Lídice articula reunião da bancada baiana com o Ministério da Agricultura para enfrentar crise do cacau
Parlamentar aponta falhas na fiscalização fitossanitária e deságio imposto por indústrias importadoras
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) defendeu, nesta terça-feira (3), a mobilização da bancada da Bahia na Câmara dos Deputados para discutir, junto ao Ministério da Agricultura, medidas urgentes voltadas à crise que atinge a produção de cacau no Brasil, sobretudo no sul do estado, diante do enfraquecimento da fiscalização fitossanitária e das perdas financeiras causadas pelo deságio aplicado por grandes indústrias importadoras, cenário que, segundo ela, ameaça a sustentabilidade da cadeia produtiva e exige providências imediatas.
Fiscalização mais branda preocupa produtores
Ao detalhar os fatores que agravam a situação, a parlamentar atribuiu parte do problema à flexibilização das regras de controle sanitário para a entrada do cacau no país. Conforme explicou, a Instrução Normativa nº 125, publicada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fora reduzida as exigências de fiscalização fitossanitária, o que, na avaliação da parlamentar, amplia o risco de contaminações e da chegada de pragas e doenças capazes de comprometer a lavoura nacional. A deputada relembrou os impactos históricos enfrentados pelo setor para contextualizar o alerta.
“Para quem vivenciou os impactos devastadores da vassoura-de-bruxa, a possibilidade de uma nova crise fitossanitária é extremamente preocupante”, afirmou.
Segundo Lídice, a experiência passada demonstra o quanto problemas sanitários podem provocar prejuízos duradouros, afetando não apenas a produção, mas toda a economia regional ligada ao cultivo do cacau.

Créditos: Divulgação
Lídice aponta perdas econômicas elevadas
Além das preocupações sanitárias, a deputada destacou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores. De acordo com ela, as indústrias importadoras têm aplicado um deságio significativo sobre o valor do cacau comercializado.
Esse desconto, conforme pontuou a parlamentar, pode alcançar quase ou até mais de mil dólares por tonelada, o que representa perdas expressivas na renda dos agricultores. Para a Lídice, a prática compromete diretamente a viabilidade da atividade e reduz a capacidade de manutenção das lavouras.
Em sua avaliação, o cenário financeiro se soma aos riscos sanitários, criando um ambiente de insegurança para quem depende da cultura cacaueira como principal fonte de sustento.
Articulação política em Brasília
Diante desse conjunto de desafios, Lídice informou que pretende reunir os deputados da bancada baiana para aprofundar o debate e construir uma agenda conjunta. O objetivo é buscar diálogo institucional com o governo federal para tratar especificamente da pauta do cacau.
“É fundamental que o Ministério dê atenção especial à produção de cacau no Brasil. Precisamos construir uma solução para esse problema”, declarou.
A iniciativa, segundo ela, visa fortalecer a interlocução com o poder público e garantir que as demandas do setor produtivo sejam consideradas na formulação de políticas e decisões administrativas.
Defesa do cacau brasileiro
A deputada também reforçou o compromisso com medidas estruturantes para valorizar a cadeia do cacau. Entre elas, destacou o apoio ao projeto de lei que estabelece um teor mínimo de 35% de amêndoas de cacau no chocolate fabricado no país.
Para Lídice, a proposta é estratégica por estimular o consumo da matéria-prima nacional e fortalecer tanto os produtores quanto a indústria brasileira de chocolate. A medida, segundo ela, pode contribuir para agregar valor à produção interna e ampliar oportunidades econômicas.
“Contem com meu apoio e participação na defesa do cacau brasileiro”, concluiu.
Ingrid Alcântara
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