Brasil prepara reação conjunta às tarifas dos EUA com apoio do Congresso e do governo federal
Sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros motivam mobilização institucional; comitiva viajará a Washington para tentar reverter decisão
Reprodução/Instagram @geraldoalckmin_
Diante do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, o Brasil prepara uma resposta articulada entre o Executivo e o Legislativo. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (16), o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciaram uma reação conjunta às medidas norte-americanas, consideradas prejudiciais à soberania e ao comércio bilateral.
A iniciativa acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, elevar para 50% as tarifas de importação sobre uma série de produtos brasileiros, o que acendeu o alerta em Brasília sobre os impactos econômicos e diplomáticos da decisão.
Congresso promete agir com rapidez para defender soberania brasileira
Durante a gravação realizada na Residência Oficial do Senado, os líderes destacaram a importância de uma ação coordenada entre os Poderes da República para garantir a defesa dos interesses nacionais.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que o Congresso está “unido em torno da defesa dos interesses nacionais”.
“O presidente Lula acertou com a sua equipe de empoderar [o ministro Alckmin] para que possa conduzir todas essas tratativas sem em nenhum momento abrir mão da soberania”, afirmou o senador.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, garantiu que o Legislativo está pronto para atuar como base de apoio ao Executivo.
“Estamos prontos para estar na retaguarda do Poder Executivo, para que, nas decisões necessárias à ação do Parlamento, possamos agir com rapidez, para que o Brasil possa sair mais forte desta crise”.
Alckmin aponta injustiça comercial e critica decisão americana
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as sobretaxas como inadequadas e injustas, além de destacá-las como contraditórias frente ao atual fluxo de comércio entre os dois países.
“É um equívoco do governo americano, porque eles têm superavit na balança comercial com o Brasil. Dos dez produtos que mais exportam para cá, oito não pagam nada de imposto”, afirmou.
Alckmin defendeu uma resposta firme e diplomática, ressaltando a importância da unidade entre governo e Congresso. “Vamos trabalhar juntos para reverter essa situação. Estamos juntos”, concluiu.
Missão diplomática brasileira viajará a Washington para tentar reverter tarifas
Como parte da estratégia diplomática, o Senado aprovou, na última terça-feira (15), um requerimento apresentado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) que autoriza o envio de uma comitiva de senadores a Washington, ainda neste mês de julho. A missão parlamentar terá o objetivo de dialogar com autoridades e parlamentares americanos em busca de alternativas diplomáticas para reverter a medida tarifária.
Participaram da reunião preparatória em Brasília:
- Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro da Indústria)
- Hugo Motta (presidente da Câmara)
- Davi Alcolumbre (presidente do Senado)
- Gleisi Hoffmann (ministra das Relações Institucionais)
- Senadores: Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Rogério Carvalho (PT-SE), Weverton Rocha (PDT-MA), Fernando Farias (MDB-AL) e Nelsinho Trad (PSD-MS)
Tarifas dos EUA afetam setores estratégicos e acendem alerta no governo
As novas tarifas norte-americanas afetam diretamente produtos brasileiros em setores estratégicos, como o agronegócio, a indústria de base e exportações industriais de alto valor agregado. Especialistas alertam que o aumento tarifário pode impactar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente em um cenário de retomada econômica e busca por novos mercados.
Segundo interlocutores do governo federal, a medida é considerada uma forma de protecionismo comercial disfarçado, com potencial de gerar desequilíbrios e tensões diplomáticas entre os dois países.
Brasil pode acionar a OMC caso diálogo bilateral não avance
Caso as negociações com os Estados Unidos não avancem, o Brasil já considera acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as medidas. O presidente Lula e chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, já haviam sinalizado essa possibilidade em pronunciamentos anteriores. Segundo fontes do Itamaraty, a opção pelo caminho multilateral será utilizada como último recurso, após esgotadas as tratativas bilaterais.
Aliança institucional reforça posição brasileira no cenário internacional
A mobilização articulada entre Executivo e Legislativo sinaliza que o Brasil pretende atuar de forma firme e técnica no cenário internacional para defender seus interesses comerciais e estratégicos. Para analistas políticos e diplomáticos, a união entre os Poderes neste momento reforça a credibilidade institucional brasileira e demonstra disposição para defender a soberania nacional com base no diálogo e no respeito aos tratados internacionais.
Agenda da comitiva e ações diplomáticas
A comitiva de senadores deve viajar a Washington na última semana de julho. Entre os compromissos previstos estão reuniões com senadores norte-americanos, representantes da Casa Branca e membros do Departamento de Comércio dos EUA.
O governo brasileiro, por sua vez, continua monitorando os desdobramentos das tarifas e deve intensificar as articulações diplomáticas nas próximas semanas.
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