PF aponta tentativa da Abin de constranger Flávio Dino em investigação sobre espionagem ilegal
Relatório revela articulação dentro da inteligência para associar ex-ministro a sistema espião, após pedido de apuração sobre uso indevido da ferramenta
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) revelou em relatório, nesta quinta-feira (19), que Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de uma tentativa de constrangimento político articulada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mesmo após a troca de governo. O episódio ocorreu após Dino, então ministro da Justiça, requisitar a investigação de um esquema de espionagem ilegal envolvendo a própria agência.
Agente da Abin buscou vincular Dino ao uso de software investigado
O relatório da PF aponta que Marcelo Furtado, agente do Departamento de Operações de Inteligência da Abin e investigado na Operação Última Milha, tentou vincular Dino ao uso do software israelense FirstMile, ferramenta que foi central no esquema de monitoramento ilegal revelado pela investigação.
Furtado encaminhou ao diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti, informações sobre um suposto contrato do governo do Maranhão, então comandado por Dino, com o objetivo de verificar se havia uso da mesma tecnologia. A movimentação, segundo a PF, teria o objetivo de gerar desgaste político ao ex-ministro.
A resposta de Moretti, afirmando que “daria uma olhada”, é interpretada como adesão à tentativa de criar um fato político. Segundo os investigadores, a intenção era demonstrar que Dino teria utilizado tecnologia semelhante àquela que ele mesmo mandou investigar, o que poderia enfraquecer sua posição no caso.
Sistema espião foi usado para monitoramento político
O sistema FirstMile permite rastrear alvos por meio da localização de seus celulares e foi adquirido pela Abin ainda na gestão anterior. O uso da ferramenta foi apontado pela PF como parte de uma operação ilegal, com alvos diversos, incluindo políticos, juízes, jornalistas e autoridades dos três poderes.
As investigações indicam que o aparato montado dentro da agência de inteligência servia a interesses políticos e tinha por objetivo produzir dossiês, alimentar ataques em redes sociais e até desestabilizar adversários do governo anterior.
Bolsonaro, Ramagem e Carlos estão entre os indiciados
O escândalo envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin. Todos foram formalmente indiciados pela PF por participação no esquema de espionagem e uso indevido de ferramentas da inteligência.
Além deles, outros 30 nomes integram a lista de indiciados, incluindo integrantes da atual gestão da Abin, como o diretor Luiz Fernando Corrêa. Segundo a PF, Carlos Bolsonaro se beneficiava das informações para alimentar perfis com ataques a opositores, enquanto Bolsonaro e Ramagem coordenavam a estrutura paralela.
Espionagem foi usada para alimentar redes sociais e atacar adversários
A investigação aponta que dados obtidos ilegalmente eram utilizados para a produção de conteúdo em redes sociais, promovendo desinformação e ataques direcionados. Carlos Bolsonaro, de acordo com a PF, teria papel central nessa operação, transformando a inteligência estatal em arma de propaganda.
A estrutura, segundo o relatório, foi montada sob orientação direta de Ramagem e funcionava à margem da legalidade. A ferramenta israelense era acionada para rastrear a última localização conhecida de alvos, muitos dos quais não tinham qualquer vínculo com segurança nacional.
Investigações se conectam com tentativa de golpe
A Polícia Federal também estabeleceu conexões entre o esquema de espionagem e os atos golpistas investigados no STF. Documentos obtidos durante as apurações mostram que o sistema da Abin teria sido utilizado para planejar estratégias de desinformação contra as urnas eletrônicas e instituições democráticas, com o objetivo de manter Bolsonaro no poder.
Próximos passos envolvem STF e Ministério Público
Com a conclusão do relatório, a PF encaminhará o material ao Supremo Tribunal Federal, que remeterá à Procuradoria-Geral da República (PGR). O Ministério Público terá até 15 dias para decidir se apresenta denúncia formal, solicita diligências complementares ou arquiva o caso.
Se a denúncia for aceita pelo STF, os indiciados passam à condição de réus e responderão a processo criminal. Nesse cenário, Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos enfrentariam um novo capítulo na série de ações judiciais que se acumulam desde o fim de seu mandato.
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