Jerônimo critica xingamentos de Eduardo a Bolsonaro e diz que áudios expõem incoerência familiar
Mensagens vieram à tona após buscas e apreensões pela Polícia Federal ao pastor Silas Malafaia, e indiciamento do ex-presidente e seu filho
Equipe M!
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), comentou, na manhã desta quinta-feira (21), os áudios revelados pela Polícia Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Durante visita às obras de modernização do Complexo do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, o petista disse ter ficado abalado com o conteúdo das mensagens e criticou a forma como pai e filho se trataram.
“Eu quero respeitar o que a Justiça vai fazer. Eu só fiquei triste com aquelas cenas e aqueles áudios que ouvi de um pai tratar um filho daquela forma. Isso não existe, não tem como a gente criar um ambiente em que uma população inteira deposite fé em um presidente cuja relação pessoal seja marcada por esse tipo de tratamento”, afirmou Jerônimo ao Portal M!.
Áudios expõem atrito na família Bolsonaro
As mensagens vieram à tona após buscas e apreensões feitas pela Polícia Federal no inquérito que investiga o pastor Silas Malafaia. Jair e Eduardo Bolsonaro também figuram como indiciados no processo. Segundo a investigação, a troca de ofensas entre pai e filho ocorreu em julho, em meio ao desgaste político provocado pelas sanções impostas ao Brasil e pela crise diplomática após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar tarifas sobre produtos brasileiros.
Em uma das mensagens, Eduardo dispara contra o pai por causa da proximidade com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Eu ia deixar passar a questão do Tarcísio, mas, graças aos elogios que você fez a mim no Poder360, estou pensando seriamente em bater de novo nele, pra ver se você aprende. VTNC, seu ingrato do carlh”, escreveu o parlamentar em 15 de julho.
Horas depois, em novo recado, Eduardo elevou o tom e ironizou. “Se o imaturo do seu filho de 40 anos não puder se encontrar com os caras aqui porque você me joga para baixo, quem vai se f* é você — e vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui. Tenha responsabilidade”.
Na sequência, o ex-presidente respondeu com dois áudios que não puderam ser recuperados pela PF, mas os registros indicam que houve mais atritos. O deputado voltou a provocar o pai: “Quero que você olhe para mim e veja o Temer. Você falaria isso do Temer?”.
Governador critica contradições religiosas
Jerônimo afirmou que os áudios não condizem com a postura religiosa que o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família costumam divulgar em discursos públicos. Para o governador, o conteúdo revela incoerência entre discurso e prática.
“Esse tipo de tratamento não é de quem é religioso. Ele e a esposa vivem dizendo que são de religião, mas ficam aí xingando um ou outro. É um comportamento que nós, que estamos na política, temos a obrigação de rejeitar”, afirmou Jerônimo em conversa com o Portal M!
“Uma obrigação é trabalhar, mas outra é dar bons exemplos. Nós lideramos uma população. O ex-presidente da República tem que dar bom exemplo. Ele não é mais presidente, mas carrega o título de ex. E seus filhos também têm que dar bom exemplo”, completou.
Reflexos para imagem política
O governador baiano ainda avaliou que o episódio reflete um problema mais amplo, relacionado ao exemplo dado pelas lideranças políticas. Segundo ele, o comportamento de Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo deixa marcas negativas para as futuras gerações.
“Fiquei muito triste ao saber que entregamos a nação a um presidente que trata os filhos daquela forma. Se o filho dele o tratou daquela maneira, é porque foi criado em um ambiente que não ofereceu a devida educação”, lamentou Jerônimo.
Clima de desgaste
O episódio somado às investigações em andamento amplia o clima de desgaste em torno do ex-presidente e de sua família. Ao mesmo tempo em que enfrenta processos na Justiça e investigações da Polícia Federal, Bolsonaro precisa lidar com a exposição de fragilidades internas, agora reveladas por meio de mensagens duras entre ele e um de seus filhos mais próximos politicamente.
Para Jerônimo, o caso reforça a necessidade de que figuras públicas tenham mais responsabilidade com a forma como se apresentam à sociedade.
“Na política, temos a obrigação de trabalhar, mas também de dar bons exemplos. Não é apenas sobre decisões administrativas, mas sobre o caráter que transmitimos para a população”, concluiu.
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