Inquérito contra Renan Calheiros por suspeita de propina é arquivado por falta de provas
Ssenador era acusado de ter recebido propina para influenciar a edição de medidas legislativas
Waldemir Barreto/Agência Senado
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de um inquérito que investigava o senador Renan Calheiros (MDB-AL) por suspeita de receber propina de uma empresa do setor portuário. O arquivamento ocorreu após parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que afirmou não haver provas suficientes para sustentar a acusação contra o senador.
Fux acatou o parecer de Gonet e decidiu remeter o caso à primeira instância da Justiça Federal em Brasília, para dar continuidade à investigação de outros suspeitos sem prerrogativa de foro.
Renan Calheiros era acusado de ter recebido propina em troca de influenciar a criação de medidas legislativas para beneficiar a empresa Multiterminais, do empresário Richard Klien, entre 2012 e 2014, período em que o senador era aliado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Em nota, o advogado Luis Henrique Machado, que representa o senador, afirmou que não havia prova que ligasse Renan Calheiros às suspeitas.
“A investigação foi, de fato, verticalizada e durou cerca de 5 anos. A defesa sempre atuou de forma colaborativa, de modo que estávamos, desde o início, confiantes com o desfecho no sentido do arquivamento, pois não havia qualquer elemento de prova direito ou indireto que ligasse o Senador à imputação alegada“.
O parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) também destacou que não houve provas de que as medidas de Dilma foram influenciadas por Calheiros nem de que o senador tenha recebido qualquer pagamento ilícito. Gonet argumentou que as evidências iniciais eram insuficientes para continuar com a investigação.
“A autoridade policial não conseguiu alcançar novos elementos relacionados a Calheiros, deixando as evidências iniciais isoladas nos autos. Adicionalmente, diante das informações atualmente disponíveis e decorrentes das diligências já executadas, os indícios iniciais não mais projetam a mesma sombra de gravidade sobre a conduta do investigado, esvaziando a justa causa para continuidade do apuratório contra o parlamentar“, disse Gonet.
O caso também envolve o nome de Milton Lyra, delator da Operação Lava Jato, que ficou conhecido como “lobista do MDB“. Contudo, a PGR argumentou que as evidências apresentadas pela Polícia Federal não sustentavam as acusações contra Calheiros.
Em um trecho do parecer, Gonet ressaltou que “a edição de medida provisória é prerrogativa exclusiva do presidente da República, conforme estipula a Constituição”, defendendo que a ação do senador não teria ultrapassado suas competências.
Outros casos
Em outubro de 2024, a PGR também solicitou o arquivamento de outro inquérito, que investigava senadores do MDB por suposto favorecimento da empresa Hypermarcas (atualmente Hypera Pharma) no Senado em troca de propina.
O inquérito, iniciado em 2018, foi baseado na delação premiada de Nelson Mello, ex-diretor da farmacêutica, que afirmou que R$ 20 milhões foram pagos aos senadores do MDB, incluindo Renan Calheiros, através do lobista Milton Lyra. O STF acatou o pedido de arquivamento da PGR e finalizou a investigação.
Gonet apontou falta de provas e discordou da Polícia Federal, que indiciou Braga, Calheiros e o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) sob suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa por supostos crimes entre 2013 e 2015.
O procurador afirmou, em seu parecer, que os elementos reunidos pela PF “não foram suficientes” para “corroborar o envolvimento de José Renan Vasconcelos Calheiros e Carlos Eduardo de Souza Braga nos ilícitos”.
“A hipótese criminal, no que concerne à autoria delitiva dos parlamentares, é informada somente pelas declarações dos colaboradores, sem corroboração nos demais elementos informativos coligidos ao apuratório, mesmo após a execução de exaustivas medidas cautelares destinadas a angariar novas evidências.”
Mais Lidas
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Política
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Últimas Notícias
Hugo Calderano conquista Copa América e garante vaga no Mundial de Macau
Câmara aprova criação de cargos em ministérios com impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026
Matéria reúne diferentes propostas de iniciativa do Poder Executivo e foi aprovada em votação simbólica, sem o registro individual do posicionamento dos parlamentares
Senado aprova MP do Gás do Povo com impacto de R$ 5,1 bilhões no Orçamento; texto segue para sanção de Lula
Programa amplia alcance do vale-gás e prevê novas regras para revendas
Aleluia aponta ‘omissão’ do PT na segurança pública e diz que crime organizado impõe regras na Bahia
Ex-deputado cita atuação do crime organizado, mortes e aponta suposta falta de prioridade do governo estadual sobre o tema da segurança pública
Ação de Carnaval com Aline Patriarca agita o BBB 26 em dia de definição do paredão
Música, comida e brincadeiras marcam ação carnavalesca às vésperas da eliminação
Carballal diz que decisão sobre candidatura está nas mãos de Jerônimo e minimiza saída de Coronel da base
De acordo com o presidente da CBPM, o próprio governador já sinalizou que uma conversa sobre o cenário político ocorrerá em um 'momento adequado'
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Ao Portal M!, ex-ministro garante que 'tempo de negociar participação em chapa com o MDB passou'
Lídice articula reunião da bancada baiana com o Ministério da Agricultura para enfrentar crise do cacau
Parlamentar aponta falhas na fiscalização fitossanitária e deságio imposto por indústrias importadoras
CPMI do INSS amplia investigação e envolve filho de Lula e entorno de Flávio Bolsonaro
Quebras de sigilo e requerimentos colocam aliados de PT e PL no centro das apurações sobre fraudes em descontos e consignados
Prefeitura entrega nova contenção em Plataforma e amplia proteção contra deslizamentos em Salvador
Com investimento de R$4,5 milhões, a intervenção foi executada para reforçar a segurança de moradores e comerciantes, especialmente durante o período de chuvas
Alex da Piatã nega crise no PSD e reforça liderança de Otto Alencar após saída de Coronel
Deputado destaca coesão da legenda após saída de Angelo Coronel e descarta interferência de Gilberto Kassab sem aval do comando baiano