Haddad confia que diplomacia brasileira vai virar jogo com EUA, mesmo com Marco Rubio na negociação
Ministro da Fazenda mantém otimismo nas negociações sobre tarifaço e defende continuidade da estratégia do governo
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou, nesta terça-feira (7), estar otimista quanto às negociações com os Estados Unidos para reverter o chamado “tarifaço”. Segundo ele, a diplomacia brasileira está preparada para “superar esse momento”, independentemente de quem seja o interlocutor escolhido pelos americanos. Questionado sobre a decisão do presidente Donald Trump nomear o secretário de Estado americano, Marco Rubio — figura considerada mais “ideológica”—, para conduzir as tratativas com o Brasil, Haddad destacou que a equipe brasileira saberá conduzir as negociações com eficiência.
A declaração foi dada um dia após uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, Haddad reafirmou que a posição do governo federal permanecerá inalterada, considerando que a estratégia adotada até agora vem trazendo resultados positivos.
“Independentemente de quem seja designado, a diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento. Os fatos são muito favoráveis à parceria, em todos os aspectos, inclusive no que concerne em vantagens que os EUA têm em estabelecer relações com o Brasil”, disse Haddad, em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Ministro diz que não vai mudar estratégia do Brasil
A fala ocorre um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversar por telefone com Trump. A ligação, que durou cerca de meia hora, foi acompanhada, além de Haddad, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), pelo assessor especial Celso Amorim e pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Sidônio Palmeira (Secom). Durante a entrevista, o ministro ressaltou que a estratégia brasileira continuará a mesma.
“Nós não vamos mudar a estratégia porque (sic), na minha opinião, tem dado certo. Estamos tão confiantes nos nossos argumentos que entendemos que eles vão se fazer valer pela diplomacia brasileira, que é das melhores do mundo”.
O comentário segue a linha adotada por Haddad nas últimas semanas, que vem reafirmando o papel do diálogo como principal ferramenta de superação do conflito.
Encontro e novas oportunidades
Haddad também revelou que pode haver espaço para um encontro com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante sua viagem aos EUA na próxima semana.
“Eu ainda não me movi e devo fazer até o final da semana para saber da disponibilidade de Bessent, do interesse ou se o [secretário de Estado norte-americano] Marco Rubio vai estabelecer um contato com o Mauro Vieira antes disso. Eu não sei qual é o protocolo que eles vão seguir”.
Quem é Marco Rubio
Marco Rubio tem se destacado como um dos principais porta-vozes das sanções contra o Brasil. Além do tarifaço, ele também liderou ações para a revogação de vistos de autoridades brasileiras, em retaliação ao Programa Mais Médicos, que contou com ampla participação de médicos cubanos durante o governo Dilma Rousseff.
Nascido em Miami, em 1971, Rubio é filho de imigrantes cubanos que chegaram aos Estados Unidos sem recursos financeiros e sem falar inglês. Ao ser nomeado pelo presidente Donald Trump, em novembro do ano passado, para ocupar o cargo de Secretário de Estado, Rubio tornou-se o latino-americano de mais alto escalão na história dos Estados Unidos.
Conversa entre Lula e Trump buscou reduzir tensões
Haddad comentou que a conversa entre Lula e Trump foi positiva e pode ajudar a “virar a página” das tensões bilaterais. A videoconferência entre os presidentes aconteceu após o governo norte-americano manter a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, decisão criticada por Lula. De acordo com o ministro da Fazenda, as conversas recentes devem abrir caminho para novos acordos de investimento e cooperação bilateral.
Segundo Haddad, “há muitas oportunidades de investimento norte-americano na América do Sul, que tradicionalmente é deficitária com os EUA”. Entre as áreas citadas estão terras raras e projetos de transformação ecológica, que também vêm sendo mencionadas pelo governo como parte de uma agenda sustentável comum.
“Acredito que vai distensionar [reduzir a tensão] e abrir espaço para uma conversa franca. Foi uma largada equivocada vai ser superada. Acredito que vai distensionar e abrir espaço para uma conversa franca. Foi uma largada equivocada vai ser superada”.
Tarifaço prejudica mais os EUA, diz ministro
Em outro trecho da entrevista, Haddad afirmou que o “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos tem efeitos negativos também sobre a população americana. Segundo ele, “o papel do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é justamente oferecer os melhores argumentos econômicos para mostrar, inclusive, que o povo dos Estados Unidos está sofrendo com o tarifaço”.
“Eles estão com o café da manhã mais caro, eles estão pagando o café mais caro, eles estão pagando a carne mais cara, eles vão deixar de ter acesso a produtos brasileiros de alta qualidade no campo, também, da indústria”.
Haddad acrescentou que “a estratégia que foi decidida pelo presidente Lula vai render os melhores frutos para o Brasil, independentemente de quem seja designado para negociar em nome do governo dos Estados Unidos”. “E penso que a diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento que foi um equívoco muito grande. Muito mais com base em desinformação do que propriamente com base na realidade dos fatos”.
Para o ministro, ações de grupos de extrema direita têm distorcido a imagem do país no exterior. “Está cada vez mais claro para o governo dos Estados Unidos, como está claro para o mundo inteiro, que não está acontecendo nada no Brasil que não siga absolutamente as regras democráticas do Estado de Direito”.
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