Barroso rebate críticas a supersalários de juízes: ‘Judiciário não tem responsabilidade pela crise fiscal’
Presidente do STF argumenta que salários da magistratura são essenciais para manter atratividade da carreira e não devem ser comparados ao mínimo
Antônio Augusto/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, declarou, nesta segunda-feira (9), que o Judiciário não pode ser responsabilizado pela crise fiscal enfrentada pelo Brasil. Durante uma coletiva de imprensa para apresentar o balanço de sua gestão neste ano, o ministro defendeu os salários elevados da magistratura como essenciais para manter a atratividade da carreira. Segundo ele, a remuneração dos juízes deve ser avaliada em comparação ao mercado jurídico e não com o salário mínimo.
Gastos do Judiciário em perspectiva
Barroso enfatizou que os gastos representam apenas 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e que essa proporção vem diminuindo nos últimos anos. Ele destacou que, desde 2017, o Judiciário opera sob o regime do teto fiscal, sem ultrapassar os limites estabelecidos.
“Desde 2017, o Judiciário vive sob o regime do teto fiscal. Nos últimos 7 anos, não gastou um vintém a mais”, afirmou o ministro.
Em 2023, o setor registrou despesas de R$ 132,8 bilhões, sendo cerca de 90% destinados a pessoal. No entanto, Barroso destacou que o Judiciário arrecadou R$ 68,74 bilhões no mesmo período, o que corresponde a um retorno de 52%.
Supersalários e PEC de contenção de gastos
A declaração de Barroso ocorre em meio ao debate sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa combater os chamados “supersalários” no funcionalismo público. A PEC, parte do pacote de cortes de gastos do governo Lula, busca limitar os pagamentos que ultrapassam o teto constitucional de R$ 44 mil mensais, equivalente à remuneração de um ministro do STF.
Entidades representativas da magistratura e do Ministério Público reagiram fortemente à PEC, alertando para possíveis consequências, como a aposentadoria antecipada de até 40% dos juízes em atividade. Segundo essas associações, a saída massiva de magistrados poderia gerar um aumento nos custos com concursos públicos e afetar o funcionamento do sistema judicial.
Entidades alertam para impactos no Judiciário
Diversas organizações, incluindo o Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre) e a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), manifestaram preocupação com a PEC. Em notas conjuntas, as entidades argumentam que a medida pode sobrecarregar o sistema judicial e comprometer o andamento processual.
As associações defenderam que mudanças dessa magnitude devem ser precedidas de análises técnicas que considerem as particularidades do Judiciário. Além disso, apontaram que a PEC precisa estabelecer critérios claros sobre as parcelas indenizatórias excluídas do teto, evitando interpretações equivocadas.
Emendas parlamentares e responsabilidade de plataformas digitais
Durante a coletiva, Barroso também comentou a recente decisão do STF sobre as emendas parlamentares. A medida, que estabeleceu novas regras para a liberação de recursos, gerou insatisfação entre deputados e senadores. Contudo, o ministro afirmou que a decisão está em conformidade com o acordo firmado entre os Três Poderes em agosto deste ano.
Outro tema abordado foi o julgamento que discute a responsabilidade das plataformas digitais, previsto para ser retomado nesta quarta-feira (11). O presidente explicou que qualquer decisão provisória do STF poderá ser substituída por uma eventual legislação aprovada pelo Congresso.
Debate sobre gestão pública e crise fiscal
As declarações de Barroso refletem o delicado equilíbrio entre a gestão fiscal e a valorização do funcionalismo público. Enquanto o governo busca reduzir gastos para enfrentar a crise econômica, magistrados e membros do Ministério Público defendem que o corte nos supersalários pode gerar impactos negativos a longo prazo, especialmente no Judiciário.
O debate sobre os supersalários e a reforma do funcionalismo público continua sendo um tema central na agenda política do Brasil, com implicações diretas para a eficiência administrativa e a estabilidade econômica do país.
Complexidade das reformas estruturais para conter crise fiscal
O posicionamento do presidente do STF destaca a complexidade das reformas estruturais no Brasil. Embora o combate aos supersalários seja uma medida necessária para melhorar a gestão dos recursos públicos, o impacto no funcionamento do Judiciário e a necessidade de manter a carreira atrativa prometem insuflar o embate entre os três poderes do país.
A discussão em torno da PEC e de outras reformas deverá seguir intensa, refletindo os desafios de equilibrar eficiência, valorização profissional e responsabilidade fiscal em um contexto de crise econômica.
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