Jaques Wagner ganha destaque em disputa pelo comando da CPI do Crime Organizado no Senado
Instalação da comissão ocorre em meio à pressão política após megaoperação no Rio que reacendeu debate nacional sobre segurança pública
Saulo Cruz/Agência Senado
O senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, desponta como uma das principais apostas do Palácio do Planalto para comandar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que será instalada nesta terça-feira (4). A movimentação ocorre em um momento delicado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pressionado pela repercussão da recente megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, entre eles 12 baianos identificados pela Polícia Civil fluminense.
A expectativa em Brasília é de que o tema da segurança pública, impulsionado pela tragédia no Rio, ganhe força na agenda nacional e se torne um dos principais campos de disputa política entre governo e oposição. O avanço dessa pauta é visto como sensível para o Planalto, que tenta evitar que o assunto seja explorado politicamente por adversários. Na Bahia, uma megaoperação acontece desde a manhã desta terça e mais de 30 suspeitos ligados ao Comando Vermelho já foram presos. Com informações do G1.
CPI nasce sob forte tensão política
A CPI do Crime Organizado foi criada em junho, mas sua instalação foi adiada por meses devido à falta de consenso sobre a presidência e relatoria. Agora, com o tema de volta ao centro do debate público, o colegiado promete ser palco de embates entre os blocos políticos.
O relator já está definido: será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que criou a comissão. A presidência, porém, segue em disputa. O governo trabalha para garantir que o comando fique com nomes aliados, como Jaques Wagner (PT-BA) ou Fabiano Contarato (PT-ES), enquanto a oposição tenta repetir o feito recente, quando conquistou o controle da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A articulação política é intensa. Segundo fontes do Senado, há um movimento silencioso da oposição para ocupar espaços estratégicos na CPI, aproveitando o desgaste do governo com a crise da segurança pública. O receio do Planalto é que a CPI se torne um novo palanque para discursos de “lei e ordem”, narrativa que tem sido usada por políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Retorno do debate sobre segurança pública
A megaoperação no Rio de Janeiro, somada às discussões sobre a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), reacendeu o debate sobre o papel do Estado no combate ao crime organizado. A oposição enxerga nessa agenda uma oportunidade de reconquistar o eleitorado de centro, defendendo medidas duras contra o tráfico e as milícias.
Já o governo Lula tenta construir uma resposta institucional, que inclui o envio ao Congresso do Projeto de Lei Antifacção, além da articulação com governadores para fortalecer políticas de prevenção e inteligência na segurança pública. De acordo com o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Congresso Nacional, a oposição tenta transformar o tema em palanque eleitoral.
“A oposição quer um palanque seja onde for”, disse Randolfe.
Composição e forças políticas na CPI
A CPI do Crime Organizado contará com 11 membros titulares e sete suplentes, reunindo senadores de peso de diferentes partidos e regiões do país.
Entre os oposicionistas, estão nomes conhecidos da direita:
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
- Sergio Moro (União-PR)
- Marcos do Val (Podemos-ES)
- Magno Malta (PL-ES)
Já o campo governista será representado por:
- Jaques Wagner (PT-BA)
- Otto Alencar (PSD-BA)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Fabiano Contarato (PT-ES) – suplente
- Randolfe Rodrigues (AP) – suplente
O que a CPI pretende investigar
Com prazo de funcionamento de 120 dias, o colegiado deverá investigar:
- a estrutura e a expansão de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV);
- a atuação de milícias em diferentes estados;
- fontes de financiamento e lavagem de dinheiro;
- o domínio territorial e prisional dessas organizações;
- conexões regionais e internacionais;
- possível infiltração no poder público;
- e, por fim, propor mudanças legislativas para combater o crime organizado.
Segundo o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), caso sua indicação seja confirmada, pretende garantir um trabalho técnico e independente.
“O foco será técnico. Vamos ouvir especialistas, secretários de segurança, governadores e comunidades atingidas para produzir soluções”, declarou.
Flávio Bolsonaro defende foco comum
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o objetivo da oposição é buscar um esforço suprapartidário no combate ao crime organizado.
“Nesse tipo de CPI o foco comum tem que ser o combate ao crime organizado, que espalhou a violência em todo o país e tenta dominar cidades inteiras para extorquir os trabalhadores. A prioridade deve ser libertar os brasileiros desse pesadelo diário, a pauta é suprapartidária”, disse.
Equilíbrio delicado do governo Lula
A instalação da CPI do Crime Organizado se torna, portanto, um teste político para o governo Lula, que busca equilibrar o discurso de firmeza no combate ao crime com a defesa de uma política de segurança pautada por direitos humanos.
O papel de Jaques Wagner será decisivo nessa equação. Além de representar o governo na comissão, o senador baiano é visto como um articulador capaz de conter o avanço da oposição e preservar a narrativa de que a CPI deve buscar soluções estruturais, e não apenas servir de palco político.
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