STF e anulação de mandatos: Câmara pede mais tempo para implementação
Parlamento busca adiar efeitos da decisão que invalida eleição de sete deputados federais eleitos em 2022
Lula Marques/Agência Brasil
A Câmara dos Deputados apresentou, nesta segunda-feira (17), um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a decisão que invalida a eleição de sete parlamentares eleitos em 2022 não seja imediatamente implementada. O argumento central da Casa é a necessidade de uma “análise minuciosa”, evitando impactos abruptos na composição do Parlamento e garantindo segurança jurídica.
Segundo o documento enviado ao STF, a execução da decisão antes do trânsito em julgado pode gerar “convulsão na representação parlamentar, com perdas e assunções de mandato que impactam diretamente no funcionamento e organização da Câmara dos Deputados”. Dessa forma, o Legislativo pede cautela e proporcionalidade na aplicação da medida.
Base legal e argumentação da Câmara
O pedido da Câmara fundamenta-se na Lei nº 9.868/1999, que regula as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI). A Casa destaca a diferença entre as medidas cautelares, que têm efeito imediato por tratarem de situações urgentes, e as decisões de mérito, cujos efeitos só são aplicados após o trânsito em julgado e a publicação do acórdão.
A argumentação do Parlamento é de que, sem a conclusão definitiva do processo, qualquer alteração na composição da Casa poderia comprometer a estabilidade do Legislativo, gerando insegurança política e jurídica.
Decisão do STF e seus impactos
O Supremo Tribunal Federal invalidou, na última quinta-feira (16), os mandatos de sete deputados federais eleitos em 2022. A medida decorre da aplicação de regras de distribuição das sobras eleitorais, que foram consideradas inconstitucionais. Os parlamentares afetados pela decisão são:
- Sílvia Waiãpi (PL-AP)
- Sonize Barbosa (PL-AP)
- Professora Goreth (PDT-AP)
- Augusto Puppio (MDB-AP)
- Gilvan Máximo (Republicanos-DF)
- Lebrão (União-RO)
- Lázaro Botelho (PP-TO)
Apesar da decisão do STF ter efeito imediato, sua execução depende da Justiça Eleitoral e da própria Câmara dos Deputados. Enquanto partidos como PSB, PCdoB e Podemos pressionam pela implementação rápida da medida, a mesa-diretora da Câmara defende que a aplicação ocorra somente após a conclusão de todos os trâmites processuais.
Quem deve assumir vagas
Caso a decisão do STF seja efetivada, os seguintes parlamentares devem ocupar as cadeiras:
- Professora Marcivânia (PCdoB-AP)
- Paulo Lemos (PSOL-AP)
- André Abdon (PP-AP)
- Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
- Rafael Bento (Podemos-RO)
- Tiago Dimas (Podemos-TO)
- Aline Gurgel (Republicanos-AP)
Contexto jurídico e político
O embate entre a Câmara e o STF ocorre devido à decisão da Corte, em fevereiro de 2024, que considerou inconstitucional a mudança feita pelo Congresso em 2021 nas regras de distribuição das sobras eleitorais. Essas regras foram aplicadas nas eleições de 2022, mas posteriormente foram consideradas irregulares, levando à necessidade de revisão dos mandatos.
O STF precisou definir se a decisão teria efeito apenas a partir das próximas eleições ou se afetaria retroativamente os resultados de 2022. Com a escolha pela retroatividade, a Corte determinou a substituição dos parlamentares eleitos com base na norma considerada inválida.
A redistribuição de vagas obedece aos critérios vigentes antes da alteração de 2021, os quais exigiam que os partidos atingissem pelo menos 80% do quociente eleitoral e que os candidatos tivessem no mínimo 20% desse índice para concorrer às sobras.
STF vai analisar pedido da Câmara
O STF ainda precisa avaliar o pedido da Câmara, que busca garantir um prazo maior para a implementação da decisão. Caso a Corte negue o adiamento, os novos parlamentares poderão ser empossados em breve, alterando o equilíbrio de forças na Casa.
Enquanto isso, o impasse segue dividindo opiniões no meio político e jurídico, reforçando a importância de um debate aprofundado sobre as regras eleitorais e a estabilidade institucional no Brasil.
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