Conheça Camila Aragão: A ativista que representou o Brasil na COP28 e está revolucionando sua comunidade
Ela é uma representante da nova geração de mulheres que transformam realidades por meio da mobilização social
Acervo pessoal
Neste Dia Internacional da Mulher, o Portal M! celebra aquelas que, com determinação e coragem, estão transformando o mundo ao seu redor. Mulheres baianas, ativistas e líderes nas áreas de direitos humanos, movimento negro, direitos da mulher e causa animal. Uma dessas mulheres é Camila Aragão, que vem fazendo a diferença com seu trabalho incansável no Subúrbio Ferroviário.
Ativista, consultora em acessibilidade e agente comunitária de saúde, Camila é uma das representantes de uma nova geração de mulheres que estão mudando suas realidades por meio da educação popular e mobilização social. Em 2023, ela teve a honra de representar o Brasil na Conferência das Partes (COP28), em Dubai, nos Emirados Árabes.
Uma Vida de Luta e Resiliência
Camila se define com orgulho: “Sou Camila Aragão, uma mulher negra, gorda, com cabelos cacheados e grisalhos, e um sorriso largo. Neta de dona Dede, filha de Maria, irmã de Carol, mãe de Caíque, uma mulher com deficiência e bissexual. Sou muitas, múltiplas, intensa, gentil, resiliente, chorona e sensível. Tenho coragens grandonas e medos absurdos de bobos”, diz ela.
Durante a infância, Camila acompanhava seu tio, o agente de saúde conhecido como Roque Preto, nas visitas domiciliares. Nas comunidades onde cresceu e nas que visitava com ele, muitas localizadas em Áreas de Preservação Ambiental (APA), ela logo percebeu as dificuldades enfrentadas pela população: o acesso precário à saúde, água potável, saneamento, educação e transporte.
Inspirada pelo trabalho do tio, aos 18 anos, Camila se tornou agente de saúde e voltou para atuar na mesma comunidade. Ali, foi testemunha da transformação de uma fonte de água natural em um córrego poluído. “Eu precisava mobilizar as pessoas para recuperar aquela bica, e consegui”, recorda com orgulho. Desde então, Camila dedica sua vida à luta pelo “pertencimento ao ambiente”, acreditando que essa é uma forma de empoderar sua comunidade, promovendo a convivência harmônica com a natureza, sem destruí-la.
Desde a adolescência, Camila compreendeu o poder dos movimentos sociais para a transformação da sociedade. “Na vida, compreendi desde cedo, já aos 14 anos, que os movimentos sociais e suas ações transformam a realidade, transformaram a minha e me fizeram querer transformar a vida de outras pessoas também”, afirma.
Ação Comunitária e Combate às Desigualdades
Com uma trajetória sólida como agente comunitária e arte-educadora, Camila tem trabalhado de perto com comunidades em situação de vulnerabilidade. “Durante muito tempo fui agente de saúde no Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde articulei e promovi atividades junto à comunidade, como grupos educativos de cuidados, a requalificação do rio e iniciativas de sustentabilidade”, destaca.
Durante a pandemia da Covid-19, sua atuação se intensificou. “Com o apoio de um grupo de mulheres negras e da Universidade Federal da Bahia, distribuímos kits de higiene, instalamos pias sanitárias, entregamos alimentos e outros suprimentos. A luta seguiu forte, e me transferi para o Cassange, onde continuei como agente de saúde”, relata.
Sustentabilidade e Formação Profissional
Camila também tem se dedicado à formação profissional de trabalhadores da reciclagem. Em parceria com o Instituto Federal da Bahia, organizou uma ação de capacitação para catadores e catadoras de materiais recicláveis, ensinando o manejo adequado de resíduos sólidos. “A ação incluiu a distribuição de equipamentos de proteção individual e encaminhamento de trabalhadores para atendimentos de saúde”, explica.
Um Sonho Coletivo de Sustentabilidade
Atualmente, Camila está empenhada na criação de uma horta comunitária, com o objetivo de tornar seu condomínio mais sustentável e acolhedor para os trabalhadores da reciclagem. “Meu sonho é transformar o condomínio em um espaço sustentável, onde esses profissionais possam guardar e comercializar seus materiais, enquanto continuamos a estimular, mobilizar e sensibilizar a todos. Juntos, conseguiremos”, reforça.
Para Camila, a transformação social é uma tarefa coletiva. “Não sonho sozinha. ‘Um sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas o sonho que se sonha junto é realidade'”, finaliza, citando Raul Seixas.
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