Câmara aprova regulamentação da reforma tributária com apoio majoritário da bancada baiana

Texto-base define novo modelo de tributação sobre consumo e avança para análise dos destaques nesta terça-feira (16)


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 16/12/2025 09:32 • Política
Câmara aprova regulamentação da reforma tributária com apoio majoritário da bancada baiana - Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite de segunda-feira (15), o texto-base da regulamentação da reforma tributária sobre o consumo. A proposta, que consta no Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108/2024, recebeu 330 votos favoráveis e 104 contrários, encerrando uma das etapas centrais do novo sistema tributário brasileiro. A bancada baiana teve ampla maioria favorável à proposta: dos 33 presentes na sessão, 32 votaram “sim”, acompanhando a orientação da maioria dos partidos, enquanto apenas um parlamentar registrou voto contrário (veja abaixo).

Os destaques, que tratam de possíveis alterações pontuais no texto, serão analisados nesta terça-feira (16). A votação foi conduzida após decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que sugeriu a apreciação apenas do mérito do projeto nesta etapa. Segundo ele, a estratégia permitiria mais tempo para negociação dos pontos sensíveis antes da análise final das emendas. Apenas Novo e PL orientaram voto contrário à proposta; as demais legendas liberaram ou encaminharam voto favorável.

Novo modelo de tributação sobre o consumo

O texto aprovado conclui a regulamentação da reforma tributária do consumo, que prevê a substituição de diversos tributos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal. Esses dois impostos passam a ser os principais tributos incidentes sobre o consumo no país a partir de 2027, com um período de testes previsto para 2026.

Um dos principais pontos do projeto é a criação do Comitê Gestor do IBS, responsável por administrar, arrecadar e distribuir o novo imposto entre estados e municípios. O órgão terá atuação permanente a partir de 2026, com mandatos de dois anos para os integrantes do Conselho Superior e presidência alternada entre representantes de governadores e prefeitos. O Ministério da Fazenda avalia que a aprovação do texto é essencial para garantir segurança jurídica e viabilizar a implementação do novo sistema dentro do cronograma previsto.

Mudanças no Imposto Seletivo e bebidas açucaradas

Relator da matéria, o deputado Mauro Benevides (PDT-CE) promoveu ajustes relevantes em seu parecer ao longo do dia de votação. Uma das principais alterações foi a retirada do limite de 2% para a alíquota do Imposto Seletivo (IS) sobre bebidas açucaradas, como refrigerantes. O tributo, conhecido como “imposto do pecado”, incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

No Senado, havia sido aprovada uma emenda que estabelecia teto para essa tributação, apresentada pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) e acatada pelo relator Eduardo Braga (MDB-AM). Na Câmara, por acordo político, Benevides retirou esse limite e manteve o escalonamento da cobrança entre 2029 e 2033, incorporando gradualmente a diferença entre as alíquotas de ICMS desses produtos e as alíquotas modais do imposto.

SAFs ficam fora do benefício tributário

Outra mudança relevante foi a retirada do benefício fiscal previsto para as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). O texto aprovado pelo Senado previa a exclusão, por 5 anos, das receitas oriundas da cessão de direitos desportivos e da transferência de atletas da base de cálculo do pagamento mensal unificado. Na versão aprovada pela Câmara, esse benefício foi suprimido.

Segundo o relator, a forma de recolhimento dos tributos pelas SAFs será definida por ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, garantindo uniformidade de regras e evitando distorções no sistema.

Outras alterações no texto

Com apoio do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e do Fórum dos Governadores, o relator reintroduziu o dispositivo que define autoridade fiscal como servidor ocupante de cargo efetivo de carreira específica, com competência para fiscalizar e lançar tributos. A supressão desse trecho, proposta inicialmente, foi considerada um risco à segurança de dados e aos sistemas compartilhados com a Receita Federal.

Também foram retirados artigos que incluíam procuradores estaduais e da Fazenda Nacional no Comitê de Harmonização das Administrações Tributárias (CHAT), em meio a disputas institucionais com auditores fiscais. Além disso, foi retomada a harmonização entre CBS e IBS no contencioso administrativo integrado, com a Câmara Nacional de Integração do Contencioso Administrativo responsável por julgar conflitos entre as normas dos tributos.

Como votou a bancada baiana

A bancada da Bahia acompanhou majoritariamente o placar nacional e votou a favor da regulamentação da reforma tributária.

Votaram a favor:

  1. Adolfo Viana (PSDB)
  2. Alex Santana (Republicanos)
  3. Alice Portugal (PCdoB)
  4. Antonio Brito (PSD)
  5. Bacelar (PV)
  6. Cláudio Cajado (PP)
  7. Dal Barreto (União Brasil)
  8. Daniel Almeida (PCdoB)
  9. Diego Coronel (PSD)
  10. Elmar Nascimento (União Brasil)
  11. Félix Mendonça Júnior (PDT)
  12. Gabriel Nunes (PSD)
  13. Ivoneide Caetano (PT)
  14. João Leão (PP)
  15. Jorge Solla (PT)
  16. José Rocha (União Brasil)
  17. Josias Gomes (PT)
  18. Leo Prates (PDT)
  19. Leur Lomanto Júnior (União Brasil)
  20. Lídice da Mata (PSB)
  21. Márcio Marinho (Republicanos)
  22. Mário Negromonte Jr. (PP)
  23. Neto Carletto (Avante)
  24. Pastor Sargento Isidório (Avante)
  25. Paulo Magalhães (PSD)
  26. Raimundo Costa (Podemos)
  27. Ricardo Maia (MDB)
  28. Rogéria Santos (Republicanos)
  29. Sergio Brito (PSD)
  30. Valmir Assunção (PT)
  31. Waldemor Pereira (PT)
  32. Zé Neto (PT)

Votou contra:

  1. Capitão Alden (PL)

Ausentes:

  1. Arthur Oliveira Maia (União Brasil)
  2. João Carlos Bacelar (PL)
  3. Joseildo Ramos (PT)
  4. Otto Alencar Filho (PSD)
  5. Paulo Azi (União Brasil)
  6. Roberta Roma (PL)

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