Lula discute segurança pública com ministros após desgaste político e queda na popularidade
Encontro ocorre após divulgação de pesquisas que apontam primeira oscilação negativa na avaliação do governo desde maio
Reprodução/Piatã FM
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, na manhã desta quinta-feira (13), parte do primeiro escalão do governo para discutir a crise na segurança pública e o impacto do tema sobre sua imagem política. O encontro ocorre após a divulgação de pesquisas que apontam a primeira oscilação negativa na avaliação do governo desde maio e a redução da vantagem do petista sobre possíveis adversários na corrida presidencial de 2026.
Reunião emergencial com ministros
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a reunião teve caráter estratégico e reuniu ministros considerados centrais na articulação política e econômica do governo.
Estiveram presentes:
- Geraldo Alckmin – vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio
- Rui Costa – ministro da Casa Civil
- Fernando Haddad – ministro da Fazenda
- Gleisi Hoffmann – ministra das Relações Institucionais
- Camilo Santana – ministro da Educação
- Wellington Dias – ministro do Desenvolvimento Social
- Renan Filho – ministro dos Transportes
- Ricardo Lewandowski – ministro da Justiça
- Waldez Góes – ministro da Integração e Desenvolvimento Regional
Segundo interlocutores do Planalto, o presidente quis ouvir diretamente os ministros sobre as medidas em curso e discutir ajustes no discurso governista diante do desgaste causado pelas recentes declarações sobre segurança.
“É preciso saber o que fazer para resolver o problema da insegurança e montar um discurso. O assunto tem gerado muito engajamento”, disse um ministro que participou da reunião.
Pressão sobre o governo e adiamento de votação no Congresso
A discussão ocorre em meio à pressão de governadores e parlamentares sobre o projeto de lei que endurece o combate às facções criminosas. A votação da quarta versão do texto, apresentado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), foi novamente adiada após articulação entre governo e oposição, com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Governadores de oposição pediram o adiamento da votação para que o relatório pudesse ser discutido de forma mais detalhada. O Palácio do Planalto também manifestou críticas a alguns pontos do texto, considerados excessivamente duros e inconstitucionais. A decisão foi vista internamente como uma forma de evitar novo desgaste público em meio ao debate acalorado sobre segurança.
A ministra Gleisi Hoffmann confirmou, após o encontro, que Lula pediu empenho dos ministros que já governaram estados para ajudar a construir pontes com o Congresso. O objetivo é sensibilizar parlamentares a aprovarem projetos prioritários do Executivo, incluindo a PEC da Segurança Pública.
Impacto das polêmicas sobre segurança
Desde a megaoperação policial no Rio de Janeiro, no fim de outubro, a segurança pública se tornou o tema mais sensível da agenda do governo. As críticas a Lula se intensificaram após declarações do presidente que afirmou que “traficantes também são vítimas de usuários” de drogas e depois classificou a operação no Rio como “desastrosa” e “matança”. As falas geraram, forte reação entre eleitores e opositores.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta última quarta-feira (12), a desaprovação ao governo passou de 49% para 50%, enquanto a aprovação caiu de 48% para 47%, sinalizando o primeiro recuo nas avaliações positivas desde maio. A percepção de que o governo tem falhado na segurança foi um dos fatores apontados pelos entrevistados como motivo para a queda.
Reflexo no cenário eleitoral de 2026
Outro levantamento da Genial/Quaest, divulgado nesta quinta (13), mostra que, embora Lula continue liderando todos os cenários testados, as margens de vantagem diminuíram. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a diferença caiu de 12 para 5 pontos percentuais. Frente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o cenário é de empate técnico: 42% a 39%.
Os dados acenderam o alerta no núcleo político do Planalto. Assessores próximos admitem que o presidente deve ajustar a forma como trata do tema, evitando declarações polêmicas e reforçando a defesa de uma política de segurança “firme, mas humanitária”.
Governo tenta reagir e alinhar discurso
A reunião desta quinta foi descrita por participantes como “um esforço de reconstrução narrativa”. Lula teria pedido aos ministros propostas concretas para fortalecer as forças de segurança, ampliar investimentos em inteligência policial e melhorar a cooperação entre estados e União.
Nos bastidores, a ordem é mostrar resultados práticos nas próximas semanas e evitar novos ruídos. A estratégia inclui acelerar programas de combate ao crime organizado, reforçar a atuação da Força Nacional em áreas de conflito e articular uma comunicação mais unificada sobre o tema.
O Planalto também planeja uma nova rodada de reuniões com governadores — incluindo oposicionistas — para construir uma agenda comum sobre segurança pública. Com isso, Lula tenta conter o desgaste político e retomar o controle da narrativa sobre segurança, tema que promete ser central nas eleições de 2026.
“O presidente quer diálogo e soluções conjuntas. Não se trata apenas de discurso, mas de resultados”, afirmou uma fonte próxima ao governo.
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