Lula lança novo crédito imobiliário e diz querer criar ‘sociedade de classe média’ no Brasil
De acordo com o presidente, país precisa continuar promovendo políticas de ascensão social para garantir que mais pessoas possam melhorar de vida
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o governo federal pretende criar uma “sociedade de classe média” no Brasil por meio de políticas de inclusão social. A declaração foi feita durante o lançamento do novo modelo de crédito imobiliário, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Segundo Lula, o país precisa continuar promovendo políticas de ascensão social para garantir que mais pessoas possam melhorar de vida.
“Há uma necessidade da gente continuar fazendo política de inclusão social para ver se a gente faz as pessoas subirem um degrau na escala social, para que a gente crie uma espécie de sociedade de classe média”, afirmou o presidente.
Presidente rebate críticas aos programas de assistência
Durante o evento, o presidente também rebateu críticas aos programas de assistência, afirmando que 90% dos brasileiros são beneficiados de alguma forma pelas políticas públicas do governo. Lula comentou ainda a derrota do Executivo na votação da Medida Provisória que tratava de alternativas à alta do IOF, na quarta-feira (8), e criticou os setores mais ricos. “Ricos, fintechs e bets não querem pagar uma merreca de tributos”, disse o chefe do Executivo.
Ele destacou que as críticas sobre o volume de recursos destinados a programas como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia desconsideram a realidade da renda nacional.
“Muita gente faz muitas críticas às políticas de inclusão social que nós fazemos, que é muito dinheiro para Bolsa Família e Pé-de-meia, mas acontece que somos uma sociedade em que 90% ganham menos de R$ 5 mil por mês”, afirmou Lula.
O presidente brincou com o deputado Guilherme Boulos (PSOL), ao comentar o histórico de ocupações urbanas no país. “Todo mundo sabe que esse País virou uma república de invasão de condomínio. O Boulos está aqui, eu não sei se Boulos era da época de invadir condomínio”, ironizou.
Governo anuncia novo programa de créditos habitacional
O novo formato de crédito habitacional apresentado pelo governo busca corrigir o esgotamento da poupança como principal fonte de financiamento e propor uma transição para um sistema mais flexível e sustentável. A partir do novo mecanismo, a cada real emprestado em crédito habitacional, os bancos poderão utilizar o mesmo valor em recursos da poupança por até cinco anos, com possibilidade de prorrogação mediante novas concessões.
Atualmente, 65% dos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) devem ser destinados ao crédito imobiliário, enquanto 20% são recolhidos compulsoriamente pelo Banco Central e 15% permanecem de uso livre. Com a mudança, a autoridade monetária deve liberar cinco pontos percentuais do compulsório, o que pode gerar impacto de até R$ 25 bilhões no setor.
Os valores liberados deverão ser aplicados em 80% no Sistema de Financiamento Habitacional (SFH), com juros máximos de 12% ao ano, e 20% no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que opera com taxas de mercado. A implantação ocorrerá de forma gradual até o fim de 2026, com previsão de funcionamento pleno em 2027.
Caixa retoma financiamento de até 80% no SBPE
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou que o banco retomou o financiamento de até 80% no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. O anúncio foi feito durante a mesma cerimônia e recebeu aplausos do público presente.
Vieira também destacou que, com o apoio do Ministério da Fazenda e do Banco Central, a Câmara dos Deputados elevou para R$ 2,25 milhões o teto de financiamento do Sistema Financeiro de Habitação. Segundo ele, a medida incentiva o setor da construção civil, fortalecendo tanto bancos públicos quanto privados.
O dirigente afirmou que ações coordenadas entre o governo e o sistema financeiro reforçam a confiança do mercado e ampliam as oportunidades de crédito para famílias brasileiras, com impacto direto na geração de empregos e na economia nacional.
Alckmin destaca segurança e impacto econômico
Presente no evento, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o Marco Legal das Garantias tornou o crédito mais seguro e reduziu o spread bancário. Segundo ele, a política também contribui para o crescimento de setores sustentáveis sem provocar desequilíbrio fiscal.
Alckmin ressaltou a importância da nova política habitacional ao reconhecer as dificuldades enfrentadas por trabalhadores para adquirir moradia. “Não é fácil para o assalariado comprar uma casa”, disse. Para o ministro, o governo dá um “passo histórico” ao ampliar o acesso ao crédito e modernizar o sistema de empréstimos no país.
Durante o evento, ele também destacou o papel da indústria e do crédito como vetores de desenvolvimento, apontando que o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e inclusão é fundamental para garantir sustentabilidade econômica.
Haddad: medida é estrutural e fruto de diálogo com o BC
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o novo modelo de crédito imobiliário é uma conquista estrutural viabilizada “graças ao Banco Central”. Segundo ele, a proposta substitui mecanismos antigos da poupança por um formato permanente e sustentável de financiamento.
Haddad afirmou que o novo crédito é “muito melhor” do que a simples liberação de compulsórios, pois garante previsibilidade e segurança. O ministro acrescentou que o governo utilizará o ano de 2026 como base para calibrar os parâmetros do sistema, em diálogo com o BC, o Ministério do Planejamento e a Fazenda.
“Nós esperamos que no final do ano que vem, as condições de política monetária estejam substancialmente diferentes das atuais. Então nós podemos rever os parâmetros”, disse Haddad. Ele destacou ainda que o Marco de Garantias oferece segurança às indústrias automotiva e de construção civil para expandirem suas atividades.
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