Doação de corpos ainda é tabu no Brasil: professora da Ufba defende importância para formação em saúde
Telma Masuko explica como programas de doação transformam o aprendizado de estudantes e fortalecem a prática médica e multidisciplinar
Divulgação
A professora do Departamento de Biomorfologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Telma Masuko, defendeu, nesta sexta-feira (24), a importância da doação de corpos para a formação em saúde. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104,3 FM), Masuko, que coordena o Laboratório de Anatomia e o Programa de Doação de Corpos, revelou que o Brasil possui cerca de 300 faculdades de medicina, mas apenas 41 programas estruturados de doação de corpos
Durante conversa com o jornalista e editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, e também com os jornalistas Matheus Morais, Gomes Nascimento e Catia Rhawllesty, a especialista ressaltou que em universidades como a UFBA, cada corpo doado permite que milhares de alunos tenham acesso a práticas que modelos sintéticos não podem oferecer, formando profissionais mais preparados e confiantes.
“É realmente uma situação peculiar, porque todo mundo está acostumado a ouvir doação de órgãos, mas doação de corpo pouca gente sabe. Para você ter uma ideia, nós temos mais ou menos 300 faculdades de medicina no Brasil, e somente temos 41 programas de doação de corpos no Brasil inteiro. Então, é muito carente e é pouco divulgado esse tipo de doação”, disse Telma.
Diferença entre estudo em cadáver e modelos artificiais
O estudo em cadáver humano oferece percepção anatômica detalhada e tridimensional, essencial para o aprendizado. Enquanto modelos sintéticos ajudam na visualização, eles não substituem a experiência prática que prepara estudantes para procedimentos clínicos complexos. Além disso, a prática em corpos humanos reforça valores éticos e respeito à vida, promovendo uma relação de responsabilidade com futuros pacientes.
“Essa noção de profundidade modifica muito com o estudo em cadáver. Eu pergunto para qualquer um de vocês, o que é que você preferia ser atendido por um médico que estudou no modelo sintético ou por um médico que estudou no cadáver. Eu acredito que a maioria vai responder que prefere que tenha estudado em um cadáver”, disse a professora.
Processo de doação e critérios de elegibilidade
De acordo com a especialista, a doação de corpos pode ser feita em vida ou por familiares após o falecimento, mediante preenchimento de termos específicos de intenção e consentimento para uso científico.
“A doação é feita da seguinte forma: o doador tem que preencher um termo de intenção de doação para a universidade, para alguma instituição que tenha anatomia com o uso de cadáver. Existem muitas universidades, atualmente, que não têm cadáver para estudo, mas procurar uma, de preferência que tenha um programa de doação de corpos, que aí facilita muito esse trâmite”, afirmou Masuko.
Ela também apontou a existência de critérios específicos de elegibilidade, incluindo idade mínima, peso corporal adequado e ausência de doenças infectocontagiosas graves. Acidentes que exijam inspeção detalhada também podem impedir a doação.
Conservação, preparo e uso dos corpos
Durante a entrevista, a professora também explicou que técnicas modernas de fixação permitem que os cadáveres mantenham características fisiológicas próximas ao corpo vivo, possibilitando que os alunos realizem procedimentos clínicos e cirúrgicos de maneira realista. Essa abordagem eleva a qualidade do ensino, preparando os futuros profissionais para atender milhares de pacientes ao longo de suas carreiras.
“A gente tem a condição de até fazer uma intubação, por exemplo, se a gente for lembrar da Covid, do período de Covid, os alunos e os médicos, muitos não tinham intubado nenhuma vez e tiveram que intubar nessa hora no paciente, tiveram que aprender a intubação no paciente. Esses tipos de exames e procedimentos clínicos cirúrgicos, a gente consegue fazer com essa técnica mais recente”, explicou.
Após o período de estudo, os corpos são tratados com extremo respeito e submetidos à cremação, considerada prática mais ética que o sepultamento. Partes do material também podem ser preservadas em museus de anatomia, garantindo a continuidade do aprendizado e pesquisa científica.
Impacto da doação para a sociedade
Por fim, Telma Masuko ressaltou que a divulgação e o incentivo à doação são fundamentais para suprir a demanda, garantindo que estudantes tenham acesso a experiências práticas essenciais e fortalecendo a qualidade do atendimento multidisciplinar no Brasil.
Informações para doação de corpos
Para mais informações sobre doação de corpos para fins acadêmicos, entre em contato com:
Telefone: (71)3283-8888
E-mail: doarcorpo.ufba@gmail.com
Acesse: https://ics.ufba.br/node/36
Siga: @transcendendoalemdavida.ufba
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