Jaques Wagner admite oferta à Coronel para evitar racha e debandada do PSD do Governo
Petista revelou que teve conversas com senador para uma vaga de suplência, mas nega convite a Diego Coronel para vice-governador
Roque de Sá/Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT) admitiu, nesta quarta-feira (14), que tentou construir uma estratégia para evitar disputas internas na base aliada, sobretudo, envolvendo a composição da chapa “puro-sangue” ou “puro-governador” e o nome do senador Angelo Coronel (PSD). Durante entrevista ao POD Cast Política ao Vivo, o petista revelou que teve conversas com o senador para uma vaga de suplência.
Oferta da suplência
Durante a conversa, Wagner admitiu que já procurou o senador Angelo Coronel (PSD) para propor uma saída negociada. O impasse é claro: há três nomes fortes (Wagner; o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e Coronel) para apenas duas vagas de senador na chapa oficial.
O petista revelou ter provocado Coronel sobre a viabilidade de uma candidatura isolada ou um rompimento.
“Falei para ele: tem uma figura nova chegando, que é o Rui. não vamos brigar por isso. Vai rachar só pelo prazer de ser candidato? Vamos tentar fazer um bem bolado? Por que você não pode ser o meu suplente? Até agora, no entanto, ele não me deu uma resposta. Se tivesse dado, não estaríamos ainda nesse impasse”, revelou.
A proposta de Wagner é que Coronel aceite a primeira suplência na sua chapa. A lógica é que, vencendo a eleição, Wagner poderia assumir um ministério no futuro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixando a cadeira de senador para Coronel por praticamente todo o mandato.
Wagner relembrou 2018 para justificar que mudanças são naturais, citando as saídas de Walter Pinheiro e Lídice da Mata.
Indicação de Diego Coronel para vice-governador
Nos últimos dias, os bastidores de Salvador foram inundados por rumores de que o deputado federal Diego Coronel (PSD) — filho do senador Angelo Coronel — poderia ser indicado para a vice-governadoria na chapa de reeleição de Jerônimo Rodrigues. Hoje, a cadeira é ocupada pelo ex-vereador Geraldo Jr (MDB).
A manobra seria uma forma de compensar o PSD pela perda de uma das vagas ao Senado, que hoje é pleiteada pelo trio petista (Wagner, Rui Costa e Jerônimo). Contudo, o senador foi enfático ao classificar a ideia como mero “exercício de hipóteses”.
“Todo mundo começa a exercitar hipóteses: oferecer vice, oferecer isso ou aquilo. Mas essa conversa não está na mesa. Você sabe como é a cabeça do público: começa a imaginar como vai ajeitar”, afirmou o petista, em tom descontraído.
Blindagem ao MDB e a Geraldo Júnior
Wagner aproveitou para reafirmar o valor político da atual aliança com o MDB, que ocupa a vice com Geraldo Júnior. O senador lembrou que a chegada dos emedebistas foi o “fiel da balança” na eleição apertada de 2022.
“Na minha opinião, foi extremamente importante. A vinda do MDB e de Geraldo quebrou muitas resistências”, pontuou, indicando que qualquer mudança na vice passaria por um custo político elevado que o grupo não parece disposto a pagar agora.
Por que Senado é prioridade zero em 2026
Para além das fronteiras baianas, Jaques Wagner trouxe à tona a visão estratégica do presidente. Segundo o senador, Lula não está “brincando de fazer chapa” nos estados, mas tem um foco obsessivo no resultado do Congresso Nacional.
Wagner explicou que 2026 será um ano atípico: 54 das 81 cadeiras do Senado (dois terços) estarão em disputa. Se o governo não eleger uma bancada sólida de aliados, Lula — ou quem quer que seja o presidente — enfrentará um cenário de ingovernabilidade ou até de ameaças institucionais.
“O Senado tem um peso enorme. Não é pouca coisa. Cabe à Casa aprovar indicações para o STF, embaixadores, tribunais superiores, CNJ e CNMP. É um pedido do presidente: vamos eleger aliados”, reforçou líder do governo Lula no Senado.
Risco da Oposição
O senador alertou que a oposição já possui um núcleo forte no Senado e que, caso o governo perca terreno nessa renovação de dois terços, o Palácio do Planalto ficará refém de pautas de impeachment, bloqueios de orçamentos e rejeição de nomes estratégicos para o Judiciário e a Diplomacia. Por isso, a composição na Bahia (Wagner e Rui) é vista como vital para garantir dois votos “puro-sangue” governistas em Brasília.
Maturidade política
Ao final da entrevista, em tom irônico, Wagner brincou com o apetite da imprensa e do público por conflitos: “Você já gosta também de ver o circo pegar fogo?”. A frase resume a postura do senador: ele reconhece o incêndio nos bastidores, mas atua como o principal bombeiro do grupo.
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