Rapper baiana retira clipe do ar por fazer gesto análogo a facção criminosa: ‘Aprendizado’
No estado, gestos que envolvem números ou símbolos específicos são frequentemente ligados a organizações criminosas
Instagram/@duquesa
A rapper baiana Duquesa retirou do ar o videoclipe de “Fuso”, lançado em 16 de dezembro, após o gesto de mão representando o número 3 no vídeo ser associado à facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), de Salvador. A decisão veio após alertas de fãs sobre possíveis interpretações equivocadas e riscos de retaliação.
“Meu trabalho não pode ser resumido a uma falha”, afirmou Duquesa ao justificar a exclusão do conteúdo.
Na Bahia, gestos com as mãos que envolvem números ou símbolos específicos são frequentemente ligados a organizações criminosas. Isso gerou preocupação não apenas para a cantora, mas também para o público que reproduz o conteúdo. Duquesa negou qualquer envolvimento ou apologia a crimes: “Eu passei 22 anos na Bahia e nunca me envolvi ou fiz apologia ao crime”.
Foco na segurança dos fãs
Em comunicado, a artista orientou seus seguidores a evitarem o uso de sinais com as mãos em vídeos relacionados à música. “Não repostaremos vídeos que contenham sinais indevidos com as mãos”, disse, destacando a falta de compreensão sobre a gravidade da situação em outras regiões. A rapper enfatizou que seu objetivo é apenas criar arte e fortalecer a conexão com seu público.
Novo videoclipe de “Fuso” em produção
Apesar do episódio, Duquesa anunciou a produção de um novo videoclipe para “Fuso”, buscando dissociar o trabalho de qualquer conotação negativa. A cantora reforçou seu compromisso com a arte e destacou que a experiência foi um aprendizado. “Meu trabalho nunca girou em torno disso. Eu prefiro transformar essa situação em aprendizado e seguir em frente”, afirmou.
A polêmica também chama a atenção para o impacto de símbolos culturais e suas interpretações no ambiente digital. Com a viralização de conteúdos em plataformas como TikTok, a contextualização regional de certos gestos pode gerar repercussões inesperadas.
Incidentes e gestos controversos
Na Bahia, o uso de gestos com as mãos, especialmente em fotografias ou vídeos, tem gerado consequências inesperadas, com associação a facções criminosas locais. Recentemente, um incidente envolvendo os irmãos percussionistas do Malê Debalê destacou a problemática: um gesto, aparentemente inocente, foi mal interpretado e resultou em confusão. A interpretação equivocada desses sinais pode levar a incidentes violentos, dada a relação desses gestos com grupos criminosos regionais.
O governo da Bahia afirma ter intensificado ações para combater as facções criminosas no estado. Em 2024, foram realizadas prisões de líderes de organizações criminosas, além da apreensão de armamentos pesados, o que ajudou na redução da violência. A Secretaria da Segurança Pública está desenvolvendo operações de inteligência e policiamento coordenado com o objetivo de enfraquecer as redes criminosas e prevenir a expansão dessas facções.
O governo frisa que o combate às facções criminosas não depende exclusivamente das autoridades e organizações não governamentais, escolas e o sistema judicial devem assumir papéis fundamentais nesse processo. A conscientização da população, especialmente entre os jovens, é crucial para evitar a associação com gestos ligados ao crime. Os pais também têm um papel importante, educando seus filhos sobre os perigos dessas identificações simbólicas.
Prevenção e conscientização sobre riscos simbólicos
Vale pontuar que é necessário reforçar a atenção nas famílias sobre os sinais simbólicos associados à criminalidade, especialmente no contexto das redes sociais. O uso inadvertido desses gestos, seja em músicas ou em situações cotidianas, pode colocar jovens em risco. Portanto, a educação sobre o significado dos gestos, principalmente entre as gerações mais novas, é essencial para evitar associações perigosas.
Desafios das redes sociais e a conscientização cultural
Com a popularidade das redes sociais, como TikTok e Instagram, o uso de gestos e sinais se espalha rapidamente. No entanto, essas plataformas não têm consideração pelas interpretações culturais locais. Criadores de conteúdo precisam estar atentos a essas nuances regionais, garantindo que suas obras não sejam mal interpretadas. A compreensão do contexto cultural e local é essencial para evitar mal-entendidos e garantir a segurança.
Gestos aumentam violência
Casos de violência envolvendo gestos associados a facções criminosas têm aumentado na Bahia. Em outubro de 2024, os irmãos Gustavo Natividade, de 15 anos, e Daniel Natividade dos Santos, de 21, foram mortos em um ataque a tiros em Camaçari, após uma foto onde faziam sinais com as mãos. Esses gestos foram possivelmente confundidos com símbolos de facções criminosas, o que levou ao trágico incidente. Os dois irmãos eram percussionistas do Malê Debalê, um renomado bloco afro da Bahia.
Em agosto de 2024, a violência também atingiu a jovem Maria Heloísa Santana de Jesus, morta após aparecer em um vídeo dançando em uma festa. A Polícia Civil relatou que, nas imagens, um indivíduo fez um gesto associado a uma facção rival da que atua no bairro onde a vítima morava. Esses incidentes evidenciam o risco crescente de mal-entendidos e violência relacionados ao uso de gestos simbólicos nas redes sociais e no cotidiano.
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