Kassab defende voto distrital, critica emendas e projeta avanço do PSD em 2026
Presidente da legenda avalia mudanças no sistema eleitoral, comenta alianças nacionais e trata de cenários em SP, RJ e na disputa presidencial
Reprodução/Band
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reforçou, neste último domingo (8), que o partido mantém como prioridade a defesa do voto distrital para as eleições proporcionais no Brasil. A proposta é tratada como estratégica pela legenda e, segundo sua avaliação, ganhou maturidade política nos últimos anos, abrindo espaço para avançar no Congresso Nacional ainda em 2026. A eventual mudança, no entanto, teria vigência apenas a partir das eleições de 2030, sem impacto direto sobre o próximo pleito.
Atualmente, deputados federais, estaduais e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, no qual o desempenho dos partidos e coligações define a distribuição das vagas. Nesse modelo, candidatos com votação individual menor podem ser eleitos com base na soma dos votos da legenda. O voto distrital, por outro lado, divide o território em regiões específicas, nas quais apenas o candidato mais votado conquista a cadeira.
Defesa do voto distrital como eixo do PSD
Para Kassab e a cúpula do PSD, o voto distrital é visto como uma alternativa para enfrentar problemas históricos da representação política no país. A avaliação do partido é de que o sistema proporcional enfraquece o vínculo entre eleitores e parlamentares, dificultando a identificação de quem representa cada região e reduzindo a capacidade de cobrança por parte da sociedade.
No entendimento da legenda, o modelo distrital tende a fortalecer a fiscalização do mandato, já que o parlamentar passa a ter responsabilidade direta sobre um território delimitado e um eleitorado claramente definido. Essa relação mais próxima, na visão do PSD, contribui para ampliar a legitimidade política e reduzir a distância entre representantes e representados.
“Nós não abrimos mão do voto distrital, é um dos grandes problemas do Brasil. A falta de legitimidade dos nossos parlamentares, as pessoas nem lembram quem votou, o eleito por uma região não volta nunca mais, o voto distrital traz qualidade na fiscalização do eleito”, afirmou Kassab.
Congresso avalia ambiente favorável para a mudança
Kassab avalia que o tema está mais maduro no Congresso Nacional do que em tentativas anteriores. A expectativa do PSD é que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), instale nos próximos meses uma comissão específica para tratar da proposta. A leitura interna é de que a resistência diminui justamente porque a mudança não teria efeito imediato, afastando temores de alteração das regras eleitorais às vésperas de uma eleição.
“Muito possivelmente, nos próximos dois meses, o presidente (da Câmara) Hugo Motta (Republicanos-PB) vai estar compondo a comissão que vai encaminhar esse projeto. E não acho que é difícil votar ou aprovar neste ano, porque não afeta essa eleição, vai ter vigência para 2030”, disse Kassab.
Críticas à atuação das agências reguladoras
Além da pauta eleitoral, Kassab ampliou o debate para o funcionamento das agências reguladoras. Segundo o presidente do PSD, esses órgãos enfrentam um processo de politização excessiva, com indicações fortemente influenciadas por interesses partidários e parlamentares.
Para o dirigente, esse cenário compromete a autonomia técnica das agências e afeta negativamente a qualidade da regulação e das concessões de serviços públicos. A posição do PSD é pela elevação dos critérios técnicos e institucionais nas nomeações, com o objetivo de fortalecer a independência e a eficiência desses órgãos estratégicos.
Questionamentos ao modelo das emendas parlamentares
Outro ponto central abordado por Kassab foi o atual modelo de emendas parlamentares. O dirigente considera excessivo o volume de recursos destinados a esse instrumento, que atualmente gira em torno de R$ 70 bilhões. Na avaliação do PSD, a ampliação das emendas distorce o planejamento orçamentário e reduz a capacidade de coordenação do Executivo federal sobre políticas públicas estruturantes.
A legenda defende que, caso o modelo seja mantido, haja maior transparência e vinculação das emendas a programas federais, evitando a pulverização dos recursos e o uso predominantemente político das verbas.
Cenário político em São Paulo e relação com Tarcísio
No plano estadual, Kassab comentou sua atuação no governo de São Paulo e a relação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Atualmente secretário de Governo e Relações Institucionais, ele indicou disposição para integrar a chapa de reeleição do governador em 2026, caso seja convidado.
Ainda assim, ressaltou que a definição sobre a composição da chapa cabe exclusivamente a Tarcísio, cuja decisão será respeitada pelo PSD. Kassab também reiterou seu histórico de participação em disputas eleitorais, embora não tenha confirmado se será candidato no próximo pleito.
“Estou pronto para atender qualquer convite ou convocação”, disse Kassab.
Tarcísio fora da disputa presidencial de 2026
No debate nacional, Kassab avaliou que a possibilidade de Tarcísio de Freitas disputar a Presidência da República em 2026 está descartada. Apesar de reconhecer que governadores de São Paulo tradicionalmente são vistos como presidenciáveis, o entendimento é de que Tarcísio já optou por buscar a reeleição no estado.
“Um governador de São Paulo bem avaliado sempre é um presidenciável. Essa página está virada, ele tem dito que não será. Vamos agora participar dessas eleições. 2030 está muito longe, teremos novos governadores, novos prefeitos daqui a dois anos”, afirmou.
Projeções do PSD e candidatura própria ao Planalto
Kassab apresentou projeções otimistas para o desempenho do PSD nas eleições de 2026. O partido trabalha com a expectativa de eleger entre 85 e 90 deputados federais e de seis a nove senadores, consolidando-se como uma das principais forças do Congresso Nacional.
Diante desse cenário, a legenda avalia lançar candidatura própria à Presidência da República, sem depender previamente de alianças parlamentares. A decisão deve ser tomada até 15 de abril.
Atualmente, três governadores são apontados como pré-candidatos do partido: Ronaldo Caiado, de Goiás, recém-filiado ao PSD; Ratinho Júnior, do Paraná; e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A estratégia é ocupar o espaço do centro político, visto pela direção partidária como uma alternativa viável diante da polarização entre esquerda e direita.
Rio de Janeiro, Eduardo Paes e o xadrez nacional
No Rio de Janeiro, Kassab destacou o papel do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ) no cenário eleitoral de 2026. O dirigente avalia que Paes se tornou um ator central no segundo maior colégio eleitoral do país, atraindo o interesse de diferentes projetos presidenciais.
Na leitura do PSD, o fato de o prefeito integrar a mesma legenda tende a favorecer o candidato do partido na disputa nacional. Mesmo mantendo cargos no governo federal, o PSD reafirma o plano de construir um projeto próprio para a eleição presidencial, apostando no crescimento da legenda e na consolidação de uma candidatura de centro como alternativa competitiva no cenário político brasileiro.
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