Rui Costa projeta saída do governo Lula para disputar Senado, critica oposição e descarta eleição em W.O. na Bahia
Ministro da Casa Civil acompanhou Jerônimo Rodrigues em vistoria de macrodrenagem em Salvador, nesta segunda-feira (15)
Feijão Almeida/GOVBA
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que pretende deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de 2026 para disputar uma vaga no Senado Federal, respeitando o prazo legal de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral. A declaração foi feita, na manhã desta segunda-feira (15), durante vistoria técnica às obras de macrodrenagem do Canal Mangabeira, em Salvador, ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Além de comentar o próprio futuro político, Rui Costa fez críticas à oposição, analisou o cenário da disputa presidencial de 2026, defendeu o fim da impunidade no país e questionou o atual modelo de distribuição do orçamento federal. Segundo ele, não existe eleição definida antecipadamente na Bahia e qualquer projeto político precisa ser construído com trabalho e comparação de resultados.
“Eu fiquei de voltar a conversar com o presidente sobre isso agora no início do ano. A única condição que eu preciso ter é uma última conversa com o presidente, porque ele está buscando reforçar as candidaturas dos estados e a minha candidatura se enquadra nessa estratégia de fortalecer o Congresso Nacional, especialmente o Senado”, disse o ministro.
Saída do governo e articulação para 2026
De acordo com Rui Costa, a eventual candidatura ao Senado está inserida em uma estratégia mais ampla do presidente Lula de fortalecer a base governista nos estados e no Congresso Nacional. O ministro destacou que a decisão está dentro dos prazos estipulados pela legislação eleitoral. Caso se confirme sua candidatura, o atual senador Angelo Coronel (PSD) poderá ficar fora da chapa governista “puro sangue”, já que o senador Jaques Wagner (PT) também disputará a reeleição ao lado governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Segundo a legislação, ministros e secretários que pretendem disputar eleições devem deixar seus cargos até seis meses antes do pleito. No caso das eleições de 2026, o prazo final se encerra no início de abril.
“O último dia que qualquer ministro ou secretário que vai disputar a eleição tem que sair é um dia antes dos seis meses da eleição, ou seja, no início do dia 3 de abril todos terão que sair quem for candidato. Essa é a minha programação. Essa conversa final com o presidente é fundamental”, afirmou.
Críticas à oposição e ao cenário presidencial
No âmbito da eleição presidencial de 2026, Rui Costa avaliou como “autêntica” a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome do campo bolsonarista e alfinetou o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, afirmando que o ex-prefeito de Salvador terá de assumir claramente um lado político caso volte a disputar o governo da Bahia. Para o ministro, setores da oposição torceram para que o país desse errado, apostando no fracasso do governo federal como estratégia política.
“Eu diria que é uma escolha mais autêntica da direita brasileira [a escolha de Flávio Bolsonaro]. E agora o ‘tanto faz’ [referindo-se a ACM Neto] vai ficar mais desvergonhado. Vai ter que assumir de que lado de fato ele esteve e ele está. Porque quando a família [Bolsonaro] pediu até intervenção militar dos Estados Unidos, eles aqui na Bahia ficaram caladinhos”, disparou Rui.
Defesa dos resultados do governo Lula
Rui Costa também usou a agenda em Salvador para defender os resultados do governo Lula na área econômica e social. Segundo ele, o país encerra o terceiro ano de mandato com indicadores melhores do que os registrados no início da gestão.
“Graças a Deus nós estamos encerrando o terceiro ano do presidente Lula com tudo dando certo. Todos os indicadores sociais e econômicos estão muito melhores do que quando o presidente chegou. A cesta básica caiu de preço, é a menor inflação em 4 anos e a maior geração de emprego desde que se faz pesquisa.”
O ministro citou ainda o aumento da massa salarial, a ampliação de programas habitacionais e medidas voltadas à redução da carga tributária para a população de baixa renda. “Batemos recorde no Minha Casa, Minha Vida, com 2 milhões de unidades agora em dezembro, caminhando para 3 milhões até 2026. É o maior processo de inclusão social que o país já viveu”, declarou.
Eleições na Bahia e rejeição ao discurso de W.O.
No âmbito das eleições estaduais, o ministro Rui Costa descartou qualquer possibilidade de eleição definida antecipadamente. Segundo ele, a história política mostra que soberba e acomodação costumam levar à derrota.
“Não existe eleição de W.O. Quem entra achando que já ganhou entra de sapato alto e a tendência é perder. Na política é a mesma coisa. Quem entra achando que não precisa trabalhar perde”, disse o petista.
O ministro defendeu a comparação entre gestões e políticas públicas como principal critério para a escolha do eleitor. “É só comparar. Comparar saúde, educação, habitação. Comparar 20 anos de governo do Estado com 16 anos de prefeitura. O povo sabe decidir”, ressaltou.
Impunidade e crítica ao modelo orçamentário
Rui Costa também falou sobre a divisão política no país e defendeu o fim da impunidade como eixo central do enfrentamento à criminalidade, independentemente da classe social dos envolvidos. “Impunidade é a irmã gêmea da criminalidade. Quanto maior a impunidade, maior será a criminalidade. Crime é crime, seja de colarinho branco, seja na periferia”, declarou.
Ele também criticou o atual modelo de execução do orçamento federal, com grande peso das emendas parlamentares, afirmando que o sistema compromete a capacidade de investimento do Executivo. “Não existe em nenhum lugar do mundo um Parlamento executando metade do orçamento. Esse modelo está falido e precisa ser consertado, porque não ajuda o povo, só prejudica”, afirmou o ministro da Casa Civil em visita a Salvador.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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