Investigação da PF aponta lobista como peça-chave em liberação irregular de emendas em Brasília
Operação Overclean: investigação apura denúncia envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Polícia Federal identificou o que classifica como uma “atuação sistemática” do empresário Gabriel Mascarenhas Figueiredo Sobral junto ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para viabilizar a liberação de emendas parlamentares e a assinatura de convênios. A investigação é parte da Operação Overclean, deflagrada para apurar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.
Segundo relatório da PF, divulgado nesta quarta-feira (16), Sobral seria peça-chave no funcionamento do suposto esquema criminoso. Ele é apontado como responsável por articular a liberação de recursos federais de forma indevida, beneficiando empresas ligadas ao grupo investigado. O documento descreve que o empresário “opera de forma sistemática para favorecer empresas, viabilizando a liberação indevida de emendas parlamentares e a celebração fraudulenta de convênios”.
Negativas de envolvimento e ausência de registros oficiais
Procurado, Gabriel Sobral negou irregularidades. Segundo o empresário, sua atuação se restringe ao setor privado. Ele afirmou que “nenhum dos contratos mencionados nos autos foi executado, tendo sido ou rejeitados ou arquivados”.
“Nem há relato de visitas ou conversas entre Sobral e servidores públicos ou agentes responsáveis por esses contratos, muito menos com parlamentares que tenham direcionado emendas”, complementou em nota.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional também se manifestou, afirmando que Sobral “nunca foi atendido pelas equipes deste ministério do início de 2023 até hoje”.
Relações com empresas e conversas sobre contratos milionários
A Polícia Federal sustenta que Gabriel Sobral atuava em parceria com o empresário Alex Parente, proprietário da Allpha Pavimentações, empresa interessada em contratos públicos para obras de pavimentação e recuperação de estradas. Os investigadores identificaram diálogos entre os dois tratando de propostas para municípios da Bahia, Ceará e Pernambuco.
Em uma das mensagens obtidas pela PF, Sobral teria escrito: “MDR ok. Quando puder, ligue”, em referência ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Segundo os autos, as propostas relacionadas a essa pasta somam quase R$ 50 milhões e constam como “em execução” ou “em análise”. Já os convênios de interesse junto ao MAPA ultrapassam os R$ 70 milhões, mas não foram aprovados.
A PF também afirma que Sobral teve acesso irregular a arquivos emitidos por entes públicos. Esses documentos teriam sido repassados ao empresário para facilitar a liberação dos recursos e garantir a posterior contratação das empresas interessadas.
Suspeitas de lavagem de dinheiro e uso de laranja
Durante a análise das movimentações financeiras de Gabriel Sobral e de suas empresas — a MBS Consultoria Imobiliária e a Upgreen Soluções Renováveis —, a PF encontrou indícios de lavagem de dinheiro. Os investigadores apontam depósitos fracionados e movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada do empresário.
Além disso, Sobral teria usado seu motorista particular como laranja para ocultar a origem dos valores. A PF identificou transferências que somam R$ 200 mil feitas pelo empresário a uma “autoridade detentora de foro por prerrogativa de função”. Os repasses ocorreram entre maio e novembro de 2022, mas a identidade da autoridade não foi revelada.
Citação a deputado federal e foro privilegiado
Diante da citação ao nome do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), o inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que o parlamentar tem foro privilegiado. O parlamentar baiano nega qualquer envolvimento com irregularidades.
“O parlamentar que indica emendas não tem competência e nem se torna responsável pela execução das verbas e pela fiscalização das respectivas obras e serviços”, justificou.
Conexões políticas e atuação de segundo lobista
Gabriel Sobral é casado com a advogada Evellin Paesante Siqueira, ex-assessora do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que ocupou o cargo entre janeiro de 2021 e março de 2024. Apesar da ligação, o senador não é investigado. A PF concluiu que não há “indícios de participação de parlamentar federal nas ações ilícitas”.
Além de Sobral, a investigação também identificou outro empresário que teria atuado como lobista: o gaúcho Sérgio Canozzi. Mensagens recuperadas pela PF mostram que Canozzi viajou a Brasília em dezembro de 2023 para tentar destravar contratos com órgãos federais. A PF ainda apura a extensão de sua atuação.
“Semana que vem termina a COP e todos os senadores votam, vai ter uma série de votações importantes. […] Eu vou chegar em Brasília terça-feira à noite e vou tratar das minhas agendas lá na quarta-feira”, escreveu Canozzi em uma das conversas.
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