Caboclo de branco e periferia no centro: Guerreiro destaca temática e protagonismo popular no 2 de Julho
Presidente da Fundação Gregório de Mattos ressalta importância da festa para a memória coletiva e defende valorização da cultura periférica
Equipe M!
Salvador vive hoje mais uma celebração do 2 de Julho, data magna da Bahia, que neste ano celebra os 202 anos da Independência do Brasil no Estado. Em entrevista concedida ao Portal M!, nesta quarta-feira (2), o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, apresentou os detalhes da programação e explicou a proposta do novo tema da festa: “Eu sou o 2 de Julho”. A escolha, segundo ele, busca aproximar o evento da população e transformar a celebração em um símbolo coletivo de pertencimento.
Ao deixar de lado símbolos históricos tradicionais e apostar em uma linguagem direta e inclusiva, a FGM pretende reafirmar a importância da memória compartilhada e da responsabilidade de cada cidadão na preservação dessa história. Guerreiro destacou ainda que, neste ano, o Caboclo assume o papel de mensageiro da paz — um gesto simbólico diante do cenário mundial marcado por conflitos armados. Além disso, o presidente da fundação reforçou a relevância da cultura produzida nas periferias de Salvador, apontando os movimentos artísticos desses territórios como fundamentais para a identidade cultural da cidade.
“O Caboclo esse ano está de branco. Por quê? Porque a gente precisa reverenciar a paz”, afirmou Fernando Guerreiro ao Portal M!.
Novo tema busca aproximar a população do 2 de Julho
Neste ano, a temática da Festa do 2 de Julho foi reformulada com o objetivo de reforçar a identificação popular com a data. Ao invés de símbolos históricos tradicionais, como personagens e marcos militares, o tema de 2025 é simplesmente “Eu sou o 2 de Julho”. A escolha expressa o entendimento de que a memória da luta pela Independência da Bahia deve ser compartilhada por todos os cidadãos. A iniciativa tem como propósito fazer com que cada pessoa se reconheça como parte da história e da celebração.
“A gente não colocou símbolos históricos no tema, nada. Eu sou o 2 de Julho, foi o tema. Porque isso traz a população. Todos nós fazemos parte desse movimento, todos nós somos responsáveis em manter essa memória dessa festa tão importante, da Independência do Brasil na Bahia”, disse Guerreiro ao Portal M!.
A mudança também se reflete nas representações simbólicas do cortejo. Em 2025, o Caboclo tradicional figura do desfile vem representado como um arauto da paz, contrastando com o contexto internacional de conflitos. A presença do Caboclo e da Cabocla ganha novo significado ao destacar a necessidade de cultivar valores pacíficos em tempos de instabilidade mundial. Segundo a FGM, o enfoque na paz pretende tornar a festa não apenas uma homenagem histórica, mas também um momento de reflexão e união.
“Nesse momento que a gente está aí com guerra, estourando em tudo quanto é canto, nós temos atualmente três acontecendo, então é bom que a gente venha com essa cultura da paz. O Caboclo trazendo essa mensagem de paz”, pontuou Guerreiro.
A programação oficial do 2 de Julho é extensa e dura vários dias. Desde o desfile matutino, que reúne autoridades e movimentos populares, até a segunda parte da caminhada, realizada à tarde, o evento percorre importantes vias da cidade. Além disso, diversas manifestações culturais integram o calendário: encontros de filarmônicas, shows musicais, concursos de fachadas, atividades em bairros como Pirajá e o tradicional Baile da Independência. Também foi criada uma nova data para o concurso de balizas e fanfarras, agora marcado para o dia 12, em evento próprio no Campo Grande.
Cultura da periferia é reconhecida como potência artística
Durante a entrevista, Fernando Guerreiro também abordou a valorização da cultura periférica de Salvador. Segundo ele, os bairros mais afastados do centro urbano são grandes produtores de manifestações culturais, contrariando estigmas históricos de violência. De acordo com ele, a Fundação Gregório de Mattos aposta na ampliação do apoio a essas iniciativas como estratégia de desenvolvimento social e cultural.
Um dos destaques mencionados por Guerreiro é o projeto “Boca de Brasa”, que há décadas atua no fortalecimento da arte nas periferias da capital. A iniciativa busca democratizar o acesso à produção e fruição cultural, revelando novos talentos e promovendo o protagonismo local. De acordo com a FGM, o objetivo é romper com visões negativas sobre as periferias e reconhecer o valor simbólico e econômico que seus artistas agregam à cidade.
“A gente tem um projeto Boca de Brasa, que já é um projeto vitorioso, que já tem quatro décadas, que é justamente para trazer esse apoio para a cultura da periferia e tentar romper esse estigma de que periferia é palco de violência e de tragédia”, disse Fernando.
O presidente da FGM também destacou que a maioria dos grandes nomes da Axé Music e do Pagode têm origem nas periferias de Salvador, o que reforça a importância desses territórios na construção da identidade cultural da capital baiana.
“Os grandes movimentos artísticos de Salvador, os grandes artistas, principalmente da Axé Music e do Pagode, saíram da periferia, então hoje é uma região da cidade riquíssima e que, com cultura e educação, não tem violência, não tem tráfico, não tem nada, então é movimentar cada vez mais e apoiar cada vez mais os movimentos periférico”, concluiu Fernando.
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