Jaques Wagner ganha destaque em disputa pelo comando da CPI do Crime Organizado no Senado

Instalação da comissão ocorre em meio à pressão política após megaoperação no Rio que reacendeu debate nacional sobre segurança pública


Redação
Redação 04/11/2025 10:03 • Política
Jaques Wagner ganha destaque em disputa pelo comando da CPI do Crime Organizado no Senado - Saulo Cruz/Agência Senado
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O senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, desponta como uma das principais apostas do Palácio do Planalto para comandar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que será instalada nesta terça-feira (4). A movimentação ocorre em um momento delicado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pressionado pela repercussão da recente megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, entre eles 12 baianos identificados pela Polícia Civil fluminense.

A expectativa em Brasília é de que o tema da segurança pública, impulsionado pela tragédia no Rio, ganhe força na agenda nacional e se torne um dos principais campos de disputa política entre governo e oposição. O avanço dessa pauta é visto como sensível para o Planalto, que tenta evitar que o assunto seja explorado politicamente por adversários. Na Bahia, uma megaoperação acontece desde a manhã desta terça e mais de 30 suspeitos ligados ao Comando Vermelho já foram presos. Com informações do G1.

CPI nasce sob forte tensão política

A CPI do Crime Organizado foi criada em junho, mas sua instalação foi adiada por meses devido à falta de consenso sobre a presidência e relatoria. Agora, com o tema de volta ao centro do debate público, o colegiado promete ser palco de embates entre os blocos políticos.

O relator já está definido: será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que criou a comissão. A presidência, porém, segue em disputa. O governo trabalha para garantir que o comando fique com nomes aliados, como Jaques Wagner (PT-BA) ou Fabiano Contarato (PT-ES), enquanto a oposição tenta repetir o feito recente, quando conquistou o controle da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

A articulação política é intensa. Segundo fontes do Senado, há um movimento silencioso da oposição para ocupar espaços estratégicos na CPI, aproveitando o desgaste do governo com a crise da segurança pública. O receio do Planalto é que a CPI se torne um novo palanque para discursos de “lei e ordem”, narrativa que tem sido usada por políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Retorno do debate sobre segurança pública

A megaoperação no Rio de Janeiro, somada às discussões sobre a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), reacendeu o debate sobre o papel do Estado no combate ao crime organizado. A oposição enxerga nessa agenda uma oportunidade de reconquistar o eleitorado de centro, defendendo medidas duras contra o tráfico e as milícias.

Já o governo Lula tenta construir uma resposta institucional, que inclui o envio ao Congresso do Projeto de Lei Antifacção, além da articulação com governadores para fortalecer políticas de prevenção e inteligência na segurança pública. De acordo com o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Congresso Nacional, a oposição tenta transformar o tema em palanque eleitoral.

“A oposição quer um palanque seja onde for”, disse Randolfe.

Composição e forças políticas na CPI

A CPI do Crime Organizado contará com 11 membros titulares e sete suplentes, reunindo senadores de peso de diferentes partidos e regiões do país.

Entre os oposicionistas, estão nomes conhecidos da direita:

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Sergio Moro (União-PR)
  • Marcos do Val (Podemos-ES)
  • Magno Malta (PL-ES)

Já o campo governista será representado por:

  • Jaques Wagner (PT-BA)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Fabiano Contarato (PT-ES) – suplente
  • Randolfe Rodrigues (AP) – suplente

O que a CPI pretende investigar

Com prazo de funcionamento de 120 dias, o colegiado deverá investigar:

  • a estrutura e a expansão de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV);
  • a atuação de milícias em diferentes estados;
  • fontes de financiamento e lavagem de dinheiro;
  • o domínio territorial e prisional dessas organizações;
  • conexões regionais e internacionais;
  • possível infiltração no poder público;
  • e, por fim, propor mudanças legislativas para combater o crime organizado.

Segundo o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), caso sua indicação seja confirmada, pretende garantir um trabalho técnico e independente.

“O foco será técnico. Vamos ouvir especialistas, secretários de segurança, governadores e comunidades atingidas para produzir soluções”, declarou.

Flávio Bolsonaro defende foco comum

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o objetivo da oposição é buscar um esforço suprapartidário no combate ao crime organizado.

“Nesse tipo de CPI o foco comum tem que ser o combate ao crime organizado, que espalhou a violência em todo o país e tenta dominar cidades inteiras para extorquir os trabalhadores. A prioridade deve ser libertar os brasileiros desse pesadelo diário, a pauta é suprapartidária”, disse.

Equilíbrio delicado do governo Lula

A instalação da CPI do Crime Organizado se torna, portanto, um teste político para o governo Lula, que busca equilibrar o discurso de firmeza no combate ao crime com a defesa de uma política de segurança pautada por direitos humanos.

O papel de Jaques Wagner será decisivo nessa equação. Além de representar o governo na comissão, o senador baiano é visto como um articulador capaz de conter o avanço da oposição e preservar a narrativa de que a CPI deve buscar soluções estruturais, e não apenas servir de palco político.

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