Caiado critica Ciro Nogueira após ser excluído de lista de presidenciáveis: ‘Inexpressiva presença nacional’
Embate foi motivado por uma entrevista concedida pelo senador, que excluiu o nome do atual governador de Goiás da disputa presidencial
Wesley Costa/Governo de Goiás
A disputa interna entre lideranças da direita brasileira ganhou um novo capítulo, no último domingo (5), após o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) trocarem farpas públicas nas redes sociais. O embate foi motivado por uma entrevista concedida por Ciro ao jornal O Globo, na qual ele afirmou que apenas dois nomes da direita seriam “viáveis” para a disputa presidencial de 2026: os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR), ambos considerados próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração irritou Caiado, que também se coloca como pré-candidato à Presidência e ficou de fora da lista. Em resposta, o governador goiano afirmou que Ciro Nogueira estaria “ansioso” para se tornar vice de Tarcísio e o acusou de tentar manipular Bolsonaro em favor de interesses pessoais.
“A ansiedade de Ciro Nogueira em se colocar como candidato a vice-presidente do governador Tarcísio é vergonhosa”, afirmou Caiado em publicação no X (antigo Twitter). Segundo ele, o senador se autoproclama porta-voz de Bolsonaro, “o que ele não é”.
Caiado provoca Ciro Nogueira
O governador prosseguiu afirmando que, se o ex-presidente quisesse nomear alguém para falar em seu nome, “certamente seria um de seus filhos ou sua esposa, Michelle”. Caiado ainda classificou o ex-ministro da Casa Civil como um “senador de inexpressiva presença nacional” e lembrou que Ciro “um dia já jurou amor eterno ao Lula”.
Ciro Nogueira não deixou o ataque sem resposta. Em uma réplica também publicada no X, o senador ironizou o tamanho do texto de Caiado e disse que o governador “deve estar com tempo livre”.
“Me chamou a atenção a enormidade do tamanho da postagem. Deve estar com o tempo livre. Eu não. Sobretudo para polêmicas vazias”, escreveu Ciro.
A troca de farpas expõe as tensões dentro da chamada “federação União Progressista”, que reúne União Brasil, PP e Republicanos. Nos bastidores, o atrito é visto como uma disputa antecipada por espaço político e influência sobre o eleitorado conservador, sobretudo diante da impossibilidade de Bolsonaro disputar as eleições.
Bolsonaro fora do jogo e sucessão aberta
Bolsonaro está inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime domiciliar, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da trama golpista de 2022. Sem poder concorrer, o ex-presidente tem sido pressionado por aliados a escolher um sucessor capaz de unir a direita e manter sua base eleitoral mobilizada.
Nesse cenário, Tarcísio de Freitas é frequentemente apontado como o nome mais competitivo, embora tenha declarado que pretende buscar a reeleição em São Paulo. Ratinho Júnior, governador do Paraná, também surge como alternativa, enquanto Caiado tenta se viabilizar como representante de uma direita mais moderada e institucional. Outros nomes ainda aparecem nas discussões, como os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Eduardo Leite (PSD-RS) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Tentativa de reaproximação com Bolsonaro
Após o embate com Caiado, Ciro Nogueira protocolou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitando autorização para visitar Jair Bolsonaro em sua casa, em Brasília. O senador afirmou manter uma amizade pessoal com o ex-presidente e destacou que foi ministro-chefe da Casa Civil em seu governo. O encontro, segundo o pedido, seria marcado para quarta-feira (8) ou quinta (9).
A solicitação foi interpretada por analistas políticos como uma tentativa de reforçar laços com Bolsonaro e reafirmar sua influência dentro do campo bolsonarista. Internamente, aliados de Caiado avaliam que o movimento de Ciro confirma o desconforto do senador com a repercussão negativa de suas declarações.
Disputa antecipada
Caiado, por sua vez, tenta consolidar sua imagem como líder capaz de unir os setores mais moderados da direita e atrair o eleitorado antipetista sem depender diretamente de Bolsonaro. O governador lembra que apoiou o ex-presidente em 2018, “quando muitos ainda resistiam ao seu nome”, e afirma que respeitará a escolha do ex-mandatário para 2026.
Com as trocas de provocações, o cenário da direita segue fragmentado e sem um líder definido. Enquanto Bolsonaro continua fora do jogo eleitoral, aliados disputam sua bênção e buscam se apresentar como legítimos herdeiros do bolsonarismo.
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