Ministro diz que governo Lula estuda reajustar Bolsa Família em função da alta dos alimentos
Casa Civil negou que haja estudos em andamento sobre reajuste no valor do Bolsa Família
Wilson Dias/Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou, nesta sexta-feira (7), que o governo federal estuda um possível reajuste no Bolsa Família em meio ao aumento no preço dos alimentos. Segundo ele, a decisão deve ser tomada até o final de março.
“Está na mesa. A decisão vai ser tomada até o final de março”, disse o ministro.
A discussão ocorre em um contexto de alta de pouco mais de 8% na inflação dos alimentos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro ressaltou que a elevação dos preços no fim de 2023 motivou a consideração de um ajuste no benefício.
“O problema é o preço do alimento, que teve essa elevação brusca do fim do ano passado para cá”, afirmou.
O ministro afirmou que o governo avalia se a medida será um reajuste no valor pago aos beneficiários ou um complemento específico para alimentação. A definição será feita em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Impacto no número de beneficiários
O Bolsa Família atende atualmente 20,8 milhões de famílias. O ministro destacou que, apesar do número elevado de beneficiários, a tendência é de redução conforme mais pessoas superam a pobreza. “Estão se formando, se qualificando, empreendendo”, afirmou.
Além da discussão sobre o reajuste, a pasta também planeja atrair novos países para a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. O primeiro encontro da iniciativa será realizado em Roma, nesta semana. O projeto foi lançado em novembro de 2023, durante a cúpula do G20.
Repercussão no mercado financeiro
As declarações do ministro impactaram os mercados. Os juros futuros registraram alta e o dólar avançou. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu para 15,03%, ante 14,93% do ajuste anterior. O DI para 2033 passou de 14,58% para 14,75%.
O dólar à vista também apresentou alta, atingindo R$ 5,8086, com variação de 0,78%. A movimentação também refletiu a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, e a perspectiva de novas taxas recíprocas anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump.
Equipe econômica minimiza declaração
Integrantes da equipe econômica minimizaram a fala de Wellington Dias. Segundo o Estadão, fontes do governo afirmaram que não há espaço orçamentário para um reajuste e a medida poderia pressionar ainda mais a inflação.
O Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2024, que ainda aguarda votação no Congresso, destina R$ 167,2 bilhões para o programa. Após as declarações do ministro, o mercado financeiro reagiu, e a cotação do dólar e os juros futuros mantiveram tendência de alta.
Planalto desmente ministro
A Casa Civil, no entanto, negou que haja estudos em andamento sobre reajuste no valor do Bolsa Família. “Não existe estudo no governo sobre aumento do valor do benefício do Bolsa Família. Esse tema não está na pauta do governo e não será discutido“, informou ao IstoÉ Dinheiro.
O Ministério da Fazenda também afastou a possibilidade de um aumento no momento.
O Bolsa Família foi relançado em março de 2023 pelo governo Lula, com um valor mínimo de R$ 600 para todas as famílias contempladas. O MDS reforçou que qualquer mudança será amplamente divulgada pelos canais oficiais, caso ocorra.
Rui Costa aposta em supersafra e queda do dólar
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou, também nesta sexta-feira (7), que o governo federal está otimista com a expectativa de uma supersafra que deve contribuir para a redução dos preços dos alimentos ainda no primeiro semestre de 2025. Segundo o ministro, as condições climáticas favoráveis e os dados positivos do setor indicam que a colheita deste ano será recorde, trazendo alívio para o bolso dos consumidores. O presidente Lula já está na Bahia, onde cumpre agenda na cidade de Paramirim nesta manhã.
“Este ano, a expectativa é de uma supersafra. O clima está ajudando e, ao longo deste primeiro semestre, teremos a colheita. Todos os dados indicam que teremos uma supersafra, o que resultará na queda do preço dos alimentos. Portanto, a expectativa é positiva”, declarou Rui Costa em entrevista ao Portal Metro1 – Rádio Metropole, da Bahia.
Críticas da oposição
Parlamentares da oposição ironizaram as declarações do presidente. “Se o arroz está caro, é só não comer. Se o gás está caro, é só não cozinhar. Se a gasolina está cara, é só ficar em casa”, comentou o senador Ciro Nogueira (PP). Já o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmo que “no governo Lula, se a comida tá cara, ‘não compra’”. “Se o aluguel tá caro, ‘mora na rua’”.
Preço dos alimentos e preocupação do governo
A alta dos preços dos alimentos tem sido um dos principais focos do governo. Na quinta-feira (6), o presidente Lula sugeriu que a população evitasse comprar produtos com preços elevados, declaração que gerou repercussão nas redes sociais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a valorização do real frente ao dólar pode ajudar a reduzir os preços dos alimentos no médio prazo.
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