Fim da farra das comissões: STF impõe prazo de 4 anos para partidos se organizarem
Formações temporárias deverão ser substituídas por diretórios permanentes com eleições regulares
Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, nesta última quarta-feira (28), que comissões provisórias e demais estruturas temporárias utilizadas pelos partidos políticos no Brasil não poderão mais permanecer em funcionamento por tempo indeterminado. A partir da publicação oficial do acórdão, essas instâncias terão prazo máximo de 4 anos para serem substituídas por diretórios permanentes, sob pena de sanções administrativas e financeiras.
A medida atinge diretamente uma prática recorrente no sistema partidário brasileiro: a manutenção prolongada de órgãos provisórios, frequentemente utilizados como instrumento de controle centralizado das legendas por dirigentes nacionais. Com a nova determinação, os partidos deverão realizar eleições periódicas internas e adotar mecanismos mais transparentes de gestão organizacional.
“O Brasil tem donos. Não tem presidentes de partidos. E os donos dos partidos para manter sua autoridade acabam fazendo várias intervenções”, criticou o ministro Alexandre de Moraes.
Decisão atinge autonomia partidária e fecha brechas da Reforma de 2017
A resolução do STF decorre de uma ação direta de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que questionou trechos da Reforma Política de 2017. O texto legal aprovado à época assegurava ampla autonomia às siglas para definir tanto sua estrutura interna quanto a duração dos seus órgãos, inclusive os provisórios. No entanto, segundo os ministros da Corte, essa liberalidade vinha sendo usada para postergar indefinidamente o funcionamento de instâncias temporárias, sem previsão de eleições democráticas internas.
A prática vinha sendo denunciada por enfraquecer a democracia intrapartidária, favorecendo lideranças que promovem nomeações centralizadas e intervenções arbitrárias nos diretórios estaduais e municipais. Com a decisão, fica proibida também a substituição sequencial de comissões provisórias por outras igualmente temporárias, ainda que com nova composição.
Consequências para os partidos: suspensão de repasses e exigência de regularização
Os efeitos da decisão terão impacto direto no financiamento das siglas. Aqueles que não se adequarem às novas exigências poderão ser punidos com a suspensão do recebimento de recursos dos fundos partidário e eleitoral, principais fontes de custeio das atividades políticas no país. O bloqueio dos repasses ocorrerá até que as legendas promovam a substituição de seus órgãos provisórios por estruturas permanentes, com eleições e mandatos regulares.
A responsabilidade pela aplicação da decisão caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá fiscalizar o cumprimento do prazo e garantir que os diretórios atendam às novas regras de organização interna. A expectativa é de que, com a entrada em vigor da medida, haja um movimento de reestruturação nos partidos, especialmente nas esferas estaduais e municipais, onde as comissões provisórias são mais numerosas.
Fortalecimento da democracia interna e nova dinâmica de gestão partidária
Com o novo entendimento da Suprema Corte, o sistema partidário brasileiro passa por uma inflexão no modelo de gestão política. Ao limitar o tempo de funcionamento das comissões provisórias, o STF visa coibir práticas de perpetuação no poder e promover maior rotatividade e participação interna nas decisões partidárias.
A medida também se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento institucional, buscando tornar os partidos mais representativos, transparentes e democráticos. Para além dos efeitos jurídicos e financeiros, a mudança exige das legendas uma revisão profunda de suas estruturas organizacionais, promovendo maior institucionalização e independência de suas bases.
TSE deverá regulamentar procedimentos e fiscalizar adequação
O Tribunal Superior Eleitoral será o órgão responsável por operacionalizar a decisão do STF. Caberá à Justiça Eleitoral estabelecer os critérios técnicos para aferir o tempo de funcionamento dos órgãos provisórios, notificar os partidos e aplicar as sanções cabíveis em caso de descumprimento.
Ainda que a decisão não tenha efeitos imediatos, sua aplicação depende da publicação oficial do acórdão, o que deve ocorrer nas próximas semanas. A expectativa é de que a imposição do limite de tempo estimule maior transparência e evite o uso político das comissões como instrumentos de dominação interna.
Mais Lidas
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Política
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Últimas Notícias
Hugo Calderano conquista Copa América e garante vaga no Mundial de Macau
Câmara aprova criação de cargos em ministérios com impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026
Matéria reúne diferentes propostas de iniciativa do Poder Executivo e foi aprovada em votação simbólica, sem o registro individual do posicionamento dos parlamentares
Senado aprova MP do Gás do Povo com impacto de R$ 5,1 bilhões no Orçamento; texto segue para sanção de Lula
Programa amplia alcance do vale-gás e prevê novas regras para revendas
Aleluia aponta ‘omissão’ do PT na segurança pública e diz que crime organizado impõe regras na Bahia
Ex-deputado cita atuação do crime organizado, mortes e aponta suposta falta de prioridade do governo estadual sobre o tema da segurança pública
Ação de Carnaval com Aline Patriarca agita o BBB 26 em dia de definição do paredão
Música, comida e brincadeiras marcam ação carnavalesca às vésperas da eliminação
Carballal diz que decisão sobre candidatura está nas mãos de Jerônimo e minimiza saída de Coronel da base
De acordo com o presidente da CBPM, o próprio governador já sinalizou que uma conversa sobre o cenário político ocorrerá em um 'momento adequado'
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Ao Portal M!, ex-ministro garante que 'tempo de negociar participação em chapa com o MDB passou'
Lídice articula reunião da bancada baiana com o Ministério da Agricultura para enfrentar crise do cacau
Parlamentar aponta falhas na fiscalização fitossanitária e deságio imposto por indústrias importadoras
CPMI do INSS amplia investigação e envolve filho de Lula e entorno de Flávio Bolsonaro
Quebras de sigilo e requerimentos colocam aliados de PT e PL no centro das apurações sobre fraudes em descontos e consignados
Prefeitura entrega nova contenção em Plataforma e amplia proteção contra deslizamentos em Salvador
Com investimento de R$4,5 milhões, a intervenção foi executada para reforçar a segurança de moradores e comerciantes, especialmente durante o período de chuvas
Alex da Piatã nega crise no PSD e reforça liderança de Otto Alencar após saída de Coronel
Deputado destaca coesão da legenda após saída de Angelo Coronel e descarta interferência de Gilberto Kassab sem aval do comando baiano