para ela, estratégias como ações educativas em escolas, comunicação transparente e apoio de profissionais capacitados podem ajudar a reverter a desinformação.
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