Líder do PT na Câmara pede adiamento de votação do PL Antifacção e cobra saída de Derrite da relatoria
Petista afirma que Derrite não reúne condições para seguir à frente do relatório e alerta para impacto na Receita e nas investigações
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, afirmou, nesta segunda-feira (17), que o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) não reúne condições para seguir como relator do PL Antifacção e defendeu que a Câmara adie a votação prevista para esta terça (18). O petista aponta erros conceituais e riscos à estratégia de descapitalização das facções ao criticar a versão mais recente apresentada pelo deputado.
A cobrança ocorreu após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) confirmar a votação do projeto, mesmo sem consenso entre governo e oposição. O debate envolve definições sobre facções, mudanças na Receita Federal e impacto sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
“A única solução responsável é adiar a votação e trocar imediatamente o relator, com um nome de consenso, retomando o texto técnico do governo. O País não pode enfrentar organizações criminosas com improviso legislativo”, disse.
Derrite apresenta nova versão e governo mantém críticas
A crítica de Lindbergh se concentra na última versão do parecer, divulgada após uma série de ajustes feitos por Derrite. O relator deixou temporariamente a função de secretário de Segurança Pública de São Paulo para conduzir o texto e já apresentou quatro versões desde o início da tramitação. Ele manteve negociações com lideranças partidárias e sinalizou que ainda pode divulgar uma quinta proposta, caso as tratativas avancem.
A discussão ganhou força porque o parecer altera pontos considerados estratégicos pelo governo. Lindbergh afirma que o texto compromete o modelo de descapitalização das facções ao retirar medidas cautelares especiais e ao propor a redistribuição de recursos arrecadados com bens apreendidos. Ele avalia que a mudança pode reduzir a efetividade das investigações integradas entre órgãos de controle.
O governo argumenta que a destinação de valores prevista por Derrite representa risco para o financiamento de operações complexas. De acordo com estimativa mencionada pelo petista, o Ministério da Justiça calcula impacto de R$ 360 milhões nos fundos federais caso a versão seja aprovada.
Câmara mantém votação mesmo sem consenso
Mesmo com o impasse, Hugo Motta mantém o projeto na pauta desta terça-feira (18). O presidente da Câmara reforçou que a proposição integra o conjunto de ações necessárias para fortalecer o enfrentamento ao crime organizado e afirma que o Parlamento precisa oferecer segurança jurídica às operações. Ele destacou que o texto cria bancos de dados nacionais e estaduais e amplia penas aplicadas a integrantes de facções.
Segundo apuração do G1, Motta entende que as mudanças propostas por Derrite estruturam uma resposta firme, embora reconheça que temas sensíveis seguem em discussão. A decisão de manter a análise ocorre após governadores de direita pedirem mais tempo para ajustes, o que pressionou o relator a incluir novas modificações.
Na última semana, Derrite conversou com representantes do governo e líderes partidários para tentar construir consenso. O esforço não avançou diante das divergências entre bancada governista e oposição, especialmente em trechos que tratam da Receita e do fluxo de bens apreendidos.
Divergências entre oposição e governo travam acordo
O Partido Liberal sinalizou apoio ao texto por considerar que Derrite avançou em pontos relacionados à repressão às facções. A sigla tenta incluir a equiparação de crimes cometidos por organizações criminosas ao terrorismo. O PL também apresentou destaques para impedir audiências de custódia em flagrantes envolvendo facções, o que gerou debate sobre protocolos judiciais e impacto no sistema de garantias.
Enquanto isso, o governo defende a retomada do texto original elaborado por técnicos da área de segurança. O Executivo argumenta que o substitutivo desmonta o conjunto de medidas voltadas à asfixia financeira das facções. Lindbergh aponta que a proposta fragiliza investigações conduzidas pela Polícia Federal ao retirar instrumentos de perdimento excepcional.
As diferenças também se concentram na definição de facção criminosa. Derrite incluiu a categoria no relatório, descrevendo organizações ultraviolentas, milícias privadas e grupos paramilitares. O governo, porém, defendia a criação de uma figura penal qualificada com pena maior para quem atuasse com controle territorial ou econômico mediante violência, coação ou ameaça.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington
Segurança da Lavagem do Bonfim 2026 mobiliza mais de 2 mil agentes, ativa CICC e amplia uso de tecnologia
Operação coordenada pela SSP reúne forças policiais, bombeiros e órgãos parceiros para monitorar evento em tempo real
Resumo de Êta Mundo Melhor de 12 a 17 de janeiro: revelações, ameaças e romances em risco
Semana da novela é marcada por ciúmes, confrontos e um atentado que muda os rumos da trama
Resumo de Três Graças de 12 a 17 de janeiro: segredos, confrontos e novas revelações movimentam a semana
Investigação sobre a escultura e conflitos familiares ganham força nos próximos capítulos da novela
Resumo Coração Acelerado de 12 a 17 de janeiro: estreia da novela traz paixões, desencontros, fuga e momentos de humilhação
Trama musical que estreou em 12 de janeiro acompanha a trajetória de uma jovem cantora em busca de espaço e reconhecimento
Eleições 2026: Lula lidera disputa presidencial e vence adversários da direita no 1º turno
Pesquisa nacional indica vantagem do atual presidente em diferentes cenários e aponta empate técnico apenas contra Tarcísio de Freitas no 2º turno
Bahia tem 2ª maior taxa de presos que não retornaram após saidinha de Natal no Brasil
Com 8,1% de evasão, Estado fica atrás apenas do Rio de Janeiro em termos percentuais
BBB 26 estreia com prêmio histórico, retorno do Quarto Branco e primeira madrugada marcada por estratégias e conflitos
Reality abre temporada com mistura de anônimos, famosos e ex-participantes, além de dinâmica de resistência valendo vagas na casa
Pesquisa mostra Lula com 50% de desaprovação e 47% de aprovação entre eleitores
Levantamento nacional aponta cenário de divisão política e avaliação negativa em áreas estratégicas do governo federal