Alckmin comemora redução tarifária dos EUA, mas alerta para barreiras que ainda travam exportações do Brasil

Vice-presidente vê alívio parcial após nova ordem de Trump, porém ressalta que sobretaxa de 40% mantém produtores brasileiros em desvantagem


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 15/11/2025 16:11 • Política
Alckmin comemora redução tarifária dos EUA, mas alerta para barreiras que ainda travam exportações do Brasil - Valter Campanato/Agência Brasil
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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou, neste sábado (15), que a fatia das exportações brasileiras para os Estados Unidos com tarifa zero subiu de 23% para 26%, após a ordem executiva divulgada pelo governo norte-americano. A mudança, segundo ele, representa um alívio parcial para empresas brasileiras, mas ainda deixa desafios significativos em aberto.

Aumento das exportações brasileiras com tarifa zero

Alckmin explicou que, considerando os US$ 40 bilhões exportados em 2024, 42% dos produtos tinham tarifas entre 0% e 10%, enquanto outros 24% estavam submetidos à Seção 232, que estabelece regras uniformes para todos os países. O problema permanece nos 33% restantes, faixa em que o Brasil perdeu competitividade para concorrentes estrangeiros devido às tarifas mais altas.

O vice-presidente reforçou que o diálogo recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump teve papel importante no avanço das negociações. Segundo ele, o governo brasileiro continuará atuando para ampliar a desoneração tarifária.

“Ainda há uma avenida pela frente”, afirmou Alckmin destacando que a tarifa sobre o café brasileiro “não faz sentido” diante da dinâmica global do setor.

Corte tarifário dos EUA: avanço reconhecido, mas com limitações

A decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios foi classificada por Alckmin como “positiva” e “na direção correta”. O ministro, porém, alertou que a manutenção da sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente ao Brasil ainda é um fator de desequilíbrio no comércio bilateral.

O corte anunciado retirou a tarifa global de 10% que vinha sendo aplicada desde abril. Apesar disso, como o adicional de 40% imposto em julho ao Brasil continua em vigor, produtos como café, carne bovina, frutas e castanhas passaram de 50% para 40% — um avanço, mas insuficiente para tornar o país plenamente competitivo.

O setor de suco de laranja foi o mais beneficiado, com a tarifa reduzida de 10% para zero, o que representa ganho direto estimado em US$ 1,2 bilhão. No caso do café, embora a alíquota tenha caído de 50% para 40%, concorrentes como o Vietnã obtiveram reduções maiores, de até 20 pontos percentuais. Alckmin destacou que esse é um dos principais desafios para retomar espaço no mercado norte-americano.

Diplomacia recente e impacto comercial

Segundo o vice-presidente, a medida norte-americana reflete os esforços diplomáticos realizados nos últimos meses. Além da conversa entre Lula e Trump, houve articulações envolvendo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A última ordem executiva de Trump foi “positiva”, segundo Alckmin, mas não encerra o processo.

O vice-presidente lembrou ainda que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil, exportando mais do que importam. Para Alckmin, isso reforça que “o Brasil não é problema, é solução”.

Com o ajuste tarifário, o volume de exportações brasileiras isentas de sobretaxa subiu de 23% para 26%, movimento que representa cerca de US$ 10 bilhões em produtos livres de tarifas. A ampliação ocorre após o período chamado de “tarifaço”, que levou a um crescimento de 341% no déficit brasileiro com os EUA entre agosto e outubro.

Entre os impactos por setor, destacam-se:

  • Suco de laranja: tarifa reduzida de 10% para zero.
  • Café: queda de 50% para 40%; setor exportou US$ 1,9 bilhão em 2024, mas registrou queda de 54% nas vendas em outubro.
  • Carne bovina e frutas: tarifas recuam de 50% para 40%, com competitividade ainda limitada.

Posição do governo norte-americano e outros avanços recentes

O governo Trump justificou a redução tarifária como parte de uma política para conter a inflação de alimentos e melhorar a oferta interna dos Estados Unidos. O presidente norte-americano classificou o corte como “um pequeno recuo” e afirmou não prever novas reduções no curto prazo, embora espere queda nos preços de insumos como o café.

Alckmin também destacou avanços anteriores nas negociações, incluindo:

  • Retirada da tarifa global de 10% e da sobretaxa de 40% sobre ferro-níquel e celulose, em setembro.
  • Redução de tarifas de madeira macia e serrada de 50% para 40%.
  • Queda de 50% para 25% nas tarifas aplicadas a armários, móveis e sofás.

Essas reduções foram adotadas no âmbito da Seção 232, com base em argumentos de segurança comercial dos EUA, e foram repassadas de forma uniforme a todos os países, sem alterar a competitividade relativa entre eles.

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