Trump endurece cerco contra Maduro: bloqueio naval, acusação de terrorismo e ameaça direta
Nicolás Maduro reage, fala em pirataria e acusa os EUA de violar o direito internacional com novas ações na Venezuela
Reprodução/Instagram @realdonaldtrump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta última terça-feira (16), a adoção de um bloqueio total e completo a todos os petroleiros sancionados que estejam entrando ou saindo da Venezuela, em mais um movimento de endurecimento contra o regime do presidente Nicolás Maduro. Além da medida marítima, Trump afirmou que o governo venezuelano foi oficialmente designado como uma organização terrorista estrangeira.
O anúncio foi feito por meio de publicações na rede social Truth Social, nas quais o republicano utilizou um tom de ameaça direta e retórica militarizada. Segundo ele, a Venezuela estaria cercada por forças navais norte-americanas em uma escala inédita na região.
“A Venezuela está completamente cercada pela maior Armada já reunida na História da América do Sul. Ela só vai crescer, e o choque para eles será como nada que já tenham visto — até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros ativos que anteriormente nos roubaram”, escreveu Trump.
Acusações de terrorismo, tráfico e roubo de ativos
Trump voltou a acusar o governo de Nicolás Maduro de usar o petróleo venezuelano como principal fonte de financiamento de atividades criminosas. De acordo com o presidente norte-americano, o regime se sustenta por meio do que chamou de terrorismo ligado ao narcotráfico, além de tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros.
“A América não permitirá que criminosos, terroristas ou outros países roubem, ameacem ou prejudiquem nossa nação. Da mesma forma, não permitiremos que um regime hostil tome nosso petróleo, terras ou quaisquer outros ativos, que devem ser devolvidos imediatamente”, afirmou.
Com base nessas alegações, Trump confirmou a designação formal do regime venezuelano como Organização Terrorista Estrangeira, justificando a ampliação das sanções e o bloqueio naval.
Bloqueio atinge navios já sancionados pelos EUA
Segundo o presidente, o bloqueio envolve todos os petroleiros que já foram alvo de sanções americanas, independentemente de estarem entrando ou saindo do território venezuelano. De acordo com o site Axios, ao menos 18 embarcações sancionadas estariam atualmente em águas venezuelanas.
A medida representa um agravamento significativo das restrições impostas ao setor petrolífero do país sul-americano, considerado vital para a sobrevivência econômica do governo Maduro.
Trump também afirmou que imigrantes venezuelanos em situação irregular nos Estados Unidos estão sendo “devolvidos rapidamente”, reforçando o discurso de tolerância zero adotado por seu governo.
Reação do governo Maduro: “ameaça grotesca”
Em resposta, o governo da Venezuela classificou a decisão de Trump como uma “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”. Maduro acusou os Estados Unidos de violarem o direito internacional e de promoverem uma escalada de tensões na região do Caribe.
O regime venezuelano também rejeitou a designação como organização terrorista e voltou a acusar Washington de tentar se apropriar de recursos naturais do país sob o pretexto de sanções e segurança internacional.
Sanções ao petróleo já duram desde 2019
As sanções ao setor petrolífero da Venezuela não são novas. Em 2019, ainda durante o primeiro mandato de Trump, os Estados Unidos impuseram uma série de restrições à estatal PDVSA, com o objetivo de pressionar o governo Maduro e forçar mudanças políticas no país.
As medidas provocaram uma queda acentuada nas exportações venezuelanas, mas, mesmo sob sanções, o país ainda consegue exportar cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Para isso, o regime tem recorrido ao uso dos chamados “navios fantasmas”, embarcações que mudam frequentemente de nome, bandeira ou identidade para driblar a fiscalização internacional.
Segundo especialistas, algumas dessas embarcações utilizam registros de navios já enviados para desmanche, dificultando o rastreamento.
Contrabando por petroleiros “zumbis” é prática global
Dados da empresa de inteligência financeira S&P Global indicam que aproximadamente um em cada cinco petroleiros no mundo estaria envolvido em algum tipo de contrabando de petróleo oriundo de países sob sanções internacionais. Além da Venezuela, Rússia e Irã também utilizam estratégias semelhantes para manter suas exportações energéticas, apesar das restrições impostas por Estados Unidos e aliados.
Navio apreendido intensificou tensão no Caribe
A escalada recente ganhou força após um episódio ocorrido no último dia 10 de dezembro, quando forças militares dos Estados Unidos interceptaram e apreenderam um navio petroleiro no Mar do Caribe, próximo à costa venezuelana. Segundo a imprensa americana, a embarcação, identificada como Skipper, havia sido sancionada pelos EUA em 2022, sob suspeita de contrabando de petróleo e de favorecer grupos islâmicos no Oriente Médio.
O navio navegava com bandeira da Guiana, mas o governo guianense afirmou posteriormente que a embarcação hasteava a bandeira de forma fraudulenta, já que não possui registro no país.
Maduro chama ação de “pirataria naval criminosa”
Após a apreensão, Nicolás Maduro classificou a ação americana como “pirataria naval criminosa”. Segundo ele, o navio transportava cerca de 1,9 milhão de barris de petróleo.
“Sequestraram os tripulantes, roubaram o barco e inauguraram uma nova era, a era da pirataria naval criminosa no Caribe”, declarou o presidente durante um ato em Caracas.
Um levantamento da agência Reuters, divulgado três dias após a operação, apontou que a apreensão provocou uma queda brusca nas exportações venezuelanas, deixando aproximadamente 11 milhões de barris de petróleo e combustíveis retidos em águas do país.
Mais Lidas
Internacional
Últimas Notícias
A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos
Prefeitura de Salvador reforça rede de saúde e nomeia 37 concursados em 2026
Perdi o emprego e agora? Saiba como garantir o seguro-desemprego em 2026
Jerônimo diz que Operação Overclean não muda relação com PDT e mantém confiança em Félix Mendonça Jr.
Governador mantém apoio político mesmo após aliado ser alvo da Polícia Federal por esquema de desvios de emendas na Bahia
Defesa de Bolsonaro tenta levar ao plenário do STF nova ofensiva contra condenação por tentativa de golpe
Advogados protocolam recurso para reabrir discussão jurídica enquanto família relata piora no estado de saúde do ex-presidente
Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington
Segurança da Lavagem do Bonfim 2026 mobiliza mais de 2 mil agentes, ativa CICC e amplia uso de tecnologia
Operação coordenada pela SSP reúne forças policiais, bombeiros e órgãos parceiros para monitorar evento em tempo real
Resumo de Êta Mundo Melhor de 12 a 17 de janeiro: revelações, ameaças e romances em risco
Semana da novela é marcada por ciúmes, confrontos e um atentado que muda os rumos da trama
Resumo de Três Graças de 12 a 17 de janeiro: segredos, confrontos e novas revelações movimentam a semana
Investigação sobre a escultura e conflitos familiares ganham força nos próximos capítulos da novela
Resumo Coração Acelerado de 12 a 17 de janeiro: estreia da novela traz paixões, desencontros, fuga e momentos de humilhação
Trama musical que estreou em 12 de janeiro acompanha a trajetória de uma jovem cantora em busca de espaço e reconhecimento
Eleições 2026: Lula lidera disputa presidencial e vence adversários da direita no 1º turno
Pesquisa nacional indica vantagem do atual presidente em diferentes cenários e aponta empate técnico apenas contra Tarcísio de Freitas no 2º turno