Após 8 anos de negociações, Mercosul conquista entrada em mercado europeu de alta renda
Parceria com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein representa novo avanço internacional do bloco sul-americano após tratativas iniciadas em 2017
Marcos Oliveira/Agência Senado
O Mercosul concluiu, nesta última quarta-feira (2), as negociações para um novo acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco composto por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O anúncio foi feito durante a 66ª Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, capital da Argentina.
A formalização do entendimento representa um avanço nas estratégias de internacionalização do bloco sul-americano, que tem buscado ampliar seu acesso a mercados de alta renda e diversificar seus parceiros comerciais. As informações são da Agência Brasil.
Acordo com EFTA
O acordo com a EFTA vem na esteira de outros dois entendimentos recentes firmados pelo Mercosul: com Singapura, em 2023, e com a União Europeia, em 2024. Segundo autoridades brasileiras, o tratado com os países europeus da EFTA permitirá que as exportações industriais do Mercosul tenham acesso facilitado a um mercado altamente desenvolvido e de elevado poder aquisitivo.
Agora, com a conclusão do texto final, a próxima etapa será a ratificação interna pelos parlamentos e governos de cada um dos países envolvidos. Até que isso ocorra, o acordo ainda não entra em vigor oficialmente.
“Depois de Singapura, em 2023, e União Europeia, em 2024, o Mercosul finalizou agora suas negociações com a EFTA, bloco que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia. Um mercado de elevada renda, que garantirá acesso facilitado a 100% de nossas exportações industriais. Foram 8 anos de trabalho duro, mas o resultado mostra que o diálogo é o caminho para estimularmos nossa economia, gerando emprego e renda”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
EFTA: mercado de US$ 1,4 trilhão e alto poder aquisitivo
A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês) foi fundada em 1960 e reúne quatro países europeus com políticas econômicas abertas e elevado desenvolvimento socioeconômico. Juntos, Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein somam uma população de aproximadamente 15 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) total estimado em US$ 1,4 trilhão.
Em termos de renda per capita, os países da EFTA figuram entre os mais ricos do mundo. Liechtenstein, por exemplo, é considerado o segundo país com maior renda média anual do planeta, com cerca de US$ 186 mil por pessoa. A Suíça aparece como o quarto colocado nesse ranking, com uma média superior a US$ 100 mil. Noruega e Islândia também figuram entre os líderes globais nesse indicador, o que reforça o interesse do Mercosul em estreitar laços comerciais com o grupo.
Além disso, o setor de serviços da EFTA tem relevância significativa no comércio internacional. Em 2024, o bloco europeu importou US$ 284 bilhões em serviços, sendo o nono maior importador mundial nessa categoria, à frente de potências como Japão, Índia e Canadá. No mesmo período, também figurou entre os principais exportadores globais de serviços, com US$ 245 bilhões negociados.
Acordo inclui livre comércio e cooperação econômica
Com a conclusão das negociações, o acordo entre o Mercosul e a EFTA estabelece um marco para o livre comércio de bens e serviços, além de mecanismos de cooperação econômica, abertura de mercados, harmonização de normas técnicas e facilitação de investimentos. Em termos práticos, isso significa redução de tarifas, desburocratização de processos e estímulo à competitividade das exportações sul-americanas.
A expectativa dos negociadores é de que o tratado beneficie sobretudo o setor industrial do Mercosul, com destaque para os segmentos de manufaturados e produtos de maior valor agregado. O acesso ao mercado europeu também pode representar uma nova fonte de crescimento para empresas exportadoras e gerar impactos positivos na geração de empregos e na arrecadação pública.
Presidência temporária do Mercosul passa ao Brasil
A Cúpula do Mercosul em Buenos Aires também marcou a transição da presidência rotativa do bloco para o Brasil. Nos próximos seis meses, o país estará à frente das decisões e coordenações do grupo, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Bolívia em processo de adesão formal.
A nova presidência deve dar continuidade à agenda de integração internacional do Mercosul, com foco na ratificação dos acordos já negociados e na aproximação com novos parceiros comerciais.
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