Petrobras retoma fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe e inicia produção de ureia para reduzir dependência externa
Reativação das unidades marca estratégia industrial voltada ao agronegócio, geração de empregos e fortalecimento da segurança produtiva
Daniel Silva Ferreira/Agência Petrobras
A Petrobras deu um passo considerado estratégico para a indústria nacional e para o agronegócio brasileiro ao iniciar, neste mês, a retomada da produção de ureia nas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) localizadas nos estados da Bahia e de Sergipe. A reativação das unidades ocorre após investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada planta e marca o retorno do Brasil à produção interna de um insumo essencial, atualmente totalmente importado pelo país.
A expectativa da estatal é que, com a retomada gradual das operações, a Petrobras consiga suprir até 35% da demanda nacional de ureia nos próximos anos, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a cadeia produtiva do setor agrícola, um dos pilares da economia brasileira.
Produção já começou em Sergipe e avança na Bahia
Na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras, a retomada ocorreu de forma escalonada. A unidade voltou a produzir amônia no dia 31 de dezembro, passo fundamental para o processo industrial, e iniciou oficialmente a produção de ureia em 3 de janeiro.
Já a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, instalada no polo industrial de Camaçari, concluiu o processo de manutenção em dezembro e encontra-se atualmente em comissionamento de partida. A expectativa da Petrobras é que a produção de ureia na unidade baiana seja iniciada até o final de janeiro, consolidando o retorno pleno das operações.
Capacidade produtiva e impacto no mercado nacional
As duas unidades possuem papel relevante no abastecimento do mercado interno. Em Sergipe, a planta tem capacidade para produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, o que equivale a cerca de 7% do mercado nacional. Na Bahia, a produção diária pode chegar a 1.300 toneladas, representando aproximadamente 5% da demanda do país.
Além das fábricas, a operação da unidade baiana envolve também os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia, localizados no Porto de Aratu, no município de Candeias, o que amplia a eficiência logística e a capacidade de escoamento da produção.
Investimentos, empregos e efeito multiplicador
A retomada das Fafens vai além do impacto industrial. Segundo a Petrobras, a reativação das unidades já está gerando 1.350 empregos diretos e cerca de 4.050 empregos indiretos, movimentando a economia regional e fortalecendo cadeias locais de fornecedores e serviços.
As fábricas produzirão não apenas ureia, mas também amônia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), insumo essencial para a redução de emissões de veículos a diesel, contribuindo diretamente para políticas ambientais e de sustentabilidade.
Estratégia nacional para fertilizantes
De acordo com o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, a retomada das unidades da Bahia e de Sergipe faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia para reconstruir a capacidade nacional de produção de fertilizantes nitrogenados.
“As duas Fafens, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), outra fábrica nacional de fertilizantes da Petrobras, instalada no Paraná, responderão por 20% de toda a demanda de ureia do Brasil. A nossa expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul”, disse em nota o executivo.
Atualmente, toda a ureia consumida no país é importada, o que expõe o Brasil às oscilações do mercado internacional, a crises geopolíticas e a variações cambiais. A produção interna, portanto, é vista como um elemento-chave para a segurança alimentar e a soberania produtiva.
Benefícios para agronegócio e outras indústrias
A produção nacional de nitrogenados atende diretamente ao agronegócio, tanto na fabricação de fertilizantes agrícolas quanto na ureia utilizada para alimentação de ruminantes. Além disso, o insumo é fundamental para setores industriais como o têxtil, o de tintas e o de papel e celulose, ampliando o impacto econômico da retomada.
Segundo William França, o projeto também tem relevância energética e industrial, já que utiliza o gás natural como principal matéria-prima, ampliando as alternativas de alocação do gás produzido pela própria Petrobras.
“Com a retomada da produção nacional, a Petrobras amplia a oferta do insumo no mercado interno, reduz a dependência externa e fortalece a cadeia produtiva do agronegócio”, explicou França.
Perspectivas para próximos anos
A retomada das Fafens da Bahia e de Sergipe representa um marco na política industrial da Petrobras e no reposicionamento do Brasil no mercado de fertilizantes. A expectativa da estatal é que, com novos investimentos e a construção de uma nova planta no Mato Grosso do Sul, o país avance de forma consistente na redução da dependência externa, fortalecendo sua competitividade agrícola e industrial.
Em um cenário global marcado por incertezas no fornecimento de insumos estratégicos, a produção nacional de ureia surge como um fator decisivo para garantir estabilidade, previsibilidade e desenvolvimento econômico de longo prazo.
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