Lula diz em Salvador que política ‘apodreceu’ e critica custo eleitoral durante aniversário do PT
Declarações foram feitas durante evento dos 46 anos do PT na Bahia em meio à articulação política para 2026
Reprodução/Instagram @jeronimorodriguesba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste sábado (7), em Salvador, que a política brasileira “apodreceu” e está “muito mercantilizada”. A declaração foi feita durante o encerramento das comemorações pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em evento realizado no Trapiche Barnabé, na capital baiana.
Ao lado da futura chapa baiana “puro sangue” – governador Jerônimo Rodrigues, senador Jaques Wagner e ministro Rui Costa (Casa Civil) –, e principais lideranças do PT na Bahia, Lula usou o discurso para fazer críticas ao atual modelo eleitoral, defender alianças políticas e antecipar elementos centrais da estratégia para a disputa de 2026. A ministra da Cultura, a cantora baiana Margareth Menezes, também esteve presente e cantou o Hino Nacional.
Crítica ao custo das campanhas e ao “mercado eleitoral”
Durante a fala, Lula atacou diretamente o alto custo das campanhas eleitorais e afirmou que o processo político no país se transformou em um verdadeiro mercado. Segundo ele, a lógica financeira passou a ditar as regras da disputa eleitoral, afastando a política de sua função original de representação popular.
“Os nossos deputados são testemunhas que a política apodreceu. A política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como é que está o mercado eleitoral nesse país. Vocês sabem quanto custa um cabo eleitoral. Vocês sabem quanto custa o vereador. Vocês sabem quanto custa o preço de cada candidatura nesse país. O que é uma vergonha”, disse o presidente, sem alterar o tom crítico ao longo do discurso.
Lula lembrou ainda do período em que campanhas eram financiadas de forma mais simples, com arrecadação feita por meio da venda de camisetas e contribuições diretas da militância. Para ele, o volume de recursos que hoje circula no processo eleitoral compromete a essência democrática da política.
“Agora, é dinheiro rolando para tudo quanto é lado, não é possível”, criticou o petista, que desembarcou na capital baiana nesta última sexta-feira para entregas na área da saúde.
Alianças políticas e preparação para disputa eleitoral
Em outro momento, o presidente fez um alerta aos aliados e reforçou a necessidade de preparação para o próximo ciclo eleitoral. Lula destacou que o PT precisará ampliar alianças e citou nominalmente partidos que já integram a base do governo.
“E essa campanha agora, se preparem, porque vocês, os nossos aliados, Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e quem mais a gente conseguir trazer, sabe, quem mais a gente conseguir trazer…”, afirmou.
Nos bastidores, o governo tem intensificado articulações no Congresso Nacional para fortalecer sua base de apoio. A estratégia envolve a defesa de pautas com forte apelo popular, como o debate sobre o fim da escala 6×1 e a regulação do trabalho por aplicativo, vistas como marcas de uma agenda social voltada à eleição de 2026.
Economia, narrativa política e recado à oposição
Lula também afirmou que a oposição não terá argumentos nas urnas ao comparar os indicadores econômicos. Em referência ao discurso feito na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o presidente citou a queda da inflação, o aumento real do salário mínimo e os recordes do Índice Bovespa (Ibovespa) como exemplos de resultados positivos.
“Quando a Bolsa cresce, a gente não ganha nada. Mas quando ela cai, o País inteiro perde. É assim. Nós só ficamos com o prejuízo”, afirmou.
Apesar disso, Lula reconheceu que ainda não está satisfeito com a política de isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, reiterando que “salário não é renda” e mudanças estruturais exigem ampla composição política.
Elogios a alckmin e defesa da composição ampla
O presidente voltou a elogiar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em meio às especulações sobre a manutenção da chapa. Lula destacou o simbolismo da aliança e afirmou que ela demonstra a capacidade da política de construir convergências.
“Quando é que vocês imaginaram que eu e Alckmin íamos estar juntos? Nunca. Então, veja, o dado concreto é que isso mostra que a política é uma arte”, disse. Em seguida, completou: “O Geraldo Alckmin é uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida, porque é um homem extraordinário, que eu respeito e admiro”.
Lula reconheceu ainda que o PT enfrenta dificuldades em alguns estados, como São Paulo, e defendeu composições regionais para garantir competitividade eleitoral.
Democracia, fake news e cenário internacional
Ao se dirigir à militância, o presidente reforçou a importância do combate à desinformação e afirmou que a próxima eleição será marcada por forte embate político. “Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados para ela”, disse, defendendo uma atuação mais incisiva do partido contra as fake news.
Lula também abordou temas internacionais, manifestando solidariedade ao povo cubano e defendendo que a crise da Venezuela seja resolvida internamente. “O problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo venezuelano, e não pelos Estados Unidos ou pelo (Donald) Trump”, afirmou.
O presidente elogiou ainda a parceria do Brasil com a China, destacando a cooperação comercial e mencionando disputas globais em torno das chamadas terras raras, minerais considerados estratégicos para a economia mundial. Ao final do discurso, Lula afirmou que o que estará em jogo em 2026 é a preservação da democracia brasileira.
“O que está em jogo é se a gente vai permitir que esse País continue a ser democrático”, concluiu, reforçando o tom político que marcou todo o evento em Salvador.
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