“A poesia me deu um lugar de indivíduo”, reflete Liniker durante mesa na Flica
Artista participar da mesa “Criar dentro dos sonhos, inaugurar línguas, destruir processos”
Diego Silva
Cantora, compositora e imortal na Academia Brasileira de Cultura, Liniker, uma das principais vozes da causa trans no Brasil, emocionou o público ao participar da mesa “Criar dentro dos sonhos, inaugurar línguas, destruir processos”, durante a abertura da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), nesta quinta-feira (17). A mesa contou com a participação da escritora e ativista visual Jota Mombaça e foi mediada pela artista Carol Barreto.
Liniker falou sobre como a poesia foi uma ferramenta de autoconhecimento desde os 15 anos, quando ela começou a escrever, e ressaltou a importância do ofício como forma de reconhecimento pessoal e transformação.
“Quando eu comecei a escrever e fazer minhas próprias poesias com 15 anos, eu tinha muita dificuldade de entender quem eu era. E aí, quando eu escrevia, essa poesia foi me dando um lugar de indivíduo, ela nasceu como reconhecimento e me fez entender que ela me transformava e que aquilo poderia virar não só um lugar de sonho, mas um lugar também de alimentação e sustento. A música nesse tempo era ainda guardada no lugar mais secreto de mim”, declarou a artista.
Jota Mombaça, por sua vez, destacou que a criação artística deve ir além da resposta às opressões. Ela enfatizou que o processo criativo não deve ser restrito às injúrias e traumas, mas deve abrir espaço para sonhar e explorar novas possibilidades.
“Devemos poder sonhar não como resposta pelo que a gente sofre, e sim sonhar com as possibilidades que vibram no nosso peito, precisamos não estar confinados à necessidade de responder à injúria racial e ao comentário transfóbico, para que possamos acessar uma dimensão muito mais excitante da criação com a responsabilidade de influenciar outras pessoas para abertura de outros caminhos”, disse.
As duas artistas também criticaram a pressão do mercado sobre os criadores, que muitas vezes exige lançamentos rápidos e novos produtos. Liniker abordou a importância de respeitar o tempo da criação, afirmando que não segue o ritmo mercadológico em seu trabalho. Ao falar sobre seu novo álbum, “Caju”, a artista destacou a liberdade de poder decidir sobre cada detalhe, sem se limitar ao tempo imposto pela indústria musical.
Liniker também comentou o processo de produção musical de seus discos, ressaltando a importância de assumir o controle criativo completo. “Agora não é só o jeito que eu canto e o jeito que eu escrevo, é também o que eu decido sobre a textura e a durabilidade desse som”, disse. Ela mencionou que no álbum “Caju” se permitiu explorar os sentimentos em uma profundidade que não seria possível em faixas curtas de apenas dois minutos e meio.
Mombaça complementou a discussão ao refletir sobre sua experiência após o lançamento de seu livro em 2021. Ela explicou como precisou de tempo para se reconectar com seu próprio pensamento criativo, resistindo à pressão de produzir constantemente para o mercado. “A criação tem como ser uma coceira que te tira da cama porque a gente tem que respeitar o tempo da surpresa”, afirmou.
A edição de 2024 da FLICA oferece uma ampla programação, com destaque para a Tenda Paraguaçu, além da Fliquinha e Geração Flica. A programação inclui acessibilidade, com tradução em libras e audiodescrição, e é destinada a todas as idades. A curadoria é de Calila das Mercês, Emília Nuñez, Deko Lipe e Linnoy Nonato, enquanto a coordenação geral fica sob a responsabilidade de Vanessa Dantas, CEO da Fundação Hansen Bahia.
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